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A decisão do juiz Llareda de decretar a prisão incondicional e sem fiança de Jordi Turull e outros três ex conselheiros e a ex presidenta do Parlamento, a prisão na Alemanha de Carlos Puigdemont e consequentemente o pedido de extradição, a busca de refúgio na Suíça da Secretaria Geral da ERC (Esquerda Republicana Catalã), Marta Rovira… colocou o ex Governo da Catalunha e boa parte da direção independentista na prisão e no exílio.

Por: CO.BAS

Como era de se esperar, Rajoy, os “ciudadanos” da IBEX 35 (Bolsa de Valores) e toda a imprensa, festejaram o ocorrido. Para os fanáticos defensores da Lei Mordaça, do 155[1], ou para os defensores da “prisão perpétua revisável[2], a força sempre foi seu um instrumento “político” preferido.

Mas para nós trabalhadores/as esta situação deve causar indignação porque demonstra, mais uma vez, como a balança da justiça pende para o lado da repressão sem o menor pudor. Vivemos em um país com um regime herdeiro do franquismo e os políticos, juízes, militares e comentaristas… que são herdeiros de um golpe militar sanguinário, os que apoiam política e moralmente as mazelas desse regime, aqueles que 80 anos depois continuam negando-se a abrir as fossas comuns[3] e as valas onde foram enterrados os/as assassinados/as pelo golpe militar… continuam tranquilos e disfarçados de “democratas” que julgam e condenam.

Aqueles que saqueiam o Estado, ficam livres ou se são presos saem rapidinho depois de pagar uma fiança, já para outros são ditadas penas que não são menores do que 10 a 25 anos.

Não temos acordo, por diferentes razões, com a atuação do ex Governo Catalão e da direção independentista. Consideramos que eles são os responsáveis por uma situação que frustrou à todos/as  que defendemos o direito a decidir, e que não os livrou da prisão e abriu caminho para que Rajoy e o antro reacionário reabastecesse o nacionalismo espanhol e incentivasse este ataque vergonhoso às liberdades democráticas.

Qualquer que seja a crítica política que os/as dirigentes independentistas merecem, independentemente da opinião que se tenha, a favor ou contra a independência da Catalunha, não é possível apoiar, de nenhuma forma, a atuação de um governo e uma justiça franquista.

Ante às crescentes manifestações de mulheres, dos/as aposentados/as, dos/as trabalhadores/as, estudantes, etc, o Governo, a Monarquia e todo seu aparato judicial apostaram pela via da violência.

Nós, que estamos indo às ruas para defender a aposentadoria pública, a igualdade diante da discriminação sofrida pelas mulheres, contra a violência machista, para defender os postos de trabalho e os direitos, não podemos ocultar este problema da Catalunha, porque é uma questão democrática que atinge todas e todos.

Não importa se são os Jordis, se são cantores de Rap como Valtonyc ou Strawberry, se é o escritor do livro Farinha[4]…, independente de qualquer opinião, a receita de Rajoy e sua corja de ciudadana é o cassetete e uma enorme Mordaça para acabar com os protestos sociais, seja pelo direito a decidir ou por uma aposentadoria digna.

Por isso nós de CO.BAS dizemos: Chega de cassetetes e mordaças!
Exigimos a retirada do Artigo 155, a revogação da Lei Mordaça, liberdade para todos/as presos/as políticos e a retirada dos processos judiciais.

[1] Artigo 155 da Constituição autoriza o governo central, em Madri, a dissolver o Parlamento regional, destituir o líder catalão Carles Puigdemont, convocar novas eleições e até a cancelar a autonomia administrativa da Catalunha, ndt.

[2] https://oglobo.globo.com/mundo/novo-codigo-penal-espanhol-vai-punir-divulgacao-de-imagens-intimas-6371428

[3] https://www.eldiario.es/sociedad/muestra-Espana-abandona-victimas-franquismo_0_417858516.html

[4] https://www.elespanol.com/cultura/libros/20180220/jueza-ordena-secuestro-libro-farina-narcotrafico-gallego/286472589_0.html

Tradução: Luana Bonfante