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Organizações sindicais, estudantis, indígenas, de mulheres, camponesas e cidadãos em geral se manifestaram através da Greve Nacional contra a lei 30 conhecida como “9 em 1” que, desde sua aprovação no dia 12 de junho, vem sendo rechaçada devido à forma como o governo a impôs e as graves lesões que ela vem causando à democracia do Panamá.


A greve, que teve seu epicentro em todas as províncias da república do Panamá, obrigou o governo de Ricardo Martinelli a voltar atrás. Por meio do Conselho de Gabinete, o governo aprovou uma resolução que cria a comissão especial para a mesa de diálogo, cujo objetivo é revisar os artigos 12, 13 e 14 em 90 dias. Ficaram de fora da discussão os artigos referentes ao meio ambiente e à impunidade da polícia nacional no seu uso da força.



O fato do governo não acolher a revogação da dita lei gerou um forte questionamento da população, pois a lei conserva uma série de irresponsabilidades que o governo faz pouco caso, como os danos futuros e os atuais resultados dos enfrentamentos entre as unidades anti-distúrbios e o povo de Bocas del Toro. Até agora, temos um saldo de 152 pessoas que ingressaram no Hospital da capital Santo Tomas com feridas no rosto, perda dos olhos e desfigurações faciais causadas pela repressão policial que tem como o alvo principal os rostos dos manifestantes, atacados por munições que representam um grave perigo à integridade física dos manifestantes.



Dos objetivos das organizações e do povo com estas mobilizações e a greve nacional, além da revogação da nefasta lei “9 em 1”, está a eliminação de 7%, revogação da lei 14 conhecida como “Carcelazo” e o Decreto 944, que regulamenta a transformação curricular.



Cabe mencionar que, frente aos fatos emBocas del Toro, instalou-se a comissão para os “Acordos de Changuinola”integrada por representantes de setores dos trabalhadores, empresas privadas, setor ecumênico, partidos políticos e o órgão do executivo. Espera-se que essa comissão não seja um novo circo de piadas com o objetivo de desmobilizar as lutas dos setores populares que exigem urgentemente justiça diante da repressão desencadeada contra o povo panamenho.



A greve foi muito forte nos colégios e as comunidades rurais e os professores deram mostra que a luta é do povo e não da oposição partidária como o governo manifesta.



Na capital do istmo, as marchas saíram pelas ruas e avenidas sem se registrar enfrentamentos e provocações de agentes infiltrados. Lição que levou o governo a retroceder e valorizar a direção popular nacional. Entre elas, destaca-se a ULIP e FRENADESCO, como também a AEVE (Associação de Educadores Veraguense) que nas diferentes unidades escolares fizeram bandeiras com o lema“Quem não se atreve a lutar, não merece educar”. ‑­

Também na Universidade do Panamá ocorreram manifestações do movimento estudantil, de trabalhadores e professores.



Do setor rural, é preciso destacar a luta das comunidades contrárias a construção de represas e a ação de empresas mineradoras que saíram até a Panamericana em Vigui, Tabasará, rio Cobre, rio Santa Maria e Cerro Pelado da província de Veraguas. Vale ressaltar também a mobilização da comunidade indígena Ngöbé Büglé para exigir o fim de projetos depredadores, como a lei 30.



Os últimos detonadores da greve foram também às montagens por meio de escutas telefônicas expostas pelo governo nos meios de comunicação, detenções de operários a partir de mobilizações declaradas ilegais pelo Segundo Tribunal Superior de Justiça e a redação de ordens de prisão para dirigentes sindicais e dos movimentos sociais, como o professor Jované e a ecologista Yaritza Espinosa do nosso coletivo Vozes Ecológicas, as quais deixam bem nítidas que o objetivo do governo é perseguir e acabar com o movimento popular panamenho.



Nosso coletivo Vozes Ecológicas agradece a solidariedade dos povos do mundo, organizações e várias redes que vêm aumentando seu apoio.



Tradução: George Bezerra