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O governo Lugo-PLRA está decidido a “colombianizar o aparelho repressivo do país

Em um ato solene realizado na Chancelaria Nacional, os governos de Lugo e de Uribe assinaram outro acordo “para lutar contra o terrorismo e o crime organizado”. Na presença do chanceler Héctor Lacognata, o ministro de Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, acompanhado de altos chefes da polícia de seu país, explicou que o acordo servirá para a “formação, estruturação e capacitação do pessoal da polícia”. Na realidade, foi formalizado o que já vinha acontecendo.


As boas relações entre Lugo e Uribe datam do início do governo do ex-bispo. Mas deram um salto qualitativo nos últimos meses. Fernando Lugo, sem se contentar com a aplicação dos métodos repressivos colombianos em nosso país, recentemente se desfez em elogios ao assassino Álvaro Uribe. Durante a cúpula de presidentes da América Latina no México, assegurou de forma arrogante: “Temos uma das melhores relações com a Colômbia na América Latina. Foi casual que, nessa cúpula, o único presidente com quem pedi uma reunião bilateral foi Uribe, para tratar de convênios de cooperação. Ele (Uribe) assegurou que estamos em um bom momento para extirpar o mal do seqüestro e do terrorismo” (ABC, 06/03/10).

Esta declaração deixa alguma dúvida? Não são necessárias muitas explicações sobre o papel e a política do governo com o qual Lugo diz ter “uma das melhores relações na América Latina”: um governo subserviente ao imperialismo ianque, que atua como sua plataforma política e militar dentro do continente e durante o qual, segundo relatórios da própria promotoria colombiana baseados em confissões dos ex-paramilitares, foram cometidos 30.470 assassinatos, 2.500 desaparecimentos forçados e 1.000 massacres em diferentes regiões do país (Agência ANSA, 17/02/10). Tudo com o aval e a proteção político-jurídica de Uribe. Temos que dizer as coisas como são: Lugo faz acordos com assassinos.

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O Partido dos Trabalhadores (PT) rechaça esse novo acordo com Uribe, que não tem outro objetivo senão aperfeiçoar a repressão às lutas sociais e populares.

Continua a caçada no norte

É necessário reconhecer que Lugo e Uribe estão “em um bom caminho”, mas no sentido de reprimir e criminalizar as lutas em nosso país. Os operativos militares, policiais e judiciais, mesmo que com menos destaque na mídia, continuam no norte, onde se vive em um verdadeiro estado de sítio. Como Lugo tinha anunciado, o operativo não duraria uma ou duas semanas. A desculpa continua sendo o denominado EPP (Exército do Povo Paraguaio, organização guerrilheira que atua no norte do país). Em nome de sua captura são pagas (com o dinheiro do povo) milionárias recompensas a novos pyragués (informantes da polícia). Mas a questão de fundo, a verdadeira tarefa estratégica, é derrotar o movimento camponês e de massas, nessa zona de conflitos e em todo o país.

O “grande desafio” de Lugo

Não é por acaso que, em uma entrevista recente, ao ser questionado sobre o “grande desafio de seu governo atualmente”, Lugo respondeu: “A segurança. O tema da segurança é o grande desafio. Um elemento é ter forças policiais bem equipadas, estruturadas, que possam dar respostas rápidas em momentos de insegurança” (La Nación, 07/03/10). A “segurança”, claro, mas a segurança para os ricos proprietários.

Devemos impulsionar ações unitárias!

Lugo e Filizzola, Ministro do Interior, com assessores colombianos e norte-americanos, estão reforçando ao máximo o aparato repressivo. É necessário denunciar e combater esta política reacionária e macartista. O acordo com Uribe visa aprofundá-la.

É necessário unidade para lutar, tal como o recente ato da OCN e outras forças sociais em Concepción que, diante da repressão, saíram às ruas para protestar.

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Chamamos toda a esquerda a rever sua política de apoio ou silêncio cúmplice diante da continuidade das tropas especiais no norte. Somente uma ação unitária e massiva, que expresse um claro repúdio a essa política do governo que goza da simpatia da direita tradicional, pode ter a força necessária para mudar a situação.

Comitê Executivo – PT
Asunción, 10 de março de 2010