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Na noite de 18 de março deste ano, o líder Bribri, Sergio Rojas foi cruelmente assassinado em sua casa, no território indígena de salitre, sua terra natal. Durante vários anos ele, junto com muitas pessoas no território, participaram de recuperações de terras nas mãos dos usurpadores não indígenas. Estes usurpadores estavam com a posse de grandes extensões de terras que pertencem ao povo de Salitre Bribri.

Por: Ángel Molina

Rojas foi um dos líderes na recuperação destas terras e a denúncia da usurpação de latifundiários. Ele e outros líderes foram vítimas de ameaças de morte e tentativas de assassinato em várias ocasiões. Devido aos acontecimentos violentos presenciados na comunidade, às muitas petições do povo Bribri e das Nações Unidas para que o governo de Luis Guillermo Solis intervisse, suas ações foram insuficientes e mesmo nulas na resolução do conflito, o que permitiu que nos anos seguintes, a violência continuasse até o assassinato de Rojas.

No entanto, Salitre não é o único território em que há recuperações de terra. Muitos outros foram à luta para recuperar suas terras ancestrais, entre estas: Cabagra, Térraba, Rey Curre, Boruca, China Kichá, entre outras. Como em Salitre, em menor ou maior grau, houve confrontos nesses territórios. Tal é o caso de Cabagra, em que muitos de seus líderes foram ameaçados, queimando ranchos e agredindo pessoas. As lutas dos povos indígenas são contra a mineração, projetos hidrelétricos, a monocultura, a caça ilegal e extração ilegal de madeira dentro de seus territórios ancestrais. Além disso, os Bribri e Cabécar em Talamanca, bem como o povo Broran em Térraba lutam pelo direito a documentos de identidade, o trânsito transfronteiriço do povo Ngäbe e a uma educação tradicional de todos os povos indígenas.

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Essas populações são um exemplo de resistência. Sergio Rojas é um dos muitos lutadores que foram assassinados por defender os seus direitos neste país e na América Central, onde o governo age como cúmplice. Exigimos justiça para Sergio Rojas e repudiamos a campanha de difamação que está sendo feita contra este grande lutador.

A Procuradora-Geral Emilia Navas e Carlos Alvarado devem destinar todos os recursos para garantir que a morte de Sergio Rojas não fique impune. É necessário articular todo o apoio em defesa das comunidades indígenas e a solidariedade de todo o movimento social e popular com a luta pela recuperação dos territórios indígenas, luta para a qual Sergio Rojas deu sua vida e hoje mais do que nunca deve continuar.

Sergio vive! A luta continua e continua!

Julgamento e punição pelos seus assassinos!

Tradução: Lena Souza