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Álvaro Uribe Vélez deve responder no Supremo Tribunal de Justiça pelo caso de manipulação de testemunhas contra o senador Iván Cepeda. Mas, enquanto o uribismo convoca marchas em apoio ao seu líder, a esquerda reformista convoca plantões de apoio às Cortes, mas a classe trabalhadora – que foi vítima dos crimes do ex-presidente – deve exigir dessas instituições, que até o momento, têm sido cúmplices de Uribe Vélez, que parem com a impunidade e determinem uma ordem de prisão imediata.

Por: Comitê executivo do PST – Colômbia

As bancadas do Polo Democrático, os Verdes e Colômbia Humana – UP chamaram a apoiar as instituições judiciais, acreditando na suposta independência de poderes do Estado burguês esquecem que as Cortes vêm garantindo a impunidade de Uribe Vélez desde os anos 80, quando ele foi diretor da Aeronáutica Civil e aprovou várias pistas de pouso ao Cartel de Medellín.

O arquivo de Uribe Vélez é diverso e contém denúncias de agressão sexual, manipulação de testemunhas, desaparecimento de arquivos, falso testemunho, difamação e insulto, suborno para obter votos parlamentares, fomento de grupos paramilitares, massacres de camponeses, favorecimento a empresários a partir de cargos públicos, colaboração com narcotraficantes como diretor da Aerocivil, homicídio de seu sócio e contraditor Pedro Juan Moreno, falsos positivos e um longo etc.

Seu pai esteve com pedido de extradição por ser suspeito de compartilhar negócios com o clã da máfia Ochoa, com quem ele tinha negócios. Seu irmão Santiago é investigado pela formação de um grupo paramilitar chamado Doze Apóstolos. Seus filhos são sócios de um negociante de sucata acusado de lavagem de dinheiro. Sua cunhada e sobrinha estão condenadas nos Estados Unidos por tráfico de drogas. Seu primo Mario está condenado por ligações com o paramilitarismo.

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E não apenas Uribe Vélez, também há acusações às pessoas ao seu redor: ministros, vice-ministros, secretários da Presidência, chefes do DAS /Departamento Administrativo de Segurança), chefes de segurança e altos comissionados. Todas essas investigações estão dormindo o sono dos justos nos tribunais regionais, nos tribunais superiores e na Comissão de Acusações do Congresso.

Os principais processos de Uribe Vélez começaram no Tribunal Superior de Medellín e passaram ao Supremo Tribunal de Justiça, onde não avançaram: os massacres de El Aro em 1996, La Granja em 1997 e o assassinato do defensor de direitos humanos Jesús María Valle em 1998. O outro caso que está no Supremo Tribunal Federal é a investigação dos golpes do DAS e, no total, há 16 casos neste órgão que estão em fase preliminar. No entanto, é a primeira chamada após quatro décadas de questionamentos, como a criação da Convivir (Cooperativa de Vigilância e Segurança Privada) e seus vínculos com grupos paramilitares, além dos casos de corrupção durante o governo que têm vários de seus seguidores próximos presos ou fugindo da justiça.

E enquanto o uribismo ameaça queimar o país se prenderem Uribe Vélez, o reformismo pede apoio para instituições que demonstraram permissividade com o uribismo e, em geral, com crimes cometidos contra a classe trabalhadora e os pobres.  Portanto, devemos chamar à mobilização para que Uribe Vélez seja aprisionado e que os outros processos contra ele mostrem avanços e resultados, sabendo que as instituições judiciais estão a serviço de um regime político e que uma prisão de Uribe Vélez representa arriscar sua estabilidade, porque ele representa um setor que obteve lucro através da desapropriação de terras e do deslocamento de comunidades.

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Tradução: Nea Vieira