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Enquanto o ano de 2019 terminava, o governo de Iván Duque declarou uma verdadeira guerra social contra os trabalhadores e os pobres do país. Todas as iniciativas presidenciais passaram pelo Congresso e obtiveram a aprovação, como a reforma tributária que aumenta os impostos sobre os assalariados e diminui os das grandes empresas enquanto decreta um aumento pífio de 6% ao salário mínimo, o que equivale a 1.600 pesos (US$ 0,48) por dia.

Por: PST-Colômbia

Mas também não cessa o massacre contra lutadores sociais. O banho de sangue continua com o assassinato de um casal de ambientalistas na costa do Caribe, na área da Serra Nevada de Santa Marta, que está sob controle de paramilitares e empresas de turismo, com a cumplicidade das autoridades atté o crime de um líder cultural na costa do Pacífico em Tumaco, deixando este ano (2019) como um dos mais violentos contra lutadores sociais. Com a cumplicidade do governo que mantém impunidade desses crimes que beneficiam os latifundiários, as máfias e a burguesia.

Mas esse ataque ocorre no meio de um processo de mobilização histórico na Colômbia desde o dia 21 de novembro, quando as centrais sindicais convocaram uma Paralização Nacional de 24 horas. Após essa manifestação massiva, tornou-se impossível frear as mobilizações, vigílias e expressões de protesto social em todo o país. Ainda que em menor grau, inclusive durante a temporada de festas diferentes expressões de luta e protesto foram mantidas.

A Colômbia depois do 21N não é e nunca vai ser a mesma. No entanto, esse aumento de lutas demonstrou a fraqueza da direção de nossas organizações sociais e políticas, mais interessadas em fazer acordos e dialogar com o governo do que em organizar trabalhadores e outros setores sociais para frear seus planos.

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Em 2020, os novos prefeitos e governadores vão tomar posse, muitos deles foram eleitos com um discurso contra a corrupção e o neoliberalismo, mas esses mandatários devem enfrentar o desafio de um país que não é mais o mesmo, de um país que aprendeu que a luta é nas ruas. E eles devem decidir se estão a serviço de governar com a burguesia corrupta e a favor dos planos de Duque ou se vão estar ao lado das lutas da classe trabalhadora e dos setores populares.

Os prefeitos são, de acordo com a lei, os chefes das polícias, eles terão o poder de decidir sobre continuar reprimindo as mobilizações com a ESMAD ( Esquadrão Anti-Protestos)  ou de fornecer garantias para protestos sociais.

Portanto, devemos preparar o Encontro Nacional de 30 e 31 de janeiro, organizar comitês de greve em todos os bairros, localidades, fábricas, grupos sociais em todas as cidades do país, eleger delegados.

Preparar esta atividade que deve definir uma greve geral nacional indefinida, onde consigamos paralisar a produção, contra o pacotão de Duque, contra reformas tributária, trabalhista e previdenciária, contra o massacre de lutadores sociais, por um verdadeiro aumento do salário mínimo e pelo desmantelamento do  ESMAD.

Também é necessário que o encontro seja deliberativo, reconhecendo o papel centralizador e a capacidade de convocatória o Comitê Nacional de Greve, não podemos negar suas fraquezas e erros, acreditamos que, devido à própria natureza do processo, eles não representam – nem poderiam fazê-lo – a todos os que estão lutando. As burocracias dos sindicatos atrofiadas, precisam entender que é hora de dar lugar à juventude.

Nós do Partido Socialista dos Trabalhadores, nos solidarizamos com as famílias dos lutadores sociais que foram assassinados, feridos ou mutilados por órgãos estatais e por grupos paramilitares que continuam atuando sob o olhar passivo do estado. A melhor maneira de expressar essa solidariedade é continuar as lutas até frear os planos do governo. A classe trabalhadora e os setores populares devem continuar esse processo de mobilização, para que 2020 seja um ano de lutas e vitórias.

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Tradução: Vitor Jambo