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Aos 100 anos da mais importante revolução operária da história, a Revolução Russa, e tomando como exemplo os bolcheviques que impuseram um governo operário em 1917, diversos setores se reuniram em uma jornada de dois dias, em 20 e 21 de maio.

Por: MIT

Estavam presentes companheiros que foram militantes da Izquierda Comunista, outros independentes e de várias gerações, entre eles lutadores contra a ditadura, jovens estudantes que foram parte da Revolução dos Pinguins, as mais importantes mobilizações estudantis dos últimos anos, mulheres que têm dado uma dura batalha contra o machismo e por “Nenhuma a Menos”, além de operários de setores estratégicos da produção chilena, companheiros que viajaram de diversas regiões e da capital.

Assim, no começo do sábado, 21, delegados e convidados iniciaram uma rica discussão dos documentos estudados durante vários meses, em uma verdadeira ação de democracia. Concordamos em encerrar os debates e votar as resoluções políticas, organizativas e de construção na refundação de uma organização que lutará sem descanso pela revolução socialista, tal como fez o Partido de Lênin e Trotsky na Rússia. Uma organização que nada tem a ver com os falsos socialismos do Século XXI, que correntes como o chavismo da Venezuela pretendem nos impor: pelo contrário, o socialismo que defendemos é aquele da economia planificada, da expropriação da burguesia, colocando as empresas sob o controle dos trabalhadores, com métodos de democracia operária.

América Latina e o mundo presentes neste Congresso

Estamos convencidos que os trabalhadores e o povo são explorados da mesma forma em todas as partes, por isso dizemos que assim como é urgente construir partidos revolucionários em cada país, também é necessário e urgente construir uma organização internacional para enfrentar os planos dos empresários e dos governos.

Com essa convicção é que o Congresso discutiu a situação da América Latina, enchendo de entusiasmo os participantes, através do informe feito pelo convidado internacional que falou sobre as lutas travadas no Brasil, na Argentina, no Paraguai, na Colômbia e na Venezuela, onde os trabalhadores e as massas saem aos milhares para enfrentar os governos, o parlamento e as burocracias sindicais, a quem, com mobilizações, têm obrigado a convocar importantes greves gerais.

Esse ponto do Congresso ratificou a convicção de cada um dos presentes que, para o MIT, não é possível defender os direitos dos trabalhadores e do povo do Chile sem nos unirmos às lutas e reivindicações dos trabalhadores de todo o mundo. É por isso que estamos orgulhosos de pertencer à Liga Internacional dos Trabalhadores, que foi fundada por Nahuel Moreno e que conta com organizações irmãs em vários países e continentes.

As tarefas urgentes para o MIT

Realizamos esse árduo trabalho num momento histórico em que vemos que as instituições do sistema capitalista já não podem responder às necessidades do povo trabalhador, que os governos cada vez mostram com maior clareza que são meros administradores das riquezas dos poderosos (o que podem conseguir com o apoio dos partidos políticos tradicionais) e que opções como a Frente Ampla, ainda que com novos rostos, somente oferecem um conjunto de reformas dentro do mesmo velho e desgastado sistema capitalista, e por isso não são alternativas para o povo trabalhador. É por isso que, no terreno eleitoral, nossos esforços prioritários serão pela apresentação de candidaturas operárias independentes, que levantem um programa a serviço da classe trabalhadora e que proponham a tarefa de lutar por um governo dos trabalhadores. Em casos excepcionais, chamaremos a votar criticamente nos candidatos NÃO burgueses e que tenham pontos em comum com nosso programa.

Estamos felizes de ter realizado um Congresso muito produtivo, ratificando que o MIT nasce para lutar pela independência de classe, pela democracia operária e contra as burocracias de todo tipo. Realizaremos esse combate político incansavelmente, em todos os setores nos quais atuamos: sindicatos, centros estudantis, associações de moradores etc.

Continuaremos lutando pela renacionalização do cobre com o controle dos trabalhadores, pelo fim da AFP, por “Nenhuma a Menos”, pela educação e saúde gratuitas, pela autodeterminação e autonomia do Povo Mapuche, pelo aumento dos salários e por moradia digna. Para isso, promovemos a mobilização permanente e nas ruas porque não acreditamos nessa democracia burguesa e não cremos que pela via das eleições resolveremos nossos problemas. Lutaremos incansavelmente por uma greve geral que derrote as políticas dos corruptos – empresários e seus governos -, e instaure um governo dos trabalhadores e do povo, que conquiste o poder e construa o socialismo: é para isso que nasceu o Movimento Internacional dos Trabalhadores.

Em breve colocaremos em suas mãos nosso novo jornal A Voz dos Trabalhadores. Pretendemos que nele se expressem as lutas e a opinião dos que enfrentam a este e a todos os governos dos patrões, e o convidamos a assiná-lo. Esperamos que mês a mês um militante do MIT esteja em sua porta levando notícias das greves, assembleias e mobilizações de diversos pontos do país e do mundo.

Com essa proposta é que fazemos um convite fraternal a nos conhecer, a ser parte do MIT, a se organizar com a gente ou a se converter em um apoiador. E que construamos uma grande organização revolucionária que lute sem descanso pela libertação total de toda opressão e exploração, ou seja, pela Revolução Socialista!

Tradução: Paula Parreiras