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No sábado, 10 de outubro, foi realizada uma marcha no município de Drapetsona contra a privatização do porto. A convocatória para a concentração e a marcha foi feita pelo próprio município onde se encontra o maior porto do país, e reivindicava: “O cancelamento da licitação para a venda do pacote de participação majoritária no OPP (Organismos do Porto de Pireu) e a eliminação de qualquer plano de privatização possível.” 

Por: Xara Argyris

As privatizações, que estavam em processo antes de janeiro de 2015 e haviam sido suspensas, foram retomadas e os compradores já estão prontos para adquirir toda a área da faixa costeira, junto com áreas livres, estradas e até a principal avenida da região.

Com um grupo de moradores da cidade à frente, a marcha de cerca de mil pessoas percorreu 5km atravessando o município e o porto até o Ministério da Navegação e de políticas da ilha.

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“Syriza, o porto é dos trabalhadores e do povo!”

O protesto ocorreu sem bandeiras de partidos, mas organizações políticas, de bairro, ecologistas e uma comissão do Sindicato de trabalhadores da marinha mercante marcaram presença. Os trabalhadores do porto não participaram e os vizinhos olhavam e comentavam entre eles das calçadas: “… agora, por mais que gritem, vão vendê-lo”, dizia uma das senhoras.

Thanasis Kantas, secretário-geral suplente do PENEN (União dos trabalhadores da marinha mercante), dizia que “durante quatro anos estivemos lutando junto com o Syriza contra as privatizações e as demissões. Thodoris Dritsas, que agora é ministro, estava sempre presente… Eu votei no Syriza, mas isto não quer dizer que agora não vamos fazer nada.”

O ministro Thodoris Dritsas, em sua intervenção no Parlamento, declarou: “ O Ministério da Navegação tem a obrigação de cumprir os compromissos firmados no primeiro e no segundo memorando, continuar com o processo de licitação para a venda de 51% das ações do OPP e depois do OLS (Organismos do Porto de Salonica), com a apresentação das ofertas das empresas para o mês de outubro. O mesmo processo licitatório inclui o diálogo social para o uso da terras e das instalações, assim como para a regulação do funcionamento do porto com base nos princípios estabelecidos nos acordos internacionais.” Os possíveis compradores que estão prontos para “dar o bote” são as empresas COSCO (China), APM (Dinamarca) e a ICTS (Filipinas).

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Apesar da confirmação desses planos, o avanço da privatização do porto não ocorrerá sem resistência das organizações sociais, profissionais e autoridades municipais, que são prejudicadas diretamente pela venda de 51% das ações. Não se trata somente do porto, mas do controle da economia do país além das terras que estão ao longo da costa, onde o município tinha o projeto de construir centros de saúde. “Uma semana antes das eleições faziam a promessa que a região ficaria fora”, disse o prefeito ao jornal A Época (11/10/2015).

Mais uma questão que fica aberta e pela qual começam a haver enfrentamentos com o novo Tsipras e que dependerá da coordenação indispensável entre todos os sindicatos dos trabalhadores do porto, com as organizações de bairro, sociais e políticas. Essa unidade é necessária para dar uma resposta contundente na luta pela defesa do porto, dos habitantes de todos os municípios que o rodeiam, dos empregos dos trabalhadores de todas as especialidades e para enfrentar a política do imperialismo e do governo, que querem entregar aos abutres das multinacionais uma das fontes de riqueza mais importantes da Grécia.

– Tirem as mãos do Porto de Pireu! Formação de um Comitê de coordenação entre sindicatos, organizações de bairro, sociais e políticas!

– Não à privatização dos portos de Pireu e Salonica!

– Nacionalização do porto sob controle dos trabalhadores!

– Abaixo os memorandos! Não pagamento da dívida externa! Ruptura com o euro e com a União Europeia!

Tradução: Ismael Feitosa