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A onda de que todos temos que pagar a crise varre o parlamento de lés a lés, e cá fora também é apoiada pelos que se perfilam candidatos presidenciais, com destaque para Manuel Alegre que já veio a público dizer que estas medidas do PEC2 são inevitáveis. O papão do euro estar a ser atacado’ faz esquecer que assistimos a mais um episódio da crise que foi construída e provocada pela economia capitalista, pelo

objetivo supremo do lucro, pela política capitalista dos governos, que em Portugal têm feito ‘alternar’ PS, PSD e CDS, mas sempre, para seguir a política de privatizar os bens públicos lucrativos,  de baixar os salários reais, de retirar direitos aos trabalhadores e à juventude, de reduzir os serviços públicos e limitar os direitos à segurança social.
 
O déficit dos estados, e particularmente o português, foi sendo aumentado pela diminuição de parte da receita que foi dada aos capitalistas, através das privatizações de setores lucrativos como a energia, alguns transportes, o setor financeiro e as telecomunicações. Só com a privatização da Banca que estava nacionalizada, o orçamento de estado perdeu bilhões de euros, a preços atuais. Do lado da despesa também muita dela teve o mesmo destino, foi parar às contas das multinacionais que adjudicam os contratos milionários e cobram muito acima do valor de mercado (através das ‘derrapagens’ orçamentais, das ‘luvas’ e corrupção). Além disto, o ‘estímulo ao mercado’ traduziu-se num crédito ao consumo que procurava ocultar a perca de poder de compra real da maioria dos salários dos trabalhadores, e que beneficiou as mesmas multinacionais que comandam os governantes da União Europeia e o euro.
 
A política seguida pelos governos e o benefício ao grande capital são os responsáveis da crise e são eles que a devem pagar. Os grupos capitalistas, os Amorim, Belmiro, Espírito Santo, os banqueiros nacionais e estrangeiros, os governantes e corruptos, os que tiveram enriquecimento ilícito, são eles quem deve pagar a crise, e não distribuir o seu pagamento pelos de baixo, os trabalhadores e o povo que não têm nada que pagar a crise.
 
Derrotar a política dos PECs é indispensável para defender os direitos, o salário e combater a miséria e o desemprego. O movimento sindical, a CGTP, os partidos da esquerda, o BE e o PCP, devem agir rapidamente e mobilizar todos para uma resposta forte que organize uma GREVE GERAL, também em Portugal.
 
O povo grego já iniciou o combate e muitas greves gerais, em França e Espanha os trabalhadores também as preparam. A ausência de uma orientação da CGTP para concertar posições com as centrais do Estado Espanhol para uma ação ibérica enfraquece a resposta dos trabalhadores,  há que intensificar a luta e coordená-la a nível europeu rumo a uma Greve Geral europeia para derrotar todos os PECs e medidas de ataque aos direitos, salários e emprego dos trabalhadores e dos povos da Europa.
 
Fonte: Ruptura/FER, 29/05/2010