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Dois meses após a posse do presidente Iván Duque Márquez, ele já deu provas suficientes do espírito antidemocrático de seu governo. Junto com seu reacionário gabinete de ministros, anunciou um corte no orçamento nas áreas de ciência e cultura, enquanto reforça o orçamento militar de defesa, usando a crise venezuelana como desculpa. Isso se traduz em um aprofundamento da crise financeira das Universidades públicas, que aumentou exponencialmente desde 1992, hoje a dívida mais o corte de orçamento somam mais de 16 bilhões de pesos.

Autor: Unidade Estudantil UNES – Unidade Docente PST

Felizmente, a resposta da comunidade universitária, especialmente dos estudantes, não demorou a chegar: nas últimas semanas, aproveitando a realização do ENEES (Encontro Nacional de Estudantes da Educação Superior), houve processos de mobilização e assembleias locais em muitas universidades do país, onde a crise financeira das universidades públicas e todos os problemas que daí decorre tornaram-se públicos.

Por sua vez, os professores e trabalhadores manifestaram preocupação com a situação crítica e simpatia pelo processo que começa a tomar corpo.

O ENEES, ciente da grave situação que atravessam as universidades públicas, convocou uma mobilização nacional em sua defesa para o dia 10 de outubro. A discussão nas diferentes universidades fortaleceu a convocação, a ponto da reunião da União Nacional de Estudantes do Ensino Superior (UNEES) definiu uma greve nacional do ensino superior a partir de 11 de outubro.

Chamamos a participação em massa a nível nacional desta mobilização, e que todas as universidades se juntem ao chamado da greve, em unidade dos três setores (estudantes, professores e funcionários).

Lembremos que Duque é oriundo do setor burguês uribista, agrupado no Centro Democrático, portanto, para que a luta estudantil triunfe e que a lista de reivindicações de 10 pontos levantada no ENEES seja pelo menos ouvida, é imperativo não ceder um milímetro na mobilização, que devemos manter depois de 10 de outubro. Devemos estar cientes que esse governo, como os anteriores, quer desmantelar a educação pública, afastá-la do pensamento crítico e vender a quem pague mais.

Da mesma forma, é necessário fortalecer o processo de organização democrática e de base, para que o próprio movimento se alimente diariamente da mais ampla participação: que a recém-fundada UNEES se torne a organização sindical dos estudantes com capacidade de decisão democrática, e construa, ao calor da luta, conselhos estudantis em cada um dos cursos em nível nacional, seja reconhecida pelo Estado e realize congressos/assembleias periódicos.

Devido à importância e a envergadura da luta estudantil universitária, existe a oportunidade de torná-la a vanguarda de uma luta unificada do setor da educação contra Duque.

Chamamos os professores através da FECODE (Federação Colombiana de Educadores), do SENA (Serviço Nacional de Aprendizagem), as universidades privadas e os estudantes secundaristas, a unificar suas reivindicações com as dos universitários e se somem o quanto antes a Greve Nacional da Educação votada democraticamente em um encontro do setor.

Os planos de Duque são imediatos, a qualquer momento iniciará a aplicação da reforma da previdência, a reforma tributária, etc. Esses planos, somados ao descaso com o financiamento da educação pública, são ataques contra a população como um todo, afetando especialmente à classe trabalhadora, suas famílias e seus filhos.

Para barrar esses ataques e a onda de assassinatos de líderes sociais, que continuam, é necessária a mais ampla unidade na luta. Para isso é necessário convocar, em nome de todos os sindicatos, organizações sociais, populares e centrais operárias, um encontro operário e popular de emergência, apoiado no movimento estudantil, que diante dessa conjuntura, aponte uma data para uma Greve Cívica Nacional e vote um plano de luta, sem dar um dia de trégua a Duque.

– A educação é um direito!

– Financiamento total e imediato para a universidade pública!

– Reliquidação e perdão de todas as dívidas com o ICETEX[1]!

– Nenhum orçamento para a guerra!

– Greve Nacional contra Duque e seu plano!

[1] ICETEX – Instituto Colombiano de Crédito Educativo e Estudos Técnicos no Exterior;

Tradução: Rosangela Botelho