Para derrubar todos os governos burgueses é necessário ir às praças e a independência de classe frente aos dois alinhamentos burgueses.

Depois do resultado da votação do balanço financeiro do Estado, Berlusconi teve que aceitar o fato de não ter mais uma maioria parlamentar que o sustentasse, anunciando assim a sua iminente demissão. Abrem-se agora diversos cenários políticos, todos permeados por um elemento inconfundível: a crise de governo está sendo formalmente conduzida por Napolitano [Presidente da República], mas são as instituições internacionais do capitalismo (BCE, UE e FMI) e a grande burguesia italiana que decidirão efetivamente a resolução da questão.

Parece quase certo que Napolitano confie um mandato exploratório [ou seja, a possibilidade de tentar construir uma maioria parlamentar] a Mario Monti (homem da União Européia) e que este último consiga agrupar em torno de si uma ampla maioria por cima dos partidos, que lhe permita concretizar o enésimo massacre social que Berlusconi tinha esboçado algumas semanas atrás, na carta enviada a Bruxelas [Sede da UE].

Um governo “técnico”, que de técnico não tem propriamente nada, se se pensa que as receitas propostas para sair da crise capitalista serão no sentido daquelas impostas pelas instituições do capitalismo internacional. Abolição das pensões por idade, aumento da idade apara aposentadoria, desarticulação dos direitos dos trabalhadores, orçamento equilibrado com o machado dos cortes que se abaterá sobre aquilo que resta do Estado Social italiano. Estes serão só alguns dos procedimentos que o próximo Executivo adotará para conseguir aquilo que Berlusconi não conseguiu: fazer os trabalhadores, os desempregados, os aposentados, os precários e os jovens pagarem a crise.

À frente deste governo em gestação deverá estar o SEL – liderado por Vendola – , que agora é o principal partido de uma socialdemocracia sempre mais a direita. Deste modo Vendola, assim como o resto da esquerda governista, Refundação, aguarda na expectativa de reentrar no jogo no próximo governo de centro-esquerda que provavelmente se constituirá depois das eleições (sejam elas em 2012 ou em 2013): SEL com um papel de primeiro plano na cabine de comando do navio, Refundação como marinheiro.

Outro cenário, menos provável, é aquele que se vá às eleições imeditamente. Por um lado se apresentaria uma centro-esquerda formada pela aliança PD-SEL-IDV, com PRC [Refundação] e PDCI a mendigar algumas migalhas para obter mandatos parlamentares ou postos no governo. Mas tanto a centro-esquerda, como a centro-ditreita, é evidente, se revelam (como já fizeram num passado mais ou menos recente) como fiéis executores das ordens dos poderosos italianos (Federação das Indústrias à frente) e das instituições monetárias e financeiras internacionais.

Como se vê, que se vá às eleições já ou depois de um intervalo com Monti, o ataque aos trabalhadores prossegue, enquanto a burocracia sindical e política se empenham somente para parar o crescimento daquelas lutas que servem para parar o ataque.

A única alternativa é, em sintonia com o que ocorre em tantas partes da Europa, relançar um movimento contra todos os governos capitalistas; avançar um programa de ruptura revolucionária frente a todo tipo de solução oferecida ou imposta pela burguesia nacional e internacional e pelas suas instituições; construir imediatamente uma grande greve geral unitária.

Somente o desenvolvimento das mobilizações, que permita que amplas parcelas da população tomem consciência da impossibilidade de reforma do capitalismo em todas as suas formas (financeiro, industrial etc.), poderá garantir uma saída para a crise na qual a conta seja paga por aqueles que a provocaram: industriais, banqueiros, mercado financeiro e os seus criados "da esquerda".

Texto adaptado e traduzido por Rodrigo Ricupero