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O Partido Operário de Unificação Marxista (POUM) foi fundado em 1935 pela fusão da ICE (ex-trotskistas) e o BOC (divisão catalã do Partido Comunista Espanhol-PCE). Seus principais dirigentes eram Joaquín Maurín e Andreu Nin, que havia sido secretário-geral da Confederação Nacional do trabalho (CNT) e colaborador de Trotsky em Moscou. Apesar do balanço do partido que apresentamos abaixo, cabe destacar sua denúncia da repressão stalinista e que boa parte de sua militância formou, com setores de base da CNT, os melhores batalhões da Revolução de 1936.

Juan P.

Apesar de criticá-lo, o POUM coloca sua assinatura no acordo de formação da Frente Popular (FP), uma coalizão da esquerda operária com a burguesia “progressista”. O partido justifica o lançamento de uma coalizão com uma parte da classe inimiga, com um programa que não questionava o capitalismo e a exploração, como uma “tática eleitoral” para não ficar “isolados” da forte corrente de simpatia que levantava a Frente Popular.

No entanto, para alcançar a unidade na ação com as forças operárias, ou mesmo para pedir um voto para a FP e obter a liberdade dos presos políticos, não era necessário se comprometer assumindo como próprias as políticas do recém-eleito governo burguês-republicano da FP.

O momento decisivo

Em julho de 1936, os generais deram o golpe e, em resposta, as massas operárias desencadearam a Revolução Social. As instituições republicanas, totalmente inativas para enfrentar os fascistas, são varridas e os partidos e sindicatos operários dominam a zona antifascista. Os patrões fogem e a classe operária começa a administrar as empresas, a polícia e o exército se dissolvem e as milícias operárias se armam.

O governo da FP, com o acordo de burgueses republicanos e stalinistas, luta contra a Revolução. Eles buscam acabar com as milícias e o controle operário, restaurando a propriedade burguesa e à polícia e o exército. Os dirigentes da CNT, como Federica Montseny e García Oliver, renegam sua ideologia anarquista e se juntam ao governo como ministros. Buenaventura Durruti, defende e amplia a Revolução Social com sua coluna de milícias. Duas semanas depois de ameaçar o governo da FP em um discurso transmitido pelo rádio, ele morre na frente de batalha em circunstâncias estranhas.

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Em julho de 1936, o POUM conta com cerca de 8.000 militantes. No final desse mesmo ano, chegaria a 40.000. Apesar de ser uma força minoritária, era uma força real, capaz de ter liderado a Revolução na condição de ter uma política ousada. No entanto, prisioneiro de seu centrismo endêmica, o POUM faz saudações à Revolução, enquanto na ação faz parte da FP,  com Andreu Nin chegando a ser ministro da Justiça da Generalitat.

Maio de 1937

Nas batalhas de maio de 1937, o confronto final entre revolução e contrarrevolução ocorreu na zona antifascista. O governo da FP tenta assumir o controle das comunicações para as forças operárias, ocupando o edifício da Telefônica em Barcelona. A classe trabalhadora volta a encher a cidade de barricadas e a militância da CNT e do POUM dominam a situação. O agrupamento de “Os amigos de Durruti” saúda os irmãos do POUM com quem compartilham uma nova batalha, e o pequeno grupo trotskista presente chama para formar um novo governo revolucionário.

Infelizmente, a direção do POUM, seguindo a direção da CNT, chama a desmontar as barricadas e a voltar a confiar na FP. O POUM não se atreve a romper com a FP, e sim tenta infelizmente convencer o governo a entrar no caminho da revolução, enquanto desmobilizam sua própria base no meio da batalha. Prisioneiros da desorientação e a falta de uma alternativa de poder, as barricadas vão se dissolvendo e a FP recupera o controle.

Uma vez que o impulso revolucionário foi abafado com a colaboração do POUM, os stalinistas da FP esmagam a Revolução e ao próprio POUM, que é ilegalizado sob a acusação absurda de “fascista”. Andreu Nin é sequestrado e torturado até a morte, e milhares de anarquistas, poumistas e trotskistas são executados ou presos. É o fim trágico do centrismo do POUM.

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Tradução: Lena Souza