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A luta das/os aposentadas/os e pensionistas na Espanha desequilibrou o jogo, e o governo e a oposição foram forçados a tomar atitudes. Será que eles querem realmente fazer alguma coisa? Ou pretendem utilizar a enésima manobra para tirar as/os aposentadas/os e pensionistas das ruas, para que deixem de ser o canalizador do descontentamento social?

Por: Ángel Luis Parras

A situação exige muita atenção, tanto da parte das Coordenadorias e das Mareas das/os Aposentadas/os e Pensionistas, organizações criadas na luta, como das/os milhares de ativistas desse imenso movimento.

O governo, a oposição e a burocracia da CCOO-UGT [Comissões Operárias-União Geral dos Trabalhadores] estão empenhados em “negociar” no âmbito da comissão do Pacto de Toledo, ou seja, aqueles que causaram o problema querem negociar com base no respeito à origem do problema.

Eles querem limitar essa luta ao aumento das aposentadorias e pensões de acordo com o IPC. Mas na rua estamos exigindo  pensões dignas, nenhuma abaixo dos 1.084 euros e correção automática. Dissociar essas duas reivindicações é uma provocação. Mais de 2,5 milhões de aposentadas/os e  pensionistas recebem menos de 600 euros e outros mais de 3 milhões não chegam aos 800 euros. Aumentar essas pensões miseráveis em 1,5% (entre 9 e 12 euros) resolveria o problema?

Oferecer como “solução” que as pensões contributivas sejam financiadas pela Seguridade Social e as não contributivas fiquem a cargo dos Orçamentos Gerais do Estado é um absurdo, porque é a mesma proposta do Pacto de Toledo[1], não existe nenhuma novidade.

As Coordenadoras e as Marés foram categóricas: NÃO AO PACTO DE TOLEDO, PENSÕES A CARGO DOS ORÇAMENTOS GERAIS DO ESTADO. Devemos nos manter firmes nessas reivindicações. Não faz sentido rejeitar o Pacto de Toledo e depois pedir para entrar na negociação da Comissão do dito Pacto.

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É bom lembrar da famosa frase atribuída a Plutarco: “Os Deuses cegam aqueles que querem perder”. E os Deuses do Pacto de Toledo estão empenhados em cegar esse movimento, fazendo seus dirigentes sucumbirem aos tapetes do Parlamento e à “fama” das câmeras de televisão. Vamos todas/os trabalhar para impedir isso.

[1] Mais informações no link: https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/estado-espanhol/as-pensoes-de-um-direito-a-um-negocio/

Tradução: Rosangela Botelho