Pela derrota das tropas imperialistas!


 


Tal como Obama prometeu em sua campanha eleitoral, nestes meses, a principal frente militar do imperialismo se deslocou cada vez mais do Iraque para Afeganistão, onde, apesar da ofensiva das tropas ocupantes, a resistência tem adquirido força e poder, nos últimos dois anos.


 


A Itália de Berlusconi, fiel à “linha atlantista” da centrodireita, adaptou-se rapidamente à nova situação. Durante sua última visita a Washington, Silvio Berlusconi prometeu ao presidente americano o envio de outros 200 policiais civis com a função de “adestradores” e mais de 400 soldados, aviões e helicópteros com as relativas tripulações.


 


As tropas imperialistas italianas no Afeganistão


 


O contingente italiano no Afeganistão está entre os mais importantes e numerosos: é um dos poucos contingentes há não ter “caveat”, isto é, limites previstos para intervenção militar. Ao contrário, os italianos podem ser informados com seis horas de antecedência da necessidade de deslocar-se fora da zona Oeste de sua competência.


 


Atualmente são 2.800 soldados italianos posicionados no Afeganistão. Além do aumento do número de soldados e do parque aéreo, estão chegando os novos Reaper (aviões sem piloto). A força aérea já tem quatro deles no Afeganistão, utilizados, até agora, para controlar o território através das imagens captadas pelas aeronaves. Agora se acrescentarão cinco aviões: dois do tipo Predator-A (de primeira geração) e três do tipo Reaper. Estes são do tipo mais avançado, capaz de se transformar velozmente de simples aviões de reconhecimento em mortais aviões de ataque. Como já o demonstraram, em inumeráveis operações norte americanas, os Reaper podem atacar com um simples apertar de um botão de uma sala de operação, que pode estar localizada até em outro continente. O próprio ministro da Defesa, Ignazio La Russa, não excluiu a possibilidade que estes aviões italianos possam estar armados no futuro.


 


Que entendem por “missão de paz” os governos imperialistas


 


As operações militares e os ataques sucedem-se incessantemente. Em 24 de junho, as tropas da OTAN [1] atacaram o sul do Afeganistão matando, pelo menos, 23 afegãos. A operação faz parte da ofensiva “Tempestade”, iniciada em meados de maio e intensificada em vista das eleições presidenciais de 20 de agosto. A zona Oeste, onde se encontram os italianos, se converteu em uma das mais quentes com ataques e contra ataques contínuos entre os militares ocupantes e os rebeldes afegãos.


 


Em 12 de junho, a uns quarenta quilômetros ao norte de Farah, os rebeldes espreitavam os soldados italianos, após o rastreamento efetuado dois dias antes na mesma zona. No mesmo dia, desenvolveu-se outra batalha no frente norte, no vale de Bala Murghab. Na página Youtube circulam imagens, reproduzidas por jornalistas do jornal espanhol El Mundo, de soldados italianos e norteamericanos que combatem contra os rebeldes. Ademais, no dia 22 de junho foi atacada uma patrulha de pára-quedistas de Folgore, cerca de Kabul, houve explosões na passagem dos militares, mas sem que ninguém tenha ficado ferido.


 


Em 24 de junho, um míssil disparado por um avião norte-americano no Paquistão, na fronteira com Afeganistão, atingiu de cheio sobre uma centena de civis reunidos por um funeral. O número de vítimas ainda é incerto, ainda que se fale em mais de 80 mortos. No dia 4 maio passado, as bombas norte-americanas causaram mais de cem mortos no Afeganistão, em uma aldeia da província de Farah. São freqüentes os ataques de aviões norte-americanos sem piloto na fronteira entre Paquistão e Afeganistão: desde agosto de 2008, em uns 43 ataques, morreram mais de 400 pessoas.


 


Além deste rastro de sangue deixado pelas tropas da OTAN, no Afeganistão, também, é usual a torturas dos presos. A rede de televisão da BBC [2] tem registrado numerosas denúncias de torturas feitas pelos militares norte-americanos procedentes do centro de detenção de Bagram. Nos últimos oito anos, este centro, localizado há 60 quilômetros ao noroeste de Kabul, tem hospedado milhares de suspeitos de ser “militantes da Al Qaeda”, capturados no Afeganistão e no Paquistão. Os prisioneiros de Bagram não podem ter assistência de advogados nem apelar por sua libertação. O Departamento da Defesa americana sustenta que, ao ser o Afeganistão uma zona de guerra, seria impossível conduzir investigações rigorosas sobre cada caso individual e que garantir advogados e direitos aos prisioneiros pode impedir a proteção das forças militares norte-americanas e que o governo de Obama tenha sucesso neste conflito armado.


 


Pela expulsão das tropas imperialista!


 


A missão no Afeganistão não é uma prerrogativa da centro-direita. O governo anterior, de Romano Prodi, esteve na primeira fila em cada intervenção imperialista em todo mundo e apoiou, também, fortemente a missão no Afeganistão, que tem sido renovada pontualmente junto às outras, graças, também, ao apoio dos parlamentares de Refundação Comunista (incluídos aqueles críticos) e do Partido dos Comunistas Italianos.


 


A única diferença entre a centro-direita e a centro-esquerda em matéria de política estrangeira tem sido a eleição do “sócio privilegiado” para conseguir os objetivos criminosos e expansionistas da burguesia nacional: enquanto Berlusconi preferido desde sempre a aliança com os EUA e Grã-Bretanha, a centro-esquerda aposta na criação de um pólo imperialista europeu, na perspectiva de “competir” com o imperialismo dos EUA, também no terreno militar. Sempre, no entanto, no marco comum da OTAN.


 


Para os comunistas, no choque entre as potências imperialistas e um Estado dependente, não podem existir nenhuma ambiguidade: os revolucionários sempre estarão do lado do País dependente e pela derrota do imperialismo, independentemente de se a direção da resistência é reacionária ou progressista.


 


A cada derrota do imperialismo é uma vitória para o proletariado de todo mundo, e contribui a minar a confiança que as massas exploradas têm nas classes dominantes que as oprimem. Vice-versa, para o País agredido, ainda que sob uma direção reacionária da resistência, uma vitória do imperialismo significaria uma dupla opressão: a de suas classes dominantes e a do estrangeiro. Os revolucionários internacionalistas de um país imperialistas, além de expressar o apoio a uma derrota dos agressores no país oprimido, trabalham ativamente em seu próprio País para derrotar, antes de tudo, ao próprio governo imperialista.


 


Ao mesmo tempo, os comunistas dos Países agredidos têm o dever de combater no mesmo campo militar da resistência, sem nunca se subordinar politicamente a sua direção.


 


Por todas estas razões, desde Iraque a Afeganistão e a Palestina, um só grito tem que unir o proletariado de todo mundo: que os invasores imperialistas sejam derrotados!


 


NT:


 


[1] OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte (ou NATO);


[2] BBC – British Broadcasting Corporation. Emissora de rádio e televisão do Reino Unido.