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As declarações perante um tribunal militar do genocida e tenente-coronel retirado José Gavazzo, onde se reconhece a tortura, assassinatos e desaparecimentos, que se pretendiam manter sob o pacto de silêncio, se tornou público e foram amplamente divulgados por todos os meios de comunicação.

Por: IST Uruguai

A destituição em poucas semanas dos dois comandantes, Manini Rios, e em seguida, de que o substituiu, José González, junto com a baixa de quatro generais (ainda pendente de ser executada), juntamente com as declarações do novo comandante Claudio Feola, que se referindo aos desaparecidos disse não saber “se estão confirmados ou não” têm gerado uma profunda crise no governo e atinge todas as instituições.

Não se deve analisar ou procurar respostas para estes fatos com base em conspirações ou meros cálculos eleitorais. Esses fatos têm uma explicação, e esta é a luta constante e tenaz de milhares de militantes que não permitiram o esquecimento geracional das atrocidades dos líderes do golpe, e organizações continuaram reclamando a Verdade e Justiça, juntamente com a exigência de saber onde estão os restos dos desaparecidos.

Esta crise aberta e as próprias destituições da cúpula militar são produto dessas lutas, dessa resistência. Para Marx, “A história de todas as sociedades que existiram até hoje, é a história da luta de classes” e é a partir daí que as lutas marxistas devem analisar os fatos que se desenvolvem.

Não podemos saber com antecedência que profundidade terá esta crise. Sabemos que os partidos comprometidos com a impunidade do Pacto do Clube Naval tentaram encobri-lo, tanto quanto possível, desviar para o circo eleitoral, todos com o objetivo de fechá-la. Mas esta tarefa não será fácil, dada a importância e profundidade que a questão dos direitos humanos tem em nosso país, desde o final da ditadura.

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O que podemos dizer é que esta crise, atingindo todas as instituições, abre uma fenda através da qual pode ser lançado com força, tanto a luta pelos direitos humanos como cada uma das lutas que os trabalhadores terão daqui por diante.

Devemos também mencionar que esta crise política se combina com uma situação de crise econômica que os patrões e o governo querem fazê-la cair sobre os trabalhadores. Somos demitidos pelos fechamentos de fábricas e empresas, ou enfrentamos cortes salariais de rosto e precariedade no emprego. Além disso, existem mais de 400 mil trabalhadores que recebem menos de 20 mil pesos.

Todas as ruas em 20 de maio para continuar a luta

Neste 20 de maio não será mais uma mobilização. Vai se dar no meio desses fatos e é muito importante que nos prepararemos e organizemos para uma mobilização massiva para exigir o fim da impunidade.

Para isso é necessário unir, em fábricas, bairros, escolas e faculdades, como nos preparamos para a mobilização de 20 de Maio. Temos de ir para as ruas para reivindicar Verdade, Julgamento e Castigo a todos os violadores dos direitos humanos. Mas a luta não termina no dia 20, temos de continuar a aprofundar a luta juntos e unindo a dezenas de lutas que estão sendo realizadas pelos trabalhadores, incluindo em suas reivindicações a necessidade de acabar com a impunidade. A IST te convida a vir com a gente, nós precisamos de sua força para colocar na cadeia todos os genocídios da nossa passada história recente e seus cúmplices.

Tradução: Lena Souza