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Entre a pressão do povo e o cartismo econômico.

Por: PT-Paraguai

O governo Abdo Benitez mantém a iniciativa quanto aos gestos políticos para com a população buscando o apoio cidadão, impulsionado em grande medida pelo sufoco que produz a falta de dinheiro nos cofres do Estado e que tem que mostrar alguma coisa para as pessoas para não ficar tão exposto pela atual paralisia social e econômica.

Mario Abdo Benitez, tem que ser dito, chega ao poder no contexto das pancadas que vinha recebendo o governo Cartes que tentava permanecer no poder em acordo com o lugo-llanismo (Fernando Lugo e Blas Llano) atropelando tudo em seu caminho com o seu estilo patrão capomafioso de governar o Estado.

O contexto, além disso estava caracterizado por uma grande raiva acumulada entre o povo contra a corrupção imperante, a arrogância e a impune violação dos direitos do povo trabalhador em um estado cada vez mais manejado pelos representantes da panela cartista . E, por outro lado, por um Estado contaminado pelo cartismo, o Congresso controlado por outras forças políticas, e a burguesia, que estava muito apegada à licença cartista de usar, abusar e ganhar muito, desconfiava e condicionava seu apoio ao novo governo.

Este quadro geral obrigou o novo governo a procurar abrigo “no povo” – ostentando alto e, pragmaticamente, lógico, a luta contra a corrupção e o crime organizado,  ajustando, ao mesmo tempo, contas com o cartismo, na atual conjuntura, seu maior inimigo (OGD, ZI) e de certa forma buscando construir alianças firmes nas Forças Armadas que estão sendo embaladas e bem servidas pelo abdismo (Mario Abdo Benitez).

A aceitação do acordo sobre Yacyretá que convém a Argentina, os despejos de camponeses, o apoio entusiasta aos sojeros , falta de medicamentos nos hospitais, a violação sistemática e impune dos direitos dos/as trabalhadores/as em todo o país, o paraíso fiscal para os ricos, o estrangulamento social no orçamento alimentado pelo dinheiro do povo, mas que não serve ao mesmo, o endividamento de toda a máquina, o conservadorismo em toda a linha, expressa abertamente o governo de Abdo Benitez.

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Na verdade, o governo continua, no essencial, com o que poderia ser chamado de cartismo econômico, através de seu irmão Benigno López – conhecido por suas medidas antisindicais e pela entrega do dinheiro da aposentadoria para o lucro capitalista –  que controla a economia completamente servil aos interesses dos grandes ricos e capitalistas do país a quem exonera de impostos enquanto saqueiam os trabalhadores.

Marito (Mario Abdo Benitez) mantém a inovação política através dos golpes aos políticos corruptos e ao narcotráfico, e por enquanto mantém o apoio político em um setor importante da cidadania, que serve para mantê-lo conduzindo um governo com suas precárias alianças.

O novo ambiente político foi sentido pelo povo trabalhador que pressionou e continua pressionando para que a perseguição à corrupção seja real e não mera aparência e que a impunidade para os ricos e poderosos já não seja tão fácil.

Mas as massas não só estão usando o poder político da mobilização para exigir punição aos corruptos, abusadores e aliciadores, mas também para exigir direitos e, acima de tudo, para impulsionar e reativar as suas organizações de forma a prepara-las para as lutas que já estão em andamento e que, com certeza, serão intensificados no futuro.

O governo ou setores dele procurarão, na medida do possível, fazer as pazes com o grupo cartista e outros grupos de poder para chegar a um acordo. No entanto, a pressão dos de baixo é forte o suficiente para que isso possa ser feito sem que o governo saia golpeado e desacreditado. Os casos de Sandra MacLeod e da autoblindagem dos deputados, ambos tentativas reacionárias, fracassaram devido à forte pressão da população cansada de tanto deterioro.

As ataduras estão mais relaxadas e o povo pode e deve tirar o máximo proveito para se reorganizar no calor das lutas atuais e projeta uma maior  recuperação e conquistas maiores no curto prazo.

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Tradução: Lena Souza