COMPARTILHAR

Governo Passos/Portas fechou os olhos à fuga de milhões de euros para offshores, enquanto foi implacável na cobrança dos impostos aos trabalhadores.

Por: Em Luta – Portugal

Ficou por dizer que o uso de dois pesos e duas medidas para trabalhadores e patrões é também característica dos governos do PS (Partido Socialista). Por isso, enquanto as televisões debatem intrigas entre PS e PSD (Partido Social Democrata), na vida real, os trabalhadores continuam com os seus problemas por resolver. Para os jovens negros nascidos em Portugal, mas filhos de imigrantes, ter direito à nacionalidade é uma ilusão.

Para os trabalhadores estrangeiros é cada vez mais difícil obter visto de residência. Contudo, quem tiver milhões de euros facilmente consegue visto de residência “gold”.

Por isso, não basta denunciar a corrupção nojenta de Miguel Macedo e das altas hierarquias do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), pois, ao manter o que o PSD começou, o PS faz a mesma opção de classe. Neste mês de março, assinalamos o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora (dia 8) e o Dia pela Eliminação da Discriminação Racial (dia 21), duas datas fundamentais para a luta da classe trabalhadora.

Com estas datas, queremos trazer para cima da mesa as reivindicações atuais das mulheres e negros/as trabalhadores e não apenas homenagear ou celebrar as lutas do passado. Queremos levantar bem alto os problemas que o governo de Costa continua a não resolver porque as suas preocupações e interesses são outros: servir à União Europeia, às regras do déficit e à dívida que os grandes banqueiros nos impõem.

Por isso, temos claro quem são os nossos companheiros de luta e contra quem lutamos. Porque os problemas de Hillary Clinton, Merkel e suas pares estão longe da vida real das mulheres trabalhadoras, que todos os dias se levantam de madrugada, passam horas em transportes públicos, e sofrem diversos abusos para trabalhar e sustentar uma família e conciliar ser mulher e mãe.

Leia também:  Chile| O caso de Antonia: Se não há justiça neste sistema, então devemos derrubá-lo

Porque os problemas de Obama ou Isabel dos Santos e seus pares estão longe da vida nos guetos dos EUA, Portugal, Brasil ou qualquer país africano; da luta pela sobrevivência, física e material, fugindo da fome, da miséria e da violência do Estado e da sua polícia. As lutas das mulheres e dos negros e negras em Portugal e no mundo são irreconciliáveis com os interesses dos patrões, dos chefes do imperialismo e dos governos, que continuam a defender e aplicar o sistema da exploração e opressão que é o capitalismo.

Estas são as lutas de todos os trabalhadores e trabalhadoras e não as dos nossos carrascos! Por isso, a batalha contra os preconceitos e discriminação e pelas reivindicações destes setores têm que ser as bandeiras cotidianas da nossa classe.

Artigo editorial de Em Luta n.° 2, março de 2017.