COMPARTILHAR

Vários fatores determinam hoje a situação política nacional. De um lado o governo teve que reconhecer que a crise econômica mundial perfurou a blindagem de papelão da economia colombiana. Diversos setores da produção estão paralisados e os empresários para protegerem seus lucros demitem massivamente os trabalhadores. Para prevenir o colapso, Uribe decidiu pedir um crédito ao FMI de US$ 10.500 milhões, incrementando em 15% a dívida pública e em 22% a dívida externa.


 


Por outro lado os escândalos continuam cercando o Palácio de Narino com a descoberta definitiva do DAS [1] como instrumento de perseguir a oposição – incluída a cúpula do poder judicial – o carrossel incessante da parapolítica, a corrupção do Executivo, começando pelos filhos do Presidente e a pavorosa multiplicação dos “falsos positivos” [2].


 


À crise econômica, política e moral do establishment [3] se soma agora a crise do Pólo Democrático Alternativo [4], no qual muitos trabalhadores e democratas depositaram suas expectativas de solução à decomposição crônica de nossa sociedade. A saída de Lucho Garzón e a polarização entre dois de seus caudilhos, Carlos Gavira e Gustavo Petro, por um volátil fluxo de votos colocou em evidência as limitações insuperáveis de seu programa de colaboração de classes e defesa do Estado burguês.


 


O desgaste do Pólo não seria tão grave, inclusive poderia ser positivo, se não tivesse como correlato a desarticulação das bases trabalhadoras, conduzidas majoritariamente por direções sindicais e populares aprisionadas por sua estratégia eleitoreira. Ou seja, em meio à crise do Pólo não se vislumbra uma ruptura significativa que questione sua estratégia política e que oriente à luta revolucionária com o método da mobilização de massas, postulando-se como uma nova direção para os trabalhadores.


 


Temos presenciado diversos conflitos sindicais, os mais importantes deles a greve de 17.000 trabalhadores dos bananais e a negociação da reivindicação de 250.000 professores públicos, sem que se busque coordená-los em uma ação nacional de luta que, aproveitando a crise nas altas esferas do poder, bloqueie definitivamente a estratégia reeleitoreira do uribismo [5] e quebre o regime autoritário da Segurança Democrática.


 


Nos próximos meses se definirá se as lutas de resistência se manterão desarticuladas e o inconformismo crescente será conduzido ao beco eleitoral ou se concretizará uma greve geral contra o governo. Os trabalhadores e os pobres deverão apostar na mobilização, lutando para que a direção do movimento vá além dos seus limites.


 


Abstenção ativa ou mobilização de massas?


 


Sem pressa, porém sem pausa, aos poucos está se construindo à reeleição de Uribe. Todos sabem que a “encruzilhada da alma”, que amarra o Presidente não vai além de garantir o controle total do aparato do Estado para os setores mais retrógrados da burguesia incrustados no poder, começando pelo banqueiro Luis Carlos Sarmiento Ângulo, um dos homens mais ricos do mundo, chefe em um país em que 60% da população afundam na pobreza. Eles sabem que o problema não é o nome do presidente, senão a continuidade do regime autoritário que encarna denominado com o cínico pseudônimo de Segurança Democrática.


 


Na medida em que a crise se agudiza em todos os aspectos da vida social, torna-se mais necessário um aparato estatal repressivo que dê garantias aos privilegiados. Por isso a “flamejante” oposição, desde César Gaviria, homem de confiança do imperialismo e pai do neoliberalismo colombiano, até Lucho Garzón, recém fugido das filas do Pólo, estão de acordo em que há que dar segurança a Segurança Democrática.


 


Por isso limitam sua estratégia a convencer os trabalhadores e os pobres que basta a saída de Uribe do governo e que isto se conseguirá abstendo-se no referendo para a reforma Constitucional.


 


 


Nós, socialistas, ao contrário, afirmamos que devemos derrubar o governo e destruir o aparato institucional autoritário em que se apóia, impondo com a mobilização das massas um regime democrático que dê uma resposta imediata aos problemas mais urgentes da população: emprego, salário, terra e liberdade.


 


A derrota eleitoral de Uribe, sem mobilização, só facilitará o acesso à presidência de Juan Manuel Santos, ou a outro dos clones do uribismo, enquanto a oposição reparte entre si as sobras e os capitalistas seguem descarregando a crise sobre os trabalhadores.


 


A única possibilidade de não cair na armadilha eleitoral burguesa é estimulando a mobilização de protesto, as lutas dos trabalhadores e a coordenação dos conflitos e nesse processo fortalecerem nossas organizações sindicais e construir uma alternativa política revolucionária.


 


Notas:


[1] Departamento Administrativo de Segurança, serviço de inteligência do governo;


[2] “falsos positivos”: assassinatos por parte da policia ou do exército, falsificando o caráter guerrilheiro dos assassinados.


[3] Grupo sociopolítico que exerce sua autoridade, controle ou influência, defendendo seus privilégios; ordem estabelecida, sistema.


[4] Frente de oposição de centro esquerda;


[5] Corrente política do atual presidente conservador, Álvaro Uribe.