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RECUPERAR O ESPÍRITO DE 1-O

Com a aproximação do dia 11 de setembro[1], a tensão política continua crescendo. O Partido Cidadãos ou da Cidadania (Cs), com Rivera na frente, em uma competição irresponsável com o Partido Popular (PP), está mobilizando grupos de pessoas com os rostos cobertos e armados com paus para tirar os laços amarelos[2] e convocou uma manifestação onde agrediu um jornalista e exibe símbolos nazistas, enquanto gritam viva o rei, a Guarda Civil e a unidade forçada da Espanha. O PP e Cs exigem de Sanchez mão dura contra a Generalitat e que volte a aplicar o artigo 155.

Por: Corriente Roja

Nesta situação, o governo de Sánchez mostra covardia e impotência. Não enfrenta o Cs e PP. Ele fala de diálogo com a Generalitat, mas não se atreve sequer a exigir dos promotores que retirem as acusações de rebelião contra ex-consellers (vereadores) presos, quando todo mundo sabe que não são verdadeiras.

Incapaz de lidar com as pressões do aparelho judicial, financia com dinheiro público os litígios privados de Llarena na Bélgica. Ratifica-se que nunca negociará um plebiscito sobre a autodeterminação e não esconde o fato de que reaplicaria o artigo 155 se a Generalitat segue o caminho unilateral. Na questão catalã, como na questão econômica e social, o governo Sánchez não vai além das mudanças cosméticas.

Por sua parte, o presidente Torra, de acordo com Puigdemont, esquenta o discurso, anunciou que não iria aceitar o julgamento do Supremo contra ex-consellers e que, se Sanchez não pacta um referendo de autodeterminação, abrirá a via unilateral. Mas não podemos esquecer que a direção independentista, depois de 01 de outubro, quando tinha as melhores condições para fazê-lo, não proclamou a república catalã nem chamou a mobilização para defendê-lo. A ex-conselheira de educação Ponsatí foi muito clara quando reconheceu que “jogávamos pôquer e estávamos blefando”. No momento da verdade, eles entregaram as instituições sem resistência e aceitaram as eleições do 155.

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Com esses antecedentes, ninguém sabe o alcance da iniciativa do presidente Torra e são poucos os que veem uma manobra para pressionar o governo Sanchez com os próximos julgamentos. Também não sabemos o que ele quer dizer quando declara que não vai aceitar os sentenças do Supremo Tribunal: está disposto a libertar os presos políticos, agora que eles estão em prisões catalães e sob a tutela da Generalitat? Todo mundo sabe que, por outro lado, que em todos esses movimentos, há um conflito encravado com a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) pela hegemonia do movimento de independência.

Do ponto de vista da classe trabalhadora, não temos nada a ganhar e muito a perder, apoiando a unidade espanhola forçada e as forças reacionárias que a defendem, cada vez mais alinhados com ultradireita europeia.

Chamamos aos setores mais conscientes da classe operária e da juventude para continuar no caminho que abrimos 1-O e 3 de Outubro com a greve geral: enfrentando a repressão do Estado contra o independentismo e defendendo como os primeiros o direito soberano da Catalunha para decidir. Temos que fazer porque queremos uma união livre e não forçada, uma união das repúblicas construída com o resto dos povos do estado, libertos da monarquia herdeira do franquismo.

Alguns dirão que retomar a luta pelo plebiscito e pelo direito de decidir é voltar atrás e que já tivemos o 1-O. Mas, para além dos desejos e diante da traição da direção independentista de Puigdemont e Junqueras, que invalidou os resultados do plebiscito de 1-0 legitimando as eleições em 21 de dezembro, agora é reconstruir uma maioria para o direito à autodeterminação. Cabe aos setores mais conscientes da classe trabalhadora encabeçar esta luta necessária que vai encontrar a oposição da burocracia sindical da Confederação sindical de Comissões Operárias (CCOO) e União Geral dos Trabalhadores (UGT).

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Ao mesmo tempo, devemos exigir do Parlamento da Catalunha que aplique soberanamente e sem demora as leis sociais perseguidas por Rajoy e suspensas pela Constituição e que aprove as exigências básicas dos trabalhadores, como por exemplo, a revogação das reformas trabalhistas do PP e de Zapatero, um salário mínimo interprofissional obrigatório de € 1100, uma pensão mínima de € 1080, conforme exigido pela Marea Pensionista, ou a proibição de despejos por razões sociais. Nesta batalha, encontraremos o PP e C’s, e também o governo de Sánchez e o governo de Torra.

[1] Data em que  se comemora a resistência catalã durante o Cerco de Barcelona, terminado a 11 de setembro de 1714. (ndt)

[2] Os laços amarelos simboliza a reivindicação pela liberação dos dirigentes independentistas que estão na prisão. (ndt)

Tradução: Lena Souza