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Pronunciamento sobre a situação nacional
Liga de Trabajadores Hacia el Socialismo (LTS)
A classe operária retomou a iniciativa de luta
 
Eram 3:30 da tarde da Quinta-feira 17 de Junho na Capital, chovia, e na Plaza Porras via-se a chegada de centenas de trabalhadores, ambientalistas e de quase todos os setores populares que haviam sido convocados para a marcha às 4 da tarde em repúdio às imposições do Governo. O objetivo da Marcha era claro: Exigir a anulação da lei 30 ou “lei chorizo” e demonstrar, nas ruas, a decisão dos trabalhadores e dos setores populares de responder aos ataques contra os direitos sociais por parte do governo. A marcha foi um sucesso por seu caráter unitário, pelo conteúdo que refletia e pelas tarefas anunciadas. Deste ponto de vista, é clara a possibilidade de que a greve também seja vitoriosa e de que haja muitas ações nas quais o eixo é acionar a classe operária panamenha em defesa de toda a sociedade.
 
Em meio à luta de classes; a necessária autocrítica.
 
Os recentes acontecimentos em nosso país, onde o governo empresarial e pró-ianque de Ricardo Martinelli, através da Assembléia Nacional de Deputados, impôs a lei 30, de 16 de Junho de 2010, que “regulamenta a aviação comercial e inclui mudanças nos códigos trabalhalhista, judicial, penal, à lei da polícia e à lei geral do meio ambiente”, são um claro exemplo da agudização da luta de classes no Panamá. Apesar de que alguns dirigentes sindicais negavam a existência da luta de classes – como um fato objetivo onde se enfrentam os interesses antagônicos da classe trabalhadora e da burguesia- e promoviam todo tipo de “colaboração de classe”, através da chamada “mesa de negociação” e de sua militância política em partidos empresariais como atual e desprestigiado PRD e os desaparecidos partidos Liberais, os acontecimentos que estamos vivendo mostram com certeza que a luta de classes (negada, escondida ou ignorada pelos burocratas sindicais) é uma realidade. Em nome da “paz social” e da grosseira acumulação de riquezas por parte dos capitalistas; alguns burocratas sindicais liquidaram a independência de classe de setores do movimento operário e cercearam a democracia interna de suas organizações (convertendo os sindicatos em seus feudos sem capacidade de mobilização e com sérios problemas éticos)
 
A economia cresce e os trabalhadores seguem empobrecendo
 
A economia panamenha cresce a uma taxa de 4.9% superando as expectativas do próprio governo e confirmando que os empresários panamenhos continuam muito bem, enquanto isso os salários dos trabalhadores perde poder aquisitivo e os níveis de pobreza extrema aumentam nas áreas indígenas. É parte da lógica do capital, transferir seus custos ou perdas à classe trabalhadora através de sofisticados mecanismos contemplados na legislação panamenha. Já começam a impor outro pacote de reformas em matéria de impostos para imóveis, setor marítimo, jogos de azar, associações sem fins lucrativos, regulamento para evitar a dupla tributação, mudanças na lei de contratação publica…
 
Duro golpe à classe trabalhadora panamenha
 
O projeto de lei 177 chamado “lei chorizo” ou lei 9 em 1, apresentado pelo Ministro de Segurança Raúl Mulino, e repudiado pelos trabalhadores, ambientalistas e amplos setores populares se converteu na lei 30 de 16 de Junho com a aprovação do executivo. Alguns dos aspectos negativos que contém essa lei são; Promoverá a devastação ecológica agravando ainda mais nosso ecossistema ao eximir o estado dos estudos de impacto ambiental. Legalizam a impunidade, os abusos e assassinatos que policiais cometerem. Violam o direito de greve consagrado na constituição. Estrangulará economicamente as organizações sindicais ao impedir a cobrança da contribuição sindical, etc.
 
A única saída: Reorganizar-nos e ir à luta.
 
A LTS propõe a todas as organizações sindicais, ecologistas e populares responder com mais e melhor organização à agressão por parte do governo capitalista do Sr. Martinelli. É necessário restabelecer a crítica e a autocrítica respeitosa como mecanismo de dirimir nossas diferenças, é necessário levantar as bandeiras de independência de classe… Que ninguém se engane estamos enfrentando o capitalismo e o imperialismo. É urgente restabelecer os princípios de funcionamento democráticos no interior das organizações.
 
A LTS propõe dizer a verdade aos trabalhadores e aos ambientalistas: enquanto não organizarmos um partido político para derrubar do poder do estado, os mercadores, piratas e demais forças da ambição, continuaremos sendo vítimas e ao mesmo tempo cúmplices dos desmandos contra o povo e o holocausto ecológico contra a natureza. Neste sentido, a LTS convoca os trabalhadores, ecologistas e panamenhos de boa vontade a trabalhar a fundo a unidade, mas, com as perspectivas de construir o instrumento político da classe trabalhadora, isto é: o Partido dos Trabalhadores Panamenhos.
 
Comitê Executivo LTS-Panamá
Panamá, 18 de Junho de 2010.
 
Tradução:Erika Andreassy