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Em 1979, no auge da luta contra a ditadura de Somoza, a Fração Bolchevique da IV Internacional, organização que esteve na base da fundação da LIT, por meio de uma de suas seções, o Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) da Colômbia, chamou a constituição de uma brigada internacionalista para ir à Nicarágua e combater ao lado da FSLN.

Por: Bernardo Cerdeira

Essa brigada ganhou o nome de Simón Bolívar e participou da Frente Sul da guerra, onde sofreu várias baixas e teve três companheiros mortos. Em julho de 1979, a brigada liberou a cidade de Bluefields, o porto mais importante da Nicarágua na costa do Atlântico. A Brigada Simón Bolívar foi reconhecida pela FSLN e, depois da queda de Somoza, a maioria dos brigadistas permaneceu no país.

 

Depois da tomada do poder pelos sandinistas, a brigada estimulou e participou da formação de dezenas de sindicatos que se formaram a partir da vitória da revolução. No entanto, esse processo de reorganização da classe operária ameaçou se transformar em mobilização e organização independentes fora do controle do sandinismo. Diante disso, a direção da FSLN prendeu os membros da brigada, expulsou-os do país, entregou-os à polícia do Panamá que os torturou e finalmente os extraditou.

A ação repressiva da FSLN e do governo burguês de Reconstrução Nacional já antecipava o seu papel posterior. No entanto, não puderam apagar o exemplo da BSB que retomou a tradição internacionalista do movimento operário a exemplo das brigadas internacionais que lutaram contra o fascismo na guerra civil espanhola.

O objetivo imediato da Fração Bolchevique era apoiar a luta armada da FSLN pela derrubada da ditadura de Somoza, mas se combinava com uma tarefa mais estratégica: a organização independente da classe operária e a construção de um partido revolucionário socialista na Nicarágua. Essa tarefa foi debilitada pela repressão da FSLN, mas sempre esteve presente. Hoje, ela é mais necessária do que nunca.

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Simón Bolívar