COMPARTILHAR

No próprio sábado 23 começaram, pelas redes, frases como esta: “ nos acharam com cara de idiotas?” e muitos outros memes com o característico humor dos colombianos “não dispare, sou seu vizinho”.

Por: Rosa Cecilia Lemus

A reação das pessoas em pé de luta, começou a contagiar e tirar os lençóis dos fantasmas da noite de terror.

Circulavam vídeos onde a população dos bairros denunciavam que caminhões da polícia e do exército, eram os que transportavam os “vândalos” e as tão temidas hordas que nunca chegaram.

Os noticiários foram obrigados a mudar a cantilena e deixar de lado as imagens dos pouquíssimos saques.

As declarações do prefeito de Bogotá ocupavam o centro da atenção, pois teve que reconhecer que o pânico que plantaram na noite anterior, precisamente nos bairros operários e populares, foi parte de um plano desenhado por um grupo de “pessoas” interessadas em criar o caos e que das mais de 600 chamadas telefônicas para a linha de emergência denunciando vândalos que atacavam os conjuntos residenciais “muito poucas” foram comprovadas.

Até Roy Barreras, senador do partido do ex presidente Santos pediu ao procurador que investigasse a responsabilidade do Estado no pânico induzido na noite anterior.

Tiveram que fazer estas declarações porque foram as pessoas desmascararam a situação. Entretanto, temos que dizer que serviu para que impusessem o toque de recolher na sexta e justificassem a ída do exército às ruas e se não, “senhor Peñaloza por que não tira o  Esquadrão Móvel de Combate a Distúrbios (ESMAD) e o exército das ruas?”

Esta, como no Chile, também deve ser nossa consigna, inclusive ir além e exigir o desmonte do assassino ESMAD.

Mas, outra vez, a situação se voltou contra eles. Os espontâneos panelaços que percorreram o país no próprio 21 à noite, continuam se repetindo sem parar noite após noite, e as pessoas sobretudo a juventude estudantil e trabalhadora, se reúnem aqui e ali e se organizam protestos em muitos pontos das cidades.

Leia também:  Colômbia| Frente o massacre na Modelo: Plano de emergência e punição aos responsáveis

O ataque do ESMAD, no sábado à tarde no centro de Bogotá, que colocou Dilan Cruz um jovem de 18 anos no hospital, com um estado de coma induzido, pelo disparo de um robocop com suas armas “não letais”, nos enfureceu a todos e novamente se escuta nas ruas “somos todos Dilan” e “que venham ver venham ver isto não é um governo são os paramilitares no poder” como gritavam ontem domingo 40.000 pessoas no estádio de futebol de Bogotá, ou os milhares que pedem a renúncia de Duque com frases como esta “ isto continuará até que renuncies”. Hoje 25N estão convocadas, para a tarde, novas marchas que se juntam com a comemoração do dia da NÃO violência contra a mulher, que certamente serão muito massivas.

É impossível não emocionar-se e contagiar-se de alegria quando por fim todo um povo desperta e se une em um só feixe contra os inimigos de sempre, contra os de cima, contra a classe política (empresários, latifundiários burgueses) cuja expressão mais odiada hoje é o uribismo e seu partido de governo, que diz que tem que reduzir o salário mínimo para os jovens e que os trabalhadores “privilegiados” que conseguimos conquistar uma aposentadoria, teremos que dividi-la com os milhões que foram despojados há décadas deste direito, porque o pobre Estado e os pobres empresários não conseguem.

Como não emocionar-se quando milhares nas ruas lhes dizem: sabem o quê? Já não vamos engolir enganações, porque com a reforma tributária deixaram mais de 9 bilhões nos bolsos dos ricos, utilizando a figurinha das isenções de impostos enquanto aumentam para o povo.

Mas esta alegria não pode nos impedir a reflexão e sobretudo a organização bairro por bairro, fábrica por fábrica, universidade por universidade, porque temos que definir nossas próprias estratégias e planos de luta se queremos derrubar UriDuque, e construir uma sociedade justa, sem exploração, sem opressão na qual os marginalizados e excluídos de sempre, tenhamos a oportunidade de uma vida digna, conservando nosso belo planeta.

Leia também:  #8M2020 na Colômbia

Isto é o que move hoje milhões no mundo.

Tradução: Lilian Enck