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Na França, a luta contra a reforma da previdência não cessa. Com o setor de transportes paralisado há 35 dias e o terceiro dia de greve geral se aproximando, uma nova mesa de negociações foi realizada nesta terça-feira (7), sem qualquer avanço entre o governo de Macron e os sindicatos.

Por: CSP Conlutas

A reforma previdenciária universaliza seu modelo e elimina 42 regimes de aposentadoria, além de aumentar a idade mínima de 62 para 64 anos. Até mesmo os sindicatos alinhados à patronal se colocaram resistentes à proposta do governo, sobretudo em relação ao aumento da idade.

Para pressionar o governo no dia de negociação, os petroleiros bloquearam acesso a diversas refinarias com o objetivo de impedir o transporte de combustível aos postos de gasolina.

Os sindicatos mais combativos, dentre eles a União Sindical Solidaires, não se colocam à disposição para negociar e exigem retirada completa do projeto.

Firmes na luta – No primeiro dia de manifestações, em 5 de dezembro do ano passado, quase um milhão de pessoas tomaram as ruas em toda a França para protestar contra a reforma.

Já foram realizadas 3 dias de greve geral e há 35 dias permanece firme a greve de trabalhadores no setor de transporte público. A perspectiva é de que a mobilização ganhe mais peso nesta quinta-feira (9), com um novo dia de luta e paralisação nacional no país.

Algo semelhante ocorreu apenas na década de 1980, quando ferroviários franceses paralisaram em protesto contra uma proposta de reforma previdenciária. Foram 28 dias de greve.

A atual greve nos transportes já causou impacto econômico, com a perda de 600 milhões de euros em vendas de passagem. Além disso, um ano após o levante dos Coletes Amarelos, a insatisfação popular deve gerar ainda mais desgaste político ao governo, uma vez que pesquisas apontam que 55% da população são contra a reforma de Macron.

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