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Num contexto de grande pressão por parte do Estado Português e dos seus pontas de lança no Racismo Institucional, polícia, tribunais e mídia, reunimos com companheiros do Movimento Negro para construir um ato que marque uma resposta de todos os antirracistas, mas também que assinale de forma combativa o 21 de março, Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Por: Em Luta

É o aniversário do Massacre de Sharpeville (21 de março de 1960), um dos marcos de inversão na luta contra o apartheid e pela autodeterminação dos povos negros. É uma data que nos diz muito, e que decidimos assinalar com luta, para manter viva a memória e o legado dos milhares de negras e negros que deram a sua força vital para quebrar o jugo colonial, na esperança de ver África renascer da Idade das Trevas imposta pelo domínio imperialista.

Legado este que nos impele a evocar o heroísmo e a combatividade da luta anticolonial e que nos leva também a rejeitar as comemorações oficiais e oficiosas, que vinculam a luta ao racismo a uma questão de afetos, empoderamento e outras atitudes individuais que não põem em causa as estruturas de poder que perpetuam as discriminações (e desigualdades) raciais.

Lutar contra o racismo hoje em Portugal é lutar contra a violência do Estado racista que precariza cotidianamente a vida de negras, negros e ciganos no acesso ao trabalho, à educação, à Justiça e a própria cidade. Daí a urgência de construir um dia de luta e mobilização que marque o verdadeiro significado do dia 21 de março.

Não aceitamos ser renegados aos postos de trabalho desvalorizados socialmente e com mais baixos salários, tampouco sermos destinados às piores escolas. A segregação territorial, a hipervigilância, a criminalização e a violência policial a que somos submetidos pretende nos transformar no “bode expiatório” dos problemas do país, desqualificando nossas exigências e “branqueando” o racismo a que somos alvo. Não aceitamos essas injustiças, pois o racismo de Estado brutaliza, traumatiza e mata.

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É por isso que dezenas de ativistas e organizações, entre as quais o Em Luta, reuniram-se para construir uma concentração que coloque o dedo na ferida contra o Racismo Institucional e a cotidiana Brutalidade e Impunidade Policial.

Não basta, porém, criticar o racismo de Estado no abstrato, é preciso também identificar quem são os responsáveis por gerir os aparatos institucionais que nos brutaliza a vida. Se os PSD e PP semearam desde sempre a exclusão social e racial, a atual solução governativa do PS, apoiado por BE e PCP, tampouco foi capaz de inverter as injustiças do racismo em Portugal.

Já em fase final de mandato, este governo não aprovou qualquer medida eficaz de combate à discriminação racial. A consequência disso é o aumento da repressão policial e da Justiça contra negros e negras: a absolvição do crime de tortura e racismo dos 17 agentes que agrediram seis jovens da Cova da Moura e a detenção (com julgamento sumário) de outros 4 jovens que estavam na manifestação na Avenida de Liberdade no dia 21 de janeiro deste ano é exemplar disso mesmo.

Dizemos não! Basta de criminalização da classe trabalhadora negra e da periferia! Exigimos justiça para todos os casos de Racismo, e punição exemplar dos crimes racistas, no Jamaica, Cova da Moura, mas também no caso 21 de Janeiro, onde o Estado Português procura atacar o direito dos negros e negras a mobilizarem-se!

Estamos juntos para construir com os moradores dos bairros da periferia a nossa Resistência no campo onde somos temidos… Nas ruas!

O antirracismo, assim como a luta contra toda a opressão, deve ser tomado pelo conjunto da classe trabalhadora para garantir a sua unidade na luta contra qualquer forma de opressão e exploração. Vamos juntos, lutar contra o racismo que divide toda a classe trabalhadora e fortalece os patrões. Mas também denunciar esse governo que nada faz em prol dos direitos de negros e negras, sendo cúmplice dos abusos cometidos pelas forças policiais.

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Pelo direito de manifestação da juventude negra!

Basta de racismo! Punição dos crimes racistas já!

Contra a brutalidade e impunidade policial!

Dia 21 de março pelas 18 horas no Largo São Domingos, constrói-se a luta negra.