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Um/a trabalhador/a morto/a a cada três dias. É a estatística sombria que a Superintendência Nacional de fiscalização Trabalhista (SUNAFIL) foi forçada a tornar pública após a morte de dois trabalhadores no McDonald’s.

Por: PST Peru

A conclusão pode ser apenas uma: eles estão nos matando.

Entramos na vida profissional, literalmente, aceitando as piores condições de trabalho possíveis: 12 horas, salários abaixo do mínimo, sem seguridade social, sem sistema de aposentadoria … Absolutamente à mercê daqueles que nos empregam.

É isso, ou o crime. Esse é o único futuro que eles nos dão para escolher.

Jovi Herrera, Jorge Luis Huamán e Luis Guzmán Taipe já tinham mostrado isso. A morte foi procura-los em um contêiner sujo localizado no telhado da galeria Nicolini, há dois anos. Eles trabalhavam na empresa JPEG S.A.C. por 20 soles por dia, sem descanso, 12 horas e trancados com cadeado … Morreram queimados.

Então eles culparam a informalidade. E embora os donos das instalações tenham sido condenados, as desculpas do Ministério do Trabalho (MTPE) para explicar por que existem trabalhadores nessas condições mostram a atitude do Estado: não há orçamento ou pessoal para supervisionar.

Mas hoje não estamos falando de uma empresa informal. O McDonald’s é uma franquia transnacional que emprega milhares de jovens no país e cumpre, dizem eles, a lei.

No entanto, a realidade sempre excede as suposições. Carlos Campos Zapata e Alexandra Porras Inga, ambos com 18 anos, trabalhavam 12 horas por dia, sem roupas especializadas que lhes permitissem trabalhar com segurança e fazendo tudo: cozinhar, limpar, tirar o lixo, servir …

Morreram enquanto limpavam a cozinha. Um choque elétrico de um freezer chegou até eles. Uma descarga elétrica que nunca deveria ter acontecido.

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E é informal ou formal que a exploração nos mata. Às vezes, de repente, como Carlos e Alexandra. Outros – a maioria – lentamente, com jornadas extenuantes, salários miseráveis, doenças ocupacionais e, pior ainda, com demissão.

Exploração que, mesmo cumprindo a lei, é endossada pelo Estado, que mostra no orçamento insuficiente que concede ao Ministério do Trabalho e o fato de não ter capacidade real de sanção, que seu único interesse é a impunidade do empregador, que não está feliz em ser corrupto, é literalmente assassino.

Portanto, se a exploração e os exploradores estão nos matando, só podemos ter uma resposta: devemos matar a exploração.

E isso só podemos conseguir através da luta, assim como o povo chileno, haitiano ou francês vem fazendo.

Lutar até que sejam derrubados, começando pelo governo de Vizcarra, o atual guardião dos interesses dos empregadores.

Quantas mortes são necessárias? Já forma muitas!

Tradução: Lena Souza