COMPARTILHAR

Abaixo há uma breve história da batalha de Koregaon Bhima, que irá ajudá-lo a entender a questão.

Por: Niteen Sampat Ghodke

A batalha de Koregaon foi travada entre a Companhia Britânica das Índias Orientais e o exército do Peshwa[1] em Koregaon Bhima, em 1 de janeiro de 1818.

Segundo a história, cerca de 500 soldados da etnia mahar da Companhia das Índias Orientais entraram em confronto com um exército de 25 mil soldados do Peshwa Bajirao II.

Os mahars, neste momento, eram considerados uma comunidade intocável[2] e não eram recrutados pelo exército dos peshwas.

Apesar disso, de acordo com a versão dos dalits[3] da batalha de Koregaon Bhima, os mahars se aproximaram do Peshwa Bajirao II para juntar-se ao seu exército contra os britânicos. Sua oferta foi recusada. Foi quando os mahars aproximaram-se dos britânicos, que os receberam em seu exército.

A Batalha de Koregaon terminou com a vitória dos soldados mahars do exército britânico derrotando o Peshwa. A vitória não foi apenas de uma batalha para os mahars, mas também contra a discriminação baseada em castas e a própria opressão.

Em 1851, os britânicos ergueram um obelisco em Koregaon Bhima para honrar os soldados – principalmente mahars – mortos na batalha.

Em 1º de janeiro de 1927, o Dr. Buhrao Ambedkar iniciou o ritual de realizar uma comemoração no local do obelisco, que é repetida todos os anos.

Os atos de violência

Entretanto, os dalits de Maharashtra[4] organizaram uma comemoração do 200º aniversário da batalha de Bhima Koregaon em 1º de janeiro deste ano, que simboliza a vitória dos mahars sobre os Peshwas de castas superiores. Todos os anos, cerca de 100 mil dalits se reúnem em Bhima Koregaon, mas neste ano de celebração do 200º aniversário, mais de 500 mil pessoas se reuniram, e ativistas de direita atacaram os participantes do evento.

Leia também:  Chamado Internacional pela Libertação dos Prisioneiros Políticos da Federação Nacional de Estudantes de Jammu Caxemira (JKNSF)

Uma pessoa foi morta, sete foram feridas, incluindo quatro policiais, e mais de 200 ônibus e 100 carros danificados devido aos ataques em Pune e Mumbai pelos grupos de direita.

No dia seguinte, uma greve geral no estado de Maharashtra ocorria, depois que um chamado foi feito por líderes Dalit para protestar contra a violência que percorreu o estado.

A polícia de Pune abriu um processo contra Milind Ekbote e Sambhaji Bhide, fundadores dos grupos de direita Hindu Ekta Aghadi e Shivraj Pratishthan Hindustan, respectivamente, juntamente com outros conforme a Lei de Prevenção de Atrocididades SC/ST, a Lei das Armas, a Seção 307 (tentativa de assassinato) do Código Pena Indiano e organização de tumultos. Os membros dessas organizações Hindutva[5] foram, sem dúvida, os precursores da recente violência contra os dalits no estado.

Violência planejada?  O papel de Milind Ekbote e Sambhaji Bhide

Três dias antes do aniversário de Bhima Koregaon, em 29 de dezembro, Ekbote e Bhide, juntamente com os membros de seus grupos, violaram o túmulo sagrado de Govind Gaikwad, considerado um santo pelos dalits, na vila de Wadhu, no distrito de Pune.

Depois disso, enquanto as celebrações em Bhima Koregaon estavam ocorrendo, grupos Hindutva organizaram uma procissão na aldeia causando confrontos violentos. Mais tarde, grupos de direita criaram tumultos em algumas partes do estado.

Esta não é a primeira vez que a dupla Ekbote-Bhide é acusada de organizar tumultos de cunho Hindutva. O jornal Mumbai Mirror relatou que Milind Ekbote, de 56 anos, ex-membro do BJP[6] de Pune é conhecido por suas atividades comunitárias. Sua organização, Hindu Ekta Aghadi, esteve na vanguarda dos protestos contra o Dia dos Namorados no estado.

Leia também:  Chamado Internacional pela Libertação dos Prisioneiros Políticos da Federação Nacional de Estudantes de Jammu Caxemira (JKNSF)

Sambhaji Bhide, 85, anteriormente um líder da RSS[7], fundou sua própria organização, Shivraj Pratishthan Hindustan, na década de 1980. O primeiro-ministro Narendra Modi chamou Bhide de seu “guru” ao fazer campanha para as eleições gerais de 2014.

Prakash Ambedkar, líder do partido Bharipa Bahujan Mahasangh (BBM), disse que o governo de Maharashtra “falhou” no controle da violência.

Até agora, o Ministro de Estado para a Justiça Social, Ramdas Athawale, exigiu proteção policial para os dalits na sequência da violência.

Enquanto isso, o Ministro Chefe de Maharashtra, Devendra Fadnavis, abriu um inquérito e pediu às pessoas que “não acreditassem em rumores”.

O primeiro-ministro da Índia está em silêncio sobre o incidente.

Razões para a violência

  1. Desde os últimos 100 anos, tanto os comunistas quanto os Ambedkarites[8] na Índia lutam contra esses grupos Hindutva separadamente. Os grupos Hindutva acreditam no sistema baseado em castas e a casta é a raiz da discriminação e tumultos.

Agora, nos últimos 3 anos, os comunistas e os Ambarkarites lutam juntos contra os Manuvadi (grupos Hindutva). Por isso, o poder da luta aumenta, o que torna esses grupos Hindutva deprimidos e criadores de mais violência.

  1. Na Índia, há uma onda em que todos os esquerdistas, Ambedkarites, Purogamis (os que acreditam nos ensinamentos de Fule, Shahu, Ambedkar) e partidos de oposição que acreditam na Constituição se juntam contra o partido no poder, o BJP e seu grupo RSS. Eles querem quebrar essa unidade através da luta contra o povo dividido em castas.

Niteen Sampat Ghodke

09657009509

Presidente

Brigade de Akhil Bhartiy Rashtraseva…

Tradução: Marcos Margarido

Notas:

Neste artigo, os mahar e dalits são budistas, todos eles fazem parte do movimento dos ambedkarites na Índia.

Leia também:  Chamado Internacional pela Libertação dos Prisioneiros Políticos da Federação Nacional de Estudantes de Jammu Caxemira (JKNSF)

[1] Peshwa era um cargo político, similar a um primeiro-ministro.

[2] Os intocáveis faziam parte da casta inferior da Índia.

[3] Os Dalits também eram considerados intocáveis.

[4] Maharashtra é um estado da Índia.

[5] Hindutva é uma ideologia nacionalista de direita.

[6] BJP – Partido do Povo Indiano, é um dos dois maiores partidos da Índia.

[7] RSS – Rashtriya Swayamsevak Sangh (Organização Patriótica Nacional), é uma organização paramilitar nacionalista de direita.

[8] Referência ao Partido Ambedkarite da Índia, cuja base social são os dalits.