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Quem sabe melhor do que nós, que estamos sofrendo as consequências do terremoto, o que nos falta para sairmos desta situação?

Por: GSO – México

Não será o mau governo, nem o exército, nem a marinha, nem os magnatas que nos olham de suas mansões em Miami. Somente o povo voluntário ajudou com todas as suas forças e sua generosidade seus irmãos em desgraça. À tarefa urgente de resgate de sobreviventes e vítimas, de oferecer alimentos e remédios aos milhões de afetados, segue a etapa de dar teto e abrigo para os que perderam tudo ou quase tudo. Centenas de milhares de trabalhadores, estudantes e pais de alunos reivindicam checar todas as instalações antes de retornar às tarefas e aulas. Ha 1 milhão e 400 mil casas destruídas ou danificadas. Calculando a um valor de 600 mil pesos (32 mil dólares) cada uma, representa um total de 840 bilhões de pesos (45 bilhões de dólares).

Para abrigar todas as famílias afetadas, dispor de milhares de imóveis vazios que se encontram à venda

Não amontoar essas famílias em acampamentos sem as mínimas condições de higiene e espaço. Que se instalem provisoriamente até que as suas casas sejam reconstruídas ou que sejam construídas novas. Que seja oferecido transporte gratuito para transportar os pertences dos afetados aos novos domicílios. Que sejam priorizadas as necessidades urgentes do povo diante da catástrofe e não o negócio imobiliário dos especuladores. Que seja publicado e ampliado o montante do FONDEN (Fundo de Desastres Naturais).

Que o Estado garanta o pagamento de todos os salários devidos por fontes de trabalho e empresas fechadas pelo colapso ou pelos danos de suas instalações. É inaceitável que uma massa crescente de operários e trabalhadores de diversos ramos fiquem sem sustento porque suas empresas cessaram o trabalho como consequência do terremoto. Os patrões dizem “não é nossa responsabilidade” e não pagam os salários, o governo os ampara e os pelegos olham para o outro lado. Os empregadores devem assumir a responsabilidade! Nem uma só demissão nem salários não pagos por causa do terremoto! Este governo e os patrões devem se responsabilizar pelos salários devidos a todos os trabalhadores afetados. Exigir dos sidicatos que defendam o pagamento do salário de seus trabalhadores.

O Estado deve garantir recursos para a reconstrução total em todas as regiões, financiada com:

  1. Impostos aos grandes capitalistas e deixando de subsidiar seus partidos com o dinheiro público.
  2. Suspensão imediata da sangria dos pagamentos da dívida externa aos agiotas imperialistas.
  3. Plano de obras públicas para a reconstrução e plano de atenção de saúde gratuita paras os milhares de lesionados.

Denunciamos e repudiamos o jogo do 5×1 anunciado por Carlos Slim, que promete que a Telmex doará 5 pesos para cada peso doado. É uma zombaria! O dono de 61 bilhões de dólares propõe uma concorrência ao povo mexicano. Com apenas uma parte dessa fortuna poderia financiar toda a reconstrução do México! Que se imponha a Telcell, Telmex e a todas as companhias de serviço celular e domiciliar um imposto de emergência para a reconstrução. E que se mantenha o serviço gratuito por um ano.

Também denunciamos a farsa da oferta de atenção gratuita por parte dos hospitais privados, como ABC e Ángeles e outros, para se promoverem com uma imagem filantrópica aproveitando as condições vulneráveis que a população está sofrendo. Os hospitais privados estão obrigados por lei a garantir atenção médica gratuita para toda a população em casos de urgência e emergência sociais com esta.

Quem controla os fundos de ajuda e os planos de reconstrução?

Não confiar nada nas mãos do governo federal e dos estados!

Que se constituam comissões de CONTROLE para fiscalizar os recursos e sua distribuição, integrada por afetados, sindicatos e organizações sociais por lugar. Para coordenar e centralizar os esforços solidários locais e exigir do governo de forma unificada as soluções para as necessidades urgentes de todos, é necessária a coordenação de ações, de informação e para isso é urgente a Convocatória de uma Assembleia nacional para fundar uma Coordenação de afetados de todo o país.    

Tradução: João Pedro Andreassy Castro