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A decisão do governo de Álvaro Uribe de aceitar a imposição do imperialismo norteamericano de colocar as bases militares colombianas a disposição deles é um novo retrocesso político e democrático que tem graves consequências para os trabalhadores e os pobres do país e que, portanto, deve ser recusada e combatida por todos os explorados e oprimidos. As necessidades mesquinhas da burguesia nacional levaram o governo de Uribe a se ajoelhar novamente diante dos interesses estratégicos do imperialismo ianque.


 


A crise da economia norteamericana, sua perda de mercados e do monopólio de fontes de matérias primas baratas pela agressiva penetração do capital imperialista europeu no Continente; a proliferação de governos nacionalistas e de frente-popular mais difíceis de controlar; a persistência de organizações guerrilheiras como as FARC, consideradas pelo Pentágono como um perigo terrorista; a manutenção de altos níveis de produção e tráfico de drogas desde aliados chaves como México, Colômbia e Peru e, finalmente, a crise ambiental, que converte regiões como a Amazônia em zonas geoestratégicas, obrigou o governo de Barack Obama a redefinir a política que o imperialismo teve na década passada para a América Latina.


 


Obama está combinando em proporções diferentes a diplomacia com a intervenção direta nos países do seu “quintal”. Seu protagonismo marcado na última Cúpula das Américas permitiu-lhe recuperar a liderança política e diplomática. As reuniões bilaterais com os presidentes Lula do Brasil e Felipe Calderón de México serviram-lhe para retomar a iniciativa no terreno econômico e a mais recente com Álvaro Uribe para reafirmar sua hegemonia militar e sua capacidade de intervenção direta. As cartas de pressão econômica – o TLC e o Plano Colômbia – garantiram-lhe a autorização colombiana para fazer uso das bases militares para seus objetivos de manter uma presença estratégica do imperialismo no Continente; combater as guerrilhas e o narcotráfico e amedrontar os líderes incômodos, como Chávez, Correa e Evo Morales.


 


Vários fatores pesaram na decisão do presidente Uribe de permitir a presença e acionar as tropas norteamericanas a partir das bases em território colombiano: a necessidade de reafirmar sua posição como sócio privilegiado do imperialismo – que tinha se debilitado com a derrota eleitoral do Partido Republicano do ex-presidente Bush – a dependência econômica quase absoluta do investimento e do mercado ianque, a estreita relação entre sua bandeira política de “segurança democrática” e os dólares do Plano Colômbia, a obtenção da bênção do imperialismo para seu regime bonapartista como líder da direita latinoamericana em oposição ao bloco dos governos nacionalistas e frente-populistas e sua, não menos importante, conhecida abjeção à Casa Branca. Com essas premissas Uribe não era um aliado muito difícil de convencer.


 


Esse acordo de “cooperação militar” é, na realidade, um pacto contrarevolucionário que só favorece ao imperialismo e à burguesia continental mais reacionária. O imperialismo recupera a capacidade de ação e de intervenção que tinha perdido com o desmantelamento de seus efetivos da base de Manta no Equador. Assim Uribe fortalece as instituições mais repressivas de seu regime – os diferentes setores das Forças Armadas – e os governos mais reacionários da região – como o peruano – se reposicionam frente a seus vizinhos incomodamente nacionalistas e populistas.


 


O pacto militar entre Uribe e Obama não tem nenhuma das virtudes que lhe atribuem os jornalistas à custa dos grandes meios de comunicação. Não é um acordo para defender a democracia colombiana, é um pacto para consolidar o regime bonapartista de Uribe e aprofundar o ataque às liberdades dos trabalhadores e do povo; não é um acordo para elevar a luta contra o narcotráfico e o terrorismo, é um pacto para fortalecer a presença militar do imperialismo no Continente; não é um acordo para combater unicamente os inimigos internos das instituições burguesas, é um pacto sinistro para fazer retroceder os governos nacionalistas e frente-populistas em suas tímidas pretensões autonomistas e democráticas; e não é um acordo para aumentar a capacidade da Colômbia para se defender dos ataques de seus “poderosos inimigos internos e externos”, senão uma manobra política e militar do imperialismo, com a aberta cumplicidade de Uribe, para revestir de legitimidade seus planos de retomar o pleno controle sobre a totalidade dos governos e regimes da América Latina.


 


O golpe militar que derrubou Manuel Zelaya em Honduras e o pacto de utilização das bases militares colombianas não são dois fatos isolados, são parte de um único projeto do imperialismo para atacar as liberdades democráticas dos trabalhadores e dos pobres e, puxar a corda dos governos nacionalistas burgueses e frentepopulistas que saíram do seu controle. Esses fatos são partes do mesmo projeto imperialista que, pervertendo o triunfo democrático dos trabalhadores brasileiros, envolveu o governo de Lula em seus planos intervencionistas colocando-o à frente das forças invasoras da Minustha no Haiti, e logrou o compromisso de Álvaro Uribe de enviar tropas ao Afeganistão. Em época de crise, de disputa de mercados e zonas de influência, o imperialismo ianque não pode se permitir o luxo de afrouxar as rédeas em seu próprio quintal. Este é seu grande negócio contrarevolucionário: ajuda Uribe a apertar o cerco contra as FARC e legitima sua política repressiva, ao mesmo tempo em que alardeia medir forças com Chávez e Correa.


 


O plano do imperialismo só pode ser combatido, com possibilidades de sucesso, com a mobilização revolucionária unificada das massas operárias e populares latinoamericanas. Todas as direções políticas, revolucionárias, sindicais e populares do Continente têm que organizar uma mobilização que, desde o México até a Patagônia, apóie a luta dos trabalhadores hondurenhos até derrubar o governo golpista de Roberto Micheletti, que exija, em uma só voz, o desmantelamento das bases militares do imperialismo no nosso Continente, a saída dos mercenários ianques das bases colombianas e a retirada das tropas invasoras de Haiti. Necessitamos de uma mobilização que, além disso, supere as vacilações das direções nacionalistas burguesas de Zelaya, Chávez, Correa e Morales que se limitam a vociferar contra “o império” e chamar de “traidor” a Uribe, mas que na verdade paralisam a mobilização independente dos trabalhadores contra as agressões ianques.


 


Os trabalhadores latinoamericanos não podem cair nas armadilhas imperialistas e nacionalistas que nos dividem e que, de fato, nos colocam diante do perigo do confronto armado fratricida propiciado pelos interesses privados das burguesias nacionais; temos que nos unir em uma só luta contra os inimigos comuns: o imperialismo e o capitalismo explorador. Não podemos ceder nem à propaganda perversa do imperialismo nem ao clamor nacionalista que nos dividem e nos afastam dos que devem ser os reais objetivos de nossa luta: a Revolução Socialista em todos nossos países e a construção da Federação das Repúblicas Socialistas da América Latina.


 


ü       Não ao pacto contrarevolucionário de Obama e Uribe!


ü       Fora os soldados ianques das bases militares colombianas!


ü       Abaixo o governo golpista de Roberto Micheletti!


ü       Fora as tropas invasoras da Minustha do Haiti!


ü       Desmantelamento de todas as bases ianques na América Latina!


ü       Rompimento de todos os pactos militares com o imperialismo!


ü       Mobilização continental operária e popular contra os planos imperialistas!


ü       Viva a Revolução Socialista!


ü       Por governos operários e populares que construam a Federação Socialista Latinoamericana!


 


Partido Socialista dos Trabalhadores


Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)


Bogotá, 29 de julho de 2009