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A juventude pobre e trabalhadora é o setor mais explorado e golpeado no capitalismo. Nos submetem ao desemprego, a trabalhos terceirizados, precários e extenuantes.

Por: Federico

Essa situação é ainda pior quando se trata de mulheres jovens, que além de sofrerem uma maior exploração e desemprego, sofrem o assédio, a violação dos direitos por maternidade e a violência machista no ambiente de trabalho. Nós jovens sofremos também a deterioração do ensino público, a violência policial nos bairros populares e nos eventos artísticos e esportivos.

O desemprego, os baixos salários, o alto preço dos aluguéis e o custo de vida fazem com que seja extremamente difícil não apenas conseguir a independência, como ter uma perspectiva de futuro em nossas vidas. A miséria social que se vê nos bairros agride especialmente a juventude, principalmente a mais pobre.

Na tão valorizada “democracia uruguaia” elogiada pela burguesia local e estrangeira, os jovens não temos direito nem sequer a um trabalho digno nem à educação. É uma “democracia” que não oferece nenhuma perspectiva para a juventude.

Jovens: exploração e desconfiança no regime, uma bomba de tempo

Compreendendo este contexto, não é casual que a última Pesquisa Nacional de Juventudes destaque que apenas 12% dos jovens entre 12 e 34 anos declare ter confiança nos partidos políticos do Uruguai (1). Também não é casualidade que o órgão da aristocracia financeira (como o catalogou Marx) (2) da Inglaterra, The Economist, em um trabalho onde analisa a partir de vários indicadores, os fatores que tornam possíveis novas explosões sociais e instabilidades políticas nos diferentes países da América Latina, coloca no Uruguai o problema do desemprego juvenil como de alto risco, e alerta: “o novo governo de Luis Lacalle Pou agora terá que administrar cortes de gastos em um momento em que o desemprego está em seu mais alto nível na última década. Faze-lo sem provocar nenhuma reação violenta será um desafio” (3).

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No marco do ajuste pretendido pelo governo “Multicolor” (multicolorido), este problema (junto com muitos outros) tenderá a aprofundar-se e qualquer faísca pode botar fogo no pasto seco e chegar até o planície. A juventude está indo para as ruas, realizando manifestações massivas contra a barbárie climática que este sistema provoca e encabeçando a luta no Chile, em Hong Kong, na Colômbia, na Nicarágua, no Líbano, no Irã. A desigualdade social, a exploração e a opressão à juventude é o elemento comum e o Uruguai não escapa delas.

Até quando o pasto seco poderá acumular-se sem incendiar-se? Não poderemos saber com exatidão. Mas sim sabemos que nossa “sacro santa democracia”, nascida do regime de impunidade de 84 que deixou livres os genocidas da ditadura, aprofunda a cada passo as contradições e a miséria das camadas mais baixas, sendo os jovens e principalmente as jovens o setor mais atacado.

A burguesia observa assustada as rebeliões no continente. Querem e devem aplicar o ajuste mas temem que a reação popular “transborde”, e para evitá-lo fazem pactos entre Multicolores, Frente Amplio (Frente Ampla) e burocratas sindicais, enquanto se vangloriam de seu “republicanismo” baseado na defesa deste regime de exploração. Essa é a base de seus pactos “democráticos”!

Nós chamamos os jovens trabalhadores a não ter nenhuma confiança nesses pactos nem em seus “diálogos” (conversas), nem na “democracia” deles. Pelo contrário, chamamos a preparar a luta pela base e a seguir o exemplo dos jovens e o povo chileno. Uma luta no sentido de conseguir a emancipação da juventude pobre e trabalhadora. A partir do IST convocamos os e as jovens a se unir a nós para construirmos um partido revolucionário e socialista que lute pelo fim da opressão e exploração da juventude.

Notas:

1) https://www.presidencia.gub.uy/comunicacion/comunicacionnoticias/encuesta-nacional-de-juventud-datos

2) https://www.marxists.org/espanol/m-e/1850s/brumaire/brum6.htm

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3) https://www.eiu.com/n/latin-america-will-have-to-brace-for-more-turbulence-in-2020/

Alguns números oficiais

– Entre os jovens menores de 25 anos a taxa de desemprego é de 25.5%.

– Entre as mulheres menores de 25 anos o desemprego chega a 33%.

– Apenas um de cada três jovens menores de 25 anos que trabalha, consegue continuar estudando.

– 70% recebe menos de 20.000 pesos e 43% menos de 15.000. Os salários dos jovens são 50% mais baixos que a média do restante de trabalhadores empregados.

– 25% dos jovens trabalhar mais de 10hs por dia e são os que mais trabalham nos fins de semana.

– O trabalho informal (sem registro) chega a 35% entre os jovens com menos de 25 anos (10 pontos acima da média nacional).

– Os tão citados e difundidos programas sociais de emprego juvenil atingem apenas 1% dos trabalhadores entre 15 e 24 anos.

– Os jovens foram protagonistas de 20% dos acidentes de trabalho e o número sobe para 50% se incluirmos os trabalhadores de 15 a 34 anos.

Fontes: dados obtidos da publicação da OIT, de abril de 2019, “A segurança e a saúde no trabalho dos trabalhadores jovens no Uruguai” https://www.ineed.edu.uy/images/EncuestaSaludOcupacional/wcms_seguridad-y-salud-laboral-trabajadores-jovenes.pdf

https://es.scribd.com/document/433913525/ECH-Setiembre-2019#from_embed

Tradução: Carla Carrión