COMPARTILHAR

A crise venezuelana está inflamada. E essa situação repercute em toda a região.

Como diz a declaração de nossos companheiros da UST da Venezuela: “Há uma ingerência imperialista na Venezuela, com a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino da República em 23 de janeiro do ano em curso. Isto foi concertado previamente com Donald Trump, que logo reconheceu e respaldou o ‘Presidente Encarregado’”. E agora, numa nova escalada de medidas o governo de Trump anuncia o bloqueio de contas da petroleira estatal nos EUA.

Por: Víctor Quiroga

De início Macri, Bolsonaro, Duque da Colômbia, o chamado “Grupo de Lima”, reconheceram Guaidó como Presidente Encarregado desconhecendo Nicolás Maduro.

As bravatas de Trump, chegam a afirmar que “não descarta uma intervenção militar”. Nada disto podemos apoiar como militantes socialistas, declaramos que estaríamos contra qualquer intervenção militar contra a Venezuela ou de qualquer outra tentativa de golpe militar, dizem corretamente os companheiros.

Nem Trump, nem Macri nem Bolsonaro deveriam abrir o bico. Macri vem atacando toda a classe trabalhadora, reprimindo brutalmente as lutas, mantendo presos políticos como Daniel Ruiz e uma longa lista de assassinatos e “gatilho fácil”, do que deverá prestar contas. Sem falar de Trump, Chefe do imperialismo a nível mundial, que respalda a nobreza assassina saudita, à qual rendeu honras em nosso solo durante o G20. Apoiaram todo tipo de ditadura militar que existiu na América Latina e no mundo. De qual democracia eles podem falar? Urtubey, Pichetto, Massa e outros peronistas uniram-se ao coro da “defesa da democracia” na Venezuela. Não quiseram deixar Macri sozinho.

O governo de Maduro: produziu uma catástrofe econômica e social

Denunciar a ingerência imperialista e de seus governos lacaios, não pode ocultar que o principal responsável da situação venezuelana é Maduro. Diz a UST: “reivindicamos o legítimo direito dos trabalhadores e do povo venezuelano de protestar, manifestar-se e ir para as ruas contra um governo que os mata de fome, que os mata por falta de remédios, que os afunda na mais profunda crise que se conhece na história recente do país e que mantém na mais deplorável destruição os serviços de saúde, educação, transporte, telecomunicações etc. Repudiamos e denunciamos a ação repressiva do governo (…)”.

Persegue opositores e mantém presos dirigentes sindicais como é o caso dos da Ferrominera. Já são cerca de 30 mortos e 800 presos pelas manifestações que se sucedem diariamente. Acabam com as convenções coletivas. Hoje o salário mínimo está por volta de 6 dólares…O desespero levou a uma grande migração para a Colômbia, Peru, Brasil, Equador, Chile e Argentina.

Leia também:  Venezuela | Ante os acordos do governo de Maduro com um setor da oposição patronal

 “Todas estas são as causas da brutal crise que hoje os venezuelanos padecemos e esta é total responsabilidade do governo, por tudo isto é que insistimos que este governo deve ir embora. Declaramos categóricamente, Fora Maduro! (Declaração da UST 25/1/2019)”..

Por uma alternativa independente dos trabalhadores e setores populares

A esquerda em geral repudiou a ingerência norte-americana e a de seus lacaios. Mas a maioria cala sobre a responsabilidade do governo chavista, justificando o ataque aos trabalhadores pelo “bloqueio econômico”, e para não “fazer o jogo da direita”. Outras organizações que responsabilizam Maduro pela catástrofe, não propõem fora Maduro como a única forma de impor um “Plano operário”. Acreditamos que são duas posições equivocadas.

Está evidente que nenhuma solução virá da intervenção ianque, dos governos burgueses imperialistas da Europa e seus lacaios e, seu figurão Guaidó. Estes estão aproveitando a raiva e querem levar tudo para as negociações e para a “transição democrática”. Como Maduro, eles têm pânico de que sejam os trabalhadores que derrubem o governo. Por isso não defendem aumento de salários, acordos coletivos, defesa das empresas, etc.

Mas não há na Venezuela hoje nenhuma possibilidade de fechar a passagem à direita e ao imperialismo através do governo de Maduro. Este, a cúpula militar e a boliburguesia estão comprometidos com os negócios das empresas mistas, com as multinacionais do petróleo e de minerais do “Arco Mineiro do Orinoco” (Ouro, diamantes, coltan, lítio, etc), dificilmente rompem com seus sócios.

Além disso, são odiados pelas massas e pelos trabalhadores por mais vídeos que mostrem de mobilizações. Estes não sairão a defendê-los nem enfrentarão o imperialismo junto a Maduro.

Somente impulsionando a organização independente dos trabalhadores para expulsar Maduro e seu governo ajustador podemos lutar para impor um Plano Operário oposto ao do imperialismo, Guaidó e a oposição de direita. Ao contrario do que diz a “esquerda chavista” há que organizar cada bairro, cada fábrica, cada Universidade para impulsionar a mobilização e derrotar Maduro, enfrentar a direita e o imperialismo.

Leia também:  Venezuela | uma mudança na organização das lutas dos petroleiros?

Um plano operário para a Venezuela

Um Plano Operário deve apresentar a resolução das necessidades mais sentidas: alimentos, remédios, salários. Deveria contemplar algumas medidas como: suspender imediatamente o pagamento da dívida externa e seus juros. Imediata importação de remédios, leite em pó, manteiga, farinha, etc. É preciso expropriar as multinacionais petroleiras, alimentícias e medicinais e colocá-las para produzir sob a direção e controle dos trabalhadores, etc.

Tradução: Lilian Enck