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Com 12 acusações, Ahed Tamimi, a jovem de 16 anos que foi filmada enfrentando soldados da Força de Ocupação Israelense em seu vilarejo, Nabi Saleh, próximo a Ramallah, foi condenada pela corte israelense nesta terça-feira (2) e pode receber pena de até 10 anos. Uma das acusações, de arremessar pedras contra soldados, é um dos motivos mais comuns para a detenção de crianças e adolescentes na Palestina Ocupada.

Por CSP-Conlutas

Segundo estatísticas do mês de novembro de 2017 da Associação Addameer de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos, 250 crianças estão em presídios israelenses. Grande parte delas acusadas de arremessar pedras, o que é considerado crime pela lei militar e que pode custar até 20 anos de prisão. Desde o ano 2000, conforme informações da organização, mais de 12 mil crianças palestinas foram detidas.

Ahed foi detida em 18 de dezembro. Sua mãe foi indiciada por incitar violência, ao registrar em vídeo o ocorrido, e sua tia, Manal, ativista dos correios da Palestina, também foi presa em ato de protesto em frente à prisão israelense Ofer, onde as duas familiares estão detidas. O Sindicato dos Correios da Palestina, que compõe a RSISL (Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas) da qual a CSP-Conlutas faz parte, pede apoio internacional pela liberdade de Manal Tamimi – confira ao final da matéria.

Perseguição e violência – A família Tamimi tem histórico bastante conhecido na região por ser bem ativa nas mobilizações contra a Ocupação na Palestina. O primeiro palestino adolescente, de apenas 17 anos, morto em 2018 por Israel é Musab Firas, também da família Tamimi. O garoto foi atingido por um tiro no pescoço, enquanto protestava na Cisjordânia, próximo do vilarejo de Deir Nitham. O primo de Ahed, Mohammed Tamimi, teve a cabeça deformada por ferimento a tiro, disparado por um soldado israelense. Alguns metros de distância e uma hora depois foi o que separou este ocorrido da prisão de Ahed. A reação desta jovem palestina, que tem ganhando evidência internacional ao longo dos anos, portanto, representa a ira legítima e o levante do povo palestino que não tolera os crimes do estado de Israel.

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A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, autora do livro Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina (Editora Sundermann), destaca que “Ahed é parte dos chamados ‘filhos de Oslo’, aqueles que nasceram após os malfadados acordos de Oslo entre a OLP e Israel, que aprofundaram a expansão colonial. Simboliza, assim, uma geração que viu os tão propalados ‘acordos de paz’ não trazerem nada, nenhum possibilidade de libertação e vida digna. Sabem que a resistência é o único caminho”.

A mulher palestina – Soraya conta que a jovem Ahed, ao ser questionada em seu julgamento sobre como bateu em um soldado israelense fortemente armado, respondeu prontamente: “Retire as algemas e lhe mostrarei como”. “Ahed, que tem apenas 16 anos, simboliza a nova geração na vanguarda da resistência contra o racismo e colonização sionistas. Uma nova geração que tem à frente mulheres jovens – em um dos levantes recentes, formavam 40% dos que estavam nas ruas. Assim, desafia não apenas a ocupação desumana, mas a própria representação de que as mulheres palestinas e árabes são submissas por natureza e seria uma novidade quando uma delas se destaca na resistência – ideia que tem sua origem na construção orientalista, ou seja, de um ‘Oriente’ atrasado, que não pode se autogovernar, ante um ‘Ocidente’ civilizado. A representação a respeito das mulheres no mundo árabe é um poderoso instrumento à continuidade da colonização na região. Ahed desmonta essa representação e mostra a face feminina na resistência, fazendo jus a uma rica história de participação das mulheres na linha de frente contra a colonização sionista desde seus primórdios”, pontua a jornalista.

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Internacionalismo e luta feminista – É fundamental a solidariedade internacional e incorporação das organizações feministas na luta pela sua libertação e de todos os presos políticos palestinos, entre os quais dezenas de mulheres e crianças. Conforme estatísticas de novembro de 2017 da Addameer, são ao todo 6154 presos políticos nas prisões israelenses, 463 ainda sem acusação formal, 250 crianças, 59 mulheres, e dezenas de parlamentares do Conselho Legislativo Palestino.

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“Está também nas mãos do movimento feminista anticolonial em todo o mundo denunciar as detenções arbitrárias, a opressão e desumanização sob ocupação israelense, em que as mulheres são as maiores vítimas. Ahed é um exemplo que precisa ser disseminado e seguido por todas e todos que lutam contra a opressão e exploração, em qualquer parte do mundo” conclui Soraya.

Apoio – O Sindicato dos Correios da Palestina, que compõe a RSISL (Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas) da qual a CSP-Conlutas faz parte, pede solidariedade internacional pela liberdade de Manal Tamimi. COMPARTILHE.