COMPARTILHAR

Nesta quinta-feira (9), na França, manifestantes tomaram as ruas em diversas cidades. Os massivos protestos neste dia de mobilização nacional contra a reforma da previdência foram marcados por resistência contra ao governo intransigente de Macron e a violência policial contra a população em protesto.

Por: CSP Conlutas

Segundo informe divulgado pela central sindical francesa Solidaires, centenas de assembleias foram realizadas para organizar o dia. Em Paris, 370 mil pessoas participaram dos atos. Em Orléans foram 9 mil às ruas, 30 mil em Rouen, 15 mil em Caen, 120 mil em Toulouse e outras centenas de milhares em outros locais como Angoulême, Grenoble, Perpignan, Tours, Marselha e Lille.

No total, estima-se, segundo informações das Centrais Sindicais, que 1,2 milhão de pessoas protestaram nesse dia de greve geral.

Repressão – A Solidaires denuncia, em seu informe, “a violência policial ocorrida em diversas manifestações, como por exemplo em Nantes, Rouen, Bordeaux ou Chalon sur Saône, em cujos locais foram resgatados feridos graves por espancamentos com cassetetes e gás lacrimogêneo”.

Nas redes sociais, foram compartilhados vídeos da dura repressão policial em Paris. Segundo a prefeitura de Paris, 20 manifestantes ficaram feridos durante a manifestação. Em Rouen, dois manifestantes também ficaram feridos. Um deles, um aposentado de 61 anos. Ocorreram ainda 16 prisões em Paris, sendo que, dentre estes, dois são jornalistas.

Ânimo de luta – O período recente na França tem sido socialmente agitado. Desde dezembro do ano passado, ocorrem com regularidade assembleias de diversas categorias e manifestações contrárias à reforma previdenciária proposta por Macron. Há 36 dias, segue firme a greve dos trabalhadores do transporte ferroviário, causando impactos importantes no setor.

Leia também:  Mais uma vez...o que estão discutindo na UE?

Agora, o movimento, que não tem demonstrado qualquer satisfação com as tentativas de negociação entre governo e sindicatos, pretende ampliar a greve para outros segmentos como a educação e saúde, além de organizar paralisações em refinarias, locais estrategicamente importantes para a luta.

A Solidaires, bem como outras centrais e entidades como CGT, FO, CFE-CGC, FSU, UNEF e UNL exigem a retirada total do projeto de reforma e se colocam contrárias a qualquer negociação declarada como “construtiva”, com o objetivo de “‘melhorar’ o regime atual”.

“Nossa luta é justa: para que cada qual tenha o seu direito de acesso à saúde, além de uma aposentadoria digna, que nem a reforma anunciada nem a a pensão mínima de 1.000 euros, tão elogiada, nos asseguram”, afirma a Solidaires em nota. Para a central, o dia de greve representa “forte sinal para continuar a luta pela retirada total da reforma, e a partir de amanhã, 10 de janeiro, manter a greve, além de, neste sábado [11], realizar mais manifestações nas cidades”, avalia.

A atual greve nos transportes já causou impacto econômico, com a perda de 600 milhões de euros em vendas de passagem. Além disso, um ano após o levante dos Coletes Amarelos, a insatisfação popular deve gerar ainda mais desgaste político ao governo, uma vez que pesquisas apontam que 55% da população são contra a reforma de Macron.