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Um dia após mais uma Greve Geral na França, que levou 1,8 milhão de pessoas às ruas na terça-feira (17), duas novas rodadas de negociações acontecem entre o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, e líderes sindicais, nesta quarta-feira (18) e quinta-feira (19).

Por: CSP Conlutas

A greve desta terça marcou o décimo terceiro dia consecutivo de mobilizações após a Greve Geral de 5 de dezembro contra a reforma da Previdência do governo de Emmanuel Macron. Foi convocada pelas Centrais sindicais e por todos os principais sindicatos franceses.

A polícia reprimiu os manifestantes e disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto no centro de Paris. As cidades de Lyon, Toulose, Bordeaux, Lille e Marselha também tiveram grandes manifestações.

A CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho), que já havia apoiado o governo francês em diversas ocasiões, aderiu na última semana às mobilizações e a essa última greve geral em conjunto com as outras centrais sindicais. Segundo a RFI (Rádio França Internacional), a CFDT afirmou que a proposta de reforma da Previdência de Macron havia “cruzado a linha”. As centrais sindicais já anunciaram que deve ocorrer outra manifestação nesta quinta-feira (19).

Trabalhadores dos transportes, principalmente ferroviários e metroviários, profissionais da educação e saúde, funcionários públicos, advogados, entre outros, estão entre os setores que serão mais afetados pelo sistema universal de pensões, apresentado pelo governo, que acaba com especificidades das categorias.

O jornal diário Liberación defende que o governo volte atrás no aumento de idade para as aposentadorias dos 62 para os 64 anos, seja mais flexível com os trabalhadores do setor ferroviário e proteja os professores para que suas pensões permaneçam intactas. O editor-chefe do Libération, Laurent Joffrin, avalia: “Sem essas concessões necessárias, o governo terá que assumir a perigosa degradação das relações sociais na França”.

A mobilização ganhou força após a renúncia do alto comissário para a Previdência da França, Jean-Paul Delevoye, por manter 13 contratos como consultor, acumulando cargos incompatíveis com um posto no governo o que implica em conflito de interesses com o setor das seguradoras.

Nara Cladera, professora e dirigente da União Sindical Solidaires, acredita que o movimento vive momentos decisivos às vésperas das festas de final de ano.

“O governo tentará enfraquecer o movimento por causa do Natal e Ano Novo, com forte pressão, mas, ao mesmo tempo, os trabalhadores estão dispostos a continuar a luta até o governo recuar”, disse.

Além disso, o novo responsável pela reforma do governo, Laurent Pietraszewski, indicado após a saída de Delevoye, tem em seu currículo 27 anos trabalhados no grupo de distribuição Auchan, de onde pediu demissão para assumir o novo cargo.

“Ele recebeu 71.000 € do grupo Auchan de onde trabalhava. A relação do governo com o mundo das finanças e multinacionais é incestuosa”, denuncia Nara, refletindo a rejeição de segmentos importantes do movimento ao novo indicado.