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Há um enorme descontentamento e indignação da classe operária, dos trabalhadores, do povo pobre e dos milhões de desempregados do nosso país, especialmente entre os setores mais explorados e oprimidos da classe trabalhadora – negros, mulheres e LGBTs –, submetidos, junto com a exploração, à opressão e a uma enorme violência.

Por: PSTU-Brasil

A guerra social levada adiante pelos patrões, por seus governos e pelo Estado burguês podre, falido e em crise penaliza ainda mais os de baixo para garantir os lucros dos de cima. O menos de 1% da população – que os são donos de bancos, grandes empresas, redes de supermercados, agronegócio, multinacionais – e seus políticos corruptos, com sua Justiça de classe, jogam a crise capitalista nas nossas costas, retiram direitos, ceifam empregos, desmantelam os serviços públicos e produzem um ambiente de enorme violência, barbárie e insegurança. Para manter sua dominação, eles aumentam a repressão contra pobres, negros e aqueles que lutam.

Os de baixo estão lutando. Lutas que, muitas vezes, não se unificam por conta da ação de contenção ou de divisão, promovida por burocracias e direções políticas que privilegiam as eleições, a democracia dos ricos e a defesa desse sistema. Existe, porém, uma panela de pressão no fogo, porque a vida embaixo está cada vez pior, e a classe trabalhadora e o povo pobre têm disposição de luta. O país pode ter uma explosão social.

A intervenção militar de Temer no Rio de Janeiro, além de objetivos eleitoreiros, visa o controle social e a repressão interna, como foi em todas as participações de militares na repressão ao longo dos anos. Mas ela está sobre um barril de pólvora.

Os assassinatos de Marielle e Anderson provocaram uma comoção nacional e acenderam a chama da revolta que pode incendiar o Rio e todo o país. Em São Paulo, no mesmo dia da execução, antes das mortes de Marielle e Anderson, as cenas de professoras ensanguentadas pela repressão da polícia de João Doria e Geraldo Alckmin (PSDB) também geravam revolta. Levaram, no dia 15, mais de 50 mil às ruas.

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Na noite do dia 15, mais de 60 mil pessoas tomaram as ruas do Rio, e os protestos contra as execuções se espalharam pelo país e viraram destaque na imprensa de todo o mundo. Em São Paulo, um novo ato no final da tarde levou outros milhares às ruas. O título do artigo de Wagner Damasceno, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU, “Acender uma vela que incendeie a casa grande”, indica o caminho.

Parte da extrema direita calunia Marielle na internet. A maior parte da burguesia, do governo e da mídia, porém, com a Rede Globo à frente, atua como se fosse parte da indignação para sequestrar os caminhos da revolta e preservar a casa grande. Todos que defenderam a intervenção militar e construíram esse caos de violência e crise social se comportam como se também fossem vítimas. Manipulam a indignação para contê-la dentro dos limites da democracia dos ricos e tentam usar o assassinato da Marielle para preservar e defender a intervenção que ela combatia e denunciava.

O jornal O Globo publicou um editorial contra “politizar e sectarizar” o assassinato. O objetivo é criar um clima de unidade nacional. Como se a Globo, Temer, o Congresso Nacional e a Justiça tivessem os mesmos interesses que os trabalhadores. Esses senhores são responsáveis pelo desemprego, pela insegurança e pela violência. O assassinato de Marielle e de milhares de lutadores, o genocídio da juventude pobre e negra da periferia, o racismo, o machismo, a LGBTfobia são produto dessa democracia dos ricos e do capitalismo.

A burguesia sabe que Temer, Pezão e a intervenção estão em xeque com a comoção e a revolta que essa execução causou. Sabem que sopram ventos das jornadas de junho. Por isso, a Globo e Temer, que patrocinam a intervenção para reprimir o povo pobre, solidarizam-se com a onda de indignação para fazê-la morrer na praia. O objetivo deles é evitar a explosão social, conter os de baixo para manter os lucros dos de cima.

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Para acabar com a violência, o desemprego e a insegurança, é preciso acender a chama da Rebelião. É preciso emprego, salário, moradia, saneamento básico, educação e saúde. É preciso acabar com o tráfico, legalizando as drogas e colocando-as sob controle do Estado. Para acabar com as milícias, é preciso desmilitarizar a PM e garantir a autodefesa dos trabalhadores nos bairros.

Para viver com dignidade e em paz, o mínimo a que temos direito, é preciso organizar os de baixo para derrubar os de cima. Apenas com os operários e o povo pobre no poder, governando em Conselhos Populares, será possível garantir essas medidas. Para isso, precisamos de uma revolução socialista.

Precisamos discutir um projeto socialista e organizar o povo nas fábricas, nas favelas, nas ocupações, nas escolas, nos hospitais e os desempregados, porque é hora de acender a chama da Rebelião.