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Publicamos a seguir o artigo sobre o desaparecimento de Carolina Garzon da Revista Vanguardia do Equador.


Uma jovem mulher de caráter forte, responsável. Uma amante do jornalismo, fotografia e política. Assim, amigos e familiares descrevem Stephany Carolina Ardila Garzon, colombiana de 22 anos, que desapareceu em Quito em 28 de Abril passado.

 

Educação Artística. Seu local de estudos é a Universidade Distrital Francisco José Caldas, em Bogotá. A última vez que a viram foi na casa que ela dividia com mais seis jovens: dois argentinos e quatro colombianos, localizada em Monjas, bairro Palluco às margens do rio Machángara.

 

Na sexta-feira à noite, 27 de abril, poucas horas antes de desaparecer, ela tirou fotos em La Ronda, no centro da cidade. Assistiu também ao espetáculo de teatro e dança Afro de seu amigo Oscar Morales.


No sábado 28, pela manhã, vestiu um vestido de cor azul turquesa, decorado com triângulos coloridos. Carolina fez trufas para vender em La Ronda. Também disse a seus amigos que queria ir a uma exposição no Centro de Arte Contemporânea.


Naquele dia, Gloria (nome fictício para proteger a fonte), sua companheira de quarto, acordou no meio da manhã e levantou-se um tanto triste. Na cozinha, encontrou Carolina. Carinhosa como era, Carolina aproximou-se e lhe ofereceu uma trufa. Conte comigo para qualquer coisa, disse. "Então eu vi que ela ia tomar um banho e depois sair", diz Gloria.


Gloria ouviu Carolina descer e entrar em seu quarto. Nunca mais a viram. Outra companheira chamou Carolina, mas esta já não respondeu. Parecia estranho, mas Gloria e sua amiga supuseram que tinha ido comer.


Foi ao meio-dia. Seus amigos esperaram por ela até o dia seguinte. Depois começaram a ficar preocupados. Por horas que se transformavam em eternidade e distâncias que pareciam intransponíveis, seus amigos procuraram em necrotérios de hospitais por toda a cidade.

 

Na terça-feira 01 de maio, Dia do Trabalhador, enquanto manifestações pró e contra o governo ocupavam as ruas e praças, os jovens ligaram para Bogotá para dar a pior notícia que um pai e uma mãe podem receber. Em 2 de maio, Sebastian Atehortua e Oscar Morales, amigos seus, fizeram a denúncia do desaparecimento à Promotoria Geral do Estado[1]. A tia de Carolina, Flor Ardila e sua irmã Lina Maria Ardila chegaram de avião à Quito em 3 de maio. Flor Ardila foi imediatamente à Promotoria. Soube então que o Cabo Freddy Anchaluisa estava no comando da investigação. Falou com ele. Nesse dia estavam intimados para depor precisamente os dois rapazes que denunciaram o fato: Atehortua e Morales.


A atitude do policial a deixou preocupada. O Cabo fez algumas perguntas às testemunhas, mas não tomou nota alguma. Boa memória, talvez, pensou, ou então seria os procedimentos nesta cidade estranha, que não conhecia e na qual não sabia se locomover.


O Cabo acompanhou os familiares e amigos ao local dos fatos. Já na casa, Anchaluisa averiguou minunciosamente os cômodos. Grudada a ele como uma trepadeira, Ardila pediu ao policial para perguntar aos vizinhos. Não o faria, explicou o oficial, porque acompanhava o caso de outra garota desaparecida que já havia sido encontrada e que tinha que cuidar dela porque "seu pai lhes pagava pelos serviços." O que fazer? A quem acudir? Como em seu país, aqui também servia valer-se dos amigos.


No sábado, uma semana depois do desaparecimento, chegaram ao local Juana  Guarderas, amiga de Carolina –conta Ardila-. "Ela solicitou os favores do Major Julio Navarrete, encarregado da zona de La Mariscal. Através do Major, solicitou que o Grupo de Intervenção e Resgate (GIR) investigasse". Nesse mesmo dia o Corpo de Elite da  Polícia, sempre com a tia grudada nos calcanhares, dirigiu-se até o bairro para investigar.


Os policiais levaram cordas. Desceram o riacho e procuraram pelo leito do Machángara. Nesse dia avançaram até o bairro Las Orquídeas.
Também contaram com o apoio de um helicóptero que sobrevoou Cumbayá e  Nayón. Nada. Ao retornar uma surpresa lhes aguardava: Anchaluisa chamou a tia da garota desaparecida, dizendo que haviam encontrado um suéter e que dentro deste havia um bilhete escrito num guardanapo de papel que dizia: "Para Caro e Sebas, espero vocês à noitinha.
PS: Mordi-lhes um pedacinho. Atenciosamente Oscariño ".

 

{module Propaganda 30 anos – MULHER}Quando a tia de Carolina chegou a casa, disse aos rapazes que o Cabo havia encontrado alguns pertences. Anchaluisa foi até a casa mostrar-lhes o suéter e o guardanapo. Óscar Morais lembrou-se do casaco da moça —diz Ardila— o garoto comoveu-se, revisou o bilhete e reconheceu sua própria letra.

 
O casaco estava úmido assim como o guardanapo, que estava dobrado em


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[1] NT. No Equador as investigações policiais são diretamente acompanhadas pela Promotoria