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Cento e setenta pessoas, entre militantes e amigos do Ruptura/FER, estiveram presentes na festa dos “35 anos de Combate Socialista”, realizada em 18 de Abril na Caixa Econômica Operária, na Graça. A festa comemorou os 35 anos de existência da corrente política conhecida atualmente pelo nome de Ruptura/FER (Frente de Esquerda Revolucionária), nascida nos agitados anos da Revolução de Abril, em 1974/1975 e que integra desde a sua fundação, em 1999, o Bloco de Esquerda, onde defende a construção de uma alternativa revolucionária.


Entre os presentes estavam representantes de comissões de trabalhadores e de setores que levaram a cabo algumas das principais lutas contra as políticas do governo PS/Sócrates nos últimos anos, como professores, metalúrgicos, bancários, trabalhadores da segurança e aeroportuários, etc. Estavam lá também muitos jovens estudantes que, nas suas universidades e escolas, participam da mobilização contra o processo de Bolonha, as propinas, o Estatuto do Aluno, enfim, as políticas implementadas pelos ministérios da Educação e do Ensino Superior.


Estes ativistas vieram de vários pontos do país, como Almada, Amadora, Leiria, Coimbra e Braga. De mais longe veio Angel Luis Parras, do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), do Estado Espanhol, representando a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), da qual o Ruptura/FER faz parte.


A festa também tinha por objetivo comemorar  a edição 100 do jornal Ruptura, que ganhou novo projeto grafico, criado pela designer Nádia Martins, responsável, ainda, pelo layout dos cartazes da festa.


As atividades da festa


A festa começou com um debate sobre a Palestina, sob a responsabilidade do jornalista e historiador António Louçã. Nesta atividade, discutiu-se a ocupação da Palestina por Israel e os crimes de guerra cometidos durante a “Operação Chumbo Derretido”, quando Israel atacou a Faixa de Gaza, de 27 de Dezembro de 2008 a 25 de Janeiro de 2009, matando mais de 1.300 palestinos. O debate foi realizado no mesmo local da exposição sobre os “35 anos de Combate Socialista”, onde estavam expostos alguns dos primeiros jornais da corrente, como o Combate Socialista , editado nos anos 70 pelo então PRT – Partido Revolucionário dos Trabalhadores.


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Durante o jantar, Angel Luis Parras, pela LIT-QI, e Gil Garcia, pelo Ruptura/FER, saudaram os participantes da festa e os 35 anos da corrente “morenista” – que defende as posições políticas defendidas pelo revolucionário trotskista argentino Nahuel Moreno – em Portugal. Angel Luis Parras destacou a importância do partido português na construção dessa corrente “morenista”, que dentro da Quarta Internacional, fundada pelo revolucionário russo León Trotski, defendeu a construção de partidos leninistas com implantação na classe trabalhadora para superar a crise de direção revolucionária iniciada com a traição estalinista na ex-União Soviética.


Gil Garcia enfatizou a importância da participação do Ruptura/FER no Bloco de Esquerda, na tentativa de construir uma alternativa ao PS, um partido que defende hoje os interesses dos empresários e banqueiros, e ao PCP, que impede o desenvolvimento da luta social ao controlar burocraticamente os sindicatos e demais organizações dos trabalhadores. O dirigente do Ruptura/FER falou também da crise capitalista e da necessidade dos trabalhadores organizarem-se para lutar contra o desemprego e a pobreza, uma tarefa com a qual os integrantes desta corrente estão comprometidos desde o primeiro dia.


Depois que os participantes da festa cantaram a “Internacional”, reafirmando o seu compromisso histórico com a luta da classe trabalhadora pelo socialismo, seguiu-se a apresentação de poemas de Bertolt Brecht, pelo ator João Grosso, e  de música popular portuguesa, pelo “Trio Águas Mil”, de Coimbra. A festa ainda continuou pela madrugada adentro, com muita música e dança.


É importante destacar que o sucesso desta festa só foi possível porque dezenas de integrantes e amigos do Ruptura/FER aceitaram dedicar à sua preparação, muitas horas de trabalho além de contribuirem financeiramente para a sua realização.