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Nas últimas semanas, depois da vitória eleitoral de Ivan Duque, aumentaram as ameaças e os assassinatos seletivos contra as lideranças sociais e políticas. Estão circulando panfletos assinados por grupos paramilitares e as chamadas BACRIM (grupos de criminosos organizados)[1] através dos quais são comunicadas ameaças do tipo “limpeza social” contra grupos vulneráveis como é o caso do Estado do Cauca[2], nos quais se ameaçam de morte diferentes lideranças, incluindo os que participaram da campanha de Gustavo Petro (PDA – Polo Democrático Alternativo) nas cidades de  Santander, Cauca e Antioquia.

Por: PST – Colômbia

O problema não ficou apenas no aumento das ameaças e no medo instaurado. Segundo denúncias divulgadas em vários meios de comunicação nove pessoas foram assassinadas na semana passada, dois deles durante a transmissão do jogo entre Colômbia e Inglaterra: Felicinda Santamaría líder comunitária da região de Chocó, Luis Barrios ativista dos direitos humanos de Atlántico, seguidos por Ana Maria Cortés em Cáceres, Antioquia e Margarita Estupiñan em uma região de Tumaco.

Essas duas ativistas eram lideranças comunitárias e impulsionadoras da campanha eleitoral de Petro à presidência. É importante lembrar que essa situação, que há meses estamos denunciando, foi tachado, ironicamente, pelo judiciário como uma “briga entre mulheres” ou um ajuste de contas, negando o caráter político e a forma sistemática com que se executam, culpabilizando às vítimas na tentativa de vinculá-las com grupos de delinquentes ou com outros tipos de fatos violentos. O que se está demonstrando, na verdade, é que a vitória de Duque abriu caminho para os grupos paramilitares que continuam atuando com total impunidade.

Somado a este discurso cínico está a mensagem do presidente eleito, no qual as lutas sociais é equiparado à “semear ódio e polarizar”, criando um verdadeiro clima de tensão e perigo para a oposição política e para a mobilização social. Rechaçamos este discurso que parece conciliador, mas que é exatamente o contrário, pretende eliminar as diferenças e se converte em justificativa para a violência e a repressão. Acusam-nos de disseminar o ódio de classe enquanto nos condenam à miséria nos atacando com seus planos de exploração e espoliação.

Leia também:  Nenhum dia de trégua para Duque! Chega de assassinatos, Greve Geral já!

Nós do PST insistimos na necessidade de parar esse massacre crescente, que já tirou a vida de 180 pessoas último ano, pela única via efetiva que nós trabalhadores/as, os/as camponeses pobres e os/as oprimidos/as temos que é a via da luta. Não podemos depositar nenhuma confiança no regime nem em suas instituições, governe Santos ou Duque.

É indispensável passar para as ações efetivas, pois como dissemos antes, não bastam os comunicados e as denúncias, não bastam as declarações de exigência ao governo, é o momento de detê-los. Cada morte precisa deixar de ser uma estatística e devemos repudiar o tratamento rotineiro e burocrático que fomenta a naturalização do extermínio, este ponto deve ser o primeiro em todas as reuniões e assembleias das organizações operárias e sociais.

Fazemos um chamado urgente a todas as organizações sociais, comunitárias, camponesas, operárias e políticas, em especial à Gustavo Petro e todas as organizações e estruturas da Colômbia Humana para que se coloquem a serviço dessa tarefa, antes de pensar nas eleições de 2019, é primordial defender a vida dos/as dirigentes ameaçados/as. Façamos uma reunião ou encontro de emergência para definir um plano de ação que inclua a mobilização, paralisações gerais ou parciais e a Greve Geral. Acreditamos que é hora de retomar a consigna de “frente a qualquer assassinato, greve geral imediata”. Para Duque não podemos dar um minuto de trégua. Organizemos a Greve Geral Já!

Por isso nos somamos à convocatória para esta sexta-feira de fazer concentrações em todas as principais praças do país, este é um primeiro passo de unidade e luta necessário, mas é absolutamente insuficiente.

– Greve Geral e plano de lutas já!

– Prisão e punição para os grupos paramilitares!

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– Nenhum dia de trégua ao governo de Duque!

Comitê executivo do Partido Socialista dos trabalhadores da Colômbia – Julho de 2018

[1]https://es.wikipedia.org/wiki/Bandas_emergentes_en_Colombia

[2] https://cnnespanol.cnn.com/2018/07/03/colombia-encuentran-7-personas-muertas-en-cauca/

Tradução: Luana Bonfante