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Hoje em dia os preços dos alimentos, transportes e medicamentos aumentam. Viver está se tornando mais caro a cada dia. A taxa de desemprego também aumenta. A única coisa que não sobe é o salário. Agora o governo e os empresários querem reduzir a indenização por anos de serviços. E se nos manifestamos contra isso, sofremos repressão brutal. Será que esses são os tempos melhores? Ao contrário de tudo que Piñera prometeu em sua campanha, não vemos nenhuma mudança para melhor.

Por: MIT-Chile

Aumento dos preços

Podemos ver facilmente refletido o aumento dos preços, tanto dos alimentos como dos serviços. O índice oficial de inflação, o IPC, de acordo com dados oficiais, não deve exceder 3,1%. No entanto, o que vemos no final parece ser muito mais do que isso.

Vamos dar alguns exemplos. Hoje, em Santiago, a passagem do ônibus custa 680 pesos, enquanto o metrô nos horários de pico está em 780 pesos. E pensar que em 2009 o ônibus custava 400 e o metrô 460. O valor da passagem está longe da capacidade monetária do trabalhador, é uma questão de andar no metrô por volta das 18h, quando a mudança de tarifa é anunciada, imediatamente se vê um mar de pessoas correndo para economizar alguma coisa. Nessa situação, os parlamentares e políticos mostram sua total ignorância, como demonstra uma reportagem da TVN em que os deputados são entrevistados sobre o preço da passagem do metrô, e há deputados que dizem que custa 290 pesos, outros 350, mostra que eles são uma casta privilegiada que nunca, em sua vida, utilizam o transporte público.

A gasolina que está cada vez mais cara e já passou os 800 pesos. As universidades não param de aumentar suas mensalidades. A Universidade do Chile, por exemplo, vai aumentar os preços em quase 10% em várias cursos!

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Uma reportagem do El Mercurio de setembro de 2018 mostrou como os preços dos remédios mais vendidos subiram até 89% desde 2014, ou seja, quase dobraram de valor. Antes uma pessoa diabética gastava, em média, 9.599 pesos por uma caixa de 30 comprimidos de 750mg de Glafornil. Quatro anos depois, a mesma pessoa tem que gastar mais 17.995.

Salário e a farsa dos novos empregos

E o salário aumentou na mesma proporção? O salário mínimo subiu 12 mil pesos! Quase uma piada para os trabalhadores.

A consequência disso é que milhões de trabalhadores têm que se endividar para sobreviver. Hoje existem mais de 11 milhões de pessoas endividadas, das quais mais de 4 milhões são devedoras inadimplentes.

O desemprego continua aumentando. Os empregos prometidos nunca se tornaram realidade.

Reformas para piorar nossas vidas

Agora, o governo propõe a aprovação de uma nova reforma previdenciária e outra reforma trabalhista.

No caso da reforma previdenciária, o governo quer que as AFPs continuem administrando nossas aposentadorias e agora vai colocar mais empresas para lucrar nossa aposentadoria. Enquanto milhões de trabalhadores dizem NÃO + AFP, o governo propõe MAIS AFP.

E olho! As mudanças na lei trabalhista prometem ser ainda pior. O governo já anunciou que quer mudar as indenizações por anos de serviços. Hoje, um trabalhador que trabalhou com um contrato pode, caso seja demitido, receber até 11 salários por ano trabalhado. O que os empresários e o governo querem é reduzir para 4 ou 5 salários no máximo. Dizem que hoje os empregadores não geram emprego porque é muito caro contratar e demitir trabalhadores. Isso é uma piada. Como se o desemprego, os baixos salários e o emprego precário fossem culpa dos trabalhadores!

Outros pontos que provavelmente serão abordados na reforma dificultarão ainda mais a organização dos trabalhadores, a eficácia das greves, etc.

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O governo está anunciando que a reforma trabalhista será apresentada nos próximos meses.

Nós, os trabalhadores não aceitamos essa situação

Há lutas e greves em todo o país. Enquanto escrevemos este artigo, está acontecendo a combativa greve dos estivadores em Valparaíso. Há também greves na Fundação Integra, nos setores de varejo, na fábrica da CIC em Maipú e várias outras. Isso porque os patrões não querem dar um décimo de seu lucro em aumentos salariais, abono e outros benefícios. Os trabalhadores não vão aceitar retrocessos.

É fundamental que as centrais sindicais, federações e confederações discutam um plano de lutas para unificar os trabalhadores do norte ao sul do país para defender nossos direitos e arrancar conquistas.

Não podemos aceitar calados os ataques ao direito de greve, a redução das indenizações por anos de serviço e que nosso dinheiro permaneça nas mãos das AFPs. Como trabalhadoras e trabalhadores, temos que nos organizar nas empresas, no setor público e nos bairros. Devemos exigir que os dirigentes sindicais e sociais estejam à cabeça dessa luta. Se não, eles devem ser derrubados!

A única resposta do governo: Repressão

A única resposta que o governo dá hoje é a repressão. A proposta do governo para a educação? Polícia. A resposta do governo aos trabalhadores? Polícia. A proposta do governo para o povo mapuche? Polícia.

O “suicídio” realizado pelo governo de Alejandro Castro em Valparaíso, a morte do jovem Camilo Catrillanca, agora outro “suicídio” de um dirigente sindical florestal em Concepción. Não podemos aceitar essa política. Exigimos a investigação dos assassinatos e a condenação de todos os envolvidos – dos mandantes àqueles que cometeram os crimes.

Não podemos aceitar que invadam as escolas para prender estudantes! Chega dessa política repressiva. Temos que unificar a luta dos trabalhadores em greve, estudantes, pais e responsáveis para dizer basta a este governo e empresários.

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Piñera, ex Nova Maioria e empresários de mãos dadas

A política de Piñera  é uma continuação da política governamental da antiga Nova Maioria. No governo anterior, líderes mapuches e líderes sociais também foram assassinados. As reformas de Bachelet também tornaram pior a organização dos trabalhadores. Nada foi feito para acabar com o assalto das AFPs. Aqueles que hoje dizem que são oposição na verdade são mais do mesmo. Só podemos confiar na força da classe trabalhadora organizada.

Organizar a luta para melhorar nossas vidas

Não vamos aceitar nenhum direito a menos!

Temos que lutar para acabar com o Código do Trabalho que não serve aos trabalhadores. A luta em defesa de nossos direitos também deve ser para melhorar nossas condições de vida.

Exigimos um aumento do salário mínimo para 500.000 pesos e que as 100 empresas com os maiores lucros financiem esse aumento.

Redução da jornada de trabalho sem diminuir os salários para que os trabalhadores e trabalhadoras tenham vida e para que tenha mais empregos!

Chega de aumentos de preços, que os empresários paguem com seus lucros o aumento do custo de vida!

Façamos como os “coletes amarelos” na França!

Nem Piñera nem o parlamento resolveram nossos problemas

Unificar as lutas para conquistar nossas reivindicações!

Fortalecer a organização da classe trabalhadora para avançar para um governo dos/as trabalhadores/as sem patrões nem empresários!

Tradução: Tae Amaru