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A União Europeia (UE) é uma máquina de guerra social contra os trabalhadores e os povos europeus. É uma resposta dos principais países europeus imperialistas à hegemonia econômica dos EUA, que começou nos anos 20 e foi reforçada durante e depois da Segunda Guerra Mundial. Devido à divisão da Europa em seus diferentes estados, a Europa imperialista deixou de ser o centro de gravidade da economia mundial.

Por: Marcos Margarido e Martin Ralph

Sob a liderança indiscutível do capitalismo alemão, associado à França, os estados europeus concordaram em criar a União Europeia (UE) para superar a fragmentação de suas forças produtivas. Mas a integração europeia sob o controle do capital financeiro é baseada em um aprofundamento da divisão continental do trabalho, que aumenta as diferenças e o antagonismo entre os países.

Essa divisão do continente é feita pelos ataques dos governos e empresas à classe trabalhadora e, após a crise de 2007/2008, a divisão e os ataques se aceleraram. Para evitar a bancarrota financeira, o colapso do euro e a depressão econômica, os principais governos imperialistas europeus resgataram os bancos, saquearam os países periféricos da UE e iniciaram um assalto aos ganhos dos trabalhadores nos países da Europa central.

Na Alemanha há “mini empregos”, cortes nos benefícios sociais, aumento na idade de aposentadoria, eliminação do salário mínimo, etc. Na França, aplicação das reformas trabalhista e previdenciária e aumento da jornada de trabalho.

Na Grã-Bretanha, contratos de zero-hora, cortes de benefícios e privatização do sistema público de saúde (NHS) tornaram-se a norma.

Nos países europeus mais fracos, os orçamentos nacionais foram expropriados e ataques selvagens foram impostos com o acordo do Banco Europeu, do FMI e da Comissão Europeia.

Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda e Itália enfrentaram os ataques mais severos, onde empregos precarizados tornaram-se a norma e milhares de indústrias foram fechadas com o aumento dos níveis de desemprego. Países como a Grécia e Portugal foram efetivamente reduzidos a semicolônias do imperialismo alemão e europeu.

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UE significa integração do capital e fragmentação da classe trabalhadora

Não concordamos com os vários partidos reformistas da Europa que estão integrados no Partido da Esquerda Europeia (ELP), do qual a Left Unity (LU) na Grã-Bretanha faz parte. O ELP defende a ideia de que a UE tem um papel progressista na integração da população europeia e que o que falta é a democratização das suas estruturas institucionais.

O oposto é verdadeiro. A integração europeia em benefício dos capitais financeiros conduz inevitavelmente à gestão não democrática dos órgãos de governo da UE. A UE significa controles de imigração, crises de refugiados e ataques crescentes aos ganhos dos trabalhadores, que integram ainda mais o capital e fragmentam a classe trabalhadora.

É por isso que lutamos pela destruição da UE dos capitalistas e pela unidade da classe operária europeia na luta por uma Europa socialista. Isso significa combater os governos e capitalistas em todos os países com o objetivo estratégico de uma revolução socialista em todo o continente, como a única saída contra a austeridade, a opressão e a guerra.

O Brexit não beneficia os trabalhadores

O Brexit não tem como objetivo beneficiar os trabalhadores, mas sim fortalecer um setor do capitalismo britânico que está perdendo terreno para o imperialismo alemão. Isso não significa a melhoria dos padrões de vida da classe trabalhadora, mas o oposto.

Brexit e austeridade andam de mãos dadas. A privatização do NHS será acelerada, os controles de imigração crescerão, os salários diminuirão e mais direitos desaparecerão.

A classe trabalhadora não pode esperar nada de bom do capitalismo britânico e de seus governos. Eles fornecem inúmeros exemplos de sua disposição para explorar cada vez mais a classe trabalhadora – na Grã-Bretanha e no exterior – desde antes da revolução industrial no século XVIII.

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Não concordamos com os partidos de esquerda da Grã-Bretanha, como o SP (seção do CIO) ou o SWP, que depositam todas as suas esperanças – e que é sua principal política – em um futuro governo trabalhista sob a liderança de Corbyn.

Eles dizem que Corbyn iria negociar um “Brexit socialista” (o que quer que isso signifique!) com os governantes da UE, como se o socialismo pudesse ser negociado com o imperialismo, inglês ou europeu.

A única maneira de sair da UE para o bem da classe trabalhadora é unindo toda a classe trabalhadora europeia para destruir a UE e derrotar o capitalismo europeu. Corbyn não fará isso, ele será forçado a continuar a se comprometer com o capital industrial e financeiro britânicos.

Como socialistas revolucionários, defendemos a destruição da União Europeia imperialista. Somente um governo operário baseado em organizações da classe trabalhadora pode realizar essas demandas. Sem isso, o Brexit favorece apenas os capitalistas britânicos “soberanistas”.

É necessário um programa para unir os trabalhadores europeus nesta luta. O esboço de tal programa é:

  • Estatização dos setores estratégicos da indústria e do capital financeiro, sob controle dos trabalhadores.
  • Pelo monopólio do comércio exterior e planejamento centralizado da economia.
  • Não à privatização do NHS ou do patrimônio público dos países europeus.
  • Acabar com a austeridade, não às reformas previdenciárias e trabalhistas, por um salário mínimo vital de pelo menos de £10,00 por hora.
  • Não aos controles de imigração, igualdade de direitos para trabalhadores locais e estrangeiros.
  • Contra toda a opressão, diga não ao machismo, ao racismo, à xenofobia e à LGBTI-fobia
  • Contra qualquer controle aduaneiro na Irlanda do Norte. Grã-Bretanha, fora da Irlanda do Norte! Pela reunificação da Irlanda.
  • Pela livre associação dos Estados Unidos Socialistas da Europa.
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Tradução: Marcos Margarido