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A LIT-QI expressa a sua dor e solidariedade com Didier, seu companheiro, e com todos os camaradas do Batay Ouvriye. Reproduzimos uma das notas em homenagem à companheira Rachel, escrita por uma de suas antigas alunas. Rachel, até o socialismo sempre!

Eu saúdo a partida de Rachel Beauvoir Dominique, amiga, que foi minha professora e pela qual tenho uma afeição e uma admiração enormes. Antropóloga, professora na Universidade do Estado, mambo (sacerdotisa vodu) e militante pela emancipação do povo haitiano. Saúdo a partida de uma grande mulher, de muita simplicidade, de extrema sensibilidade e de uma imensa generosidade.

No seu retorno ao Haiti depois de estudos de antropologia na Tuffts University, em Boston-EUA, e em Oxford, na Inglaterra, Rachel colocou todo o seu conhecimento e todo o seu ardor na busca de sua cultura, na valorização do patrimônio cultural local e na compreensão da organização social e espaço-temporal haitiana. Ao lado da sua militância sem trégua em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo em geral, paralelamente à sua luta permanente na organização e na mobilização tanto dos operários quanto dos camponeses pobres, seu ensinamento na universidade permitiu a muitos estudantes (jovens e adultos) descobrir vários aspectos do país tanto tampo ocultados, reconciliar-se com suas raízes, encorajando-os a iniciar pesquisas para mobilizar a memória coletiva, sempre com uma visão de transformação social.

Além da minha tristeza, guardarei na memória a lembrança de uma mulher excepcional: uma grande intelectual, mas sempre modesta e profunda. Ela permanecerá como um modelo.

Rachel, vá em paz, ao lado do sol nascente, já que você semeou. O conjunto dos seus trabalhos e das suas palavras ficará para sempre gravado em nós e contribuirá para seguir dando-lhe existência. Meus mais sentidos pêsames ao seu companheiro de vida e de luta, Didier Dominique, aos seus amigos e a todos os que a amaram sinceramente.

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Chantal Ismé

Tradução: Raquel Polla