COMPARTILHAR

Vice Mourão chegou a criticar falta de mira dos soldados

Por: PSTU Brasil

Após seis dias de absoluto silêncio, o presidente Bolsonaro finalmente deu uma declaração sobre a família fuzilada no Rio de Janeiro no último domingo, 7, pelo Exército. A família, que seguia para um chá de bebê dentro de um veículo em Guadalupe, zona norte da cidade, foi atingida por 80 disparos que matou o músico Evaldo Rosa dos Santos, 51.

O Exército não matou ninguém, não. O Exército é do povo e não pode acusar o povo de ser assassino, não. Houve um incidente, uma morte“, declarou o presidente durante a inauguração de um aeroporto em Macapá (AP). Se não foi o Exército, resta saber então quem assassinou Evaldo. A declaração de Bolsonaro é um verdadeiro tapa na cara da população indignada com a selvageria praticada pelo Exército contra uma família negra que simplesmente passeava num domingo.

Bolsonaro vinha sendo cobrado para se posicionar sobre o fuzilamento. Quase uma semana e nada, embora o presidente tenha se preocupado em defender um conhecido humorista machista e racista condenado por injúria. Seu porta-voz, general Rêgo Barros, já havia se referido ao fuzilamento como “incidente”. Mesmo termo repetido pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o próprio ministro da Justiça, Sérgio Moro. Agora, Bolsonaro vai além do que parece ser a posição do governo, de que fora tão somente um “incidente”, para afirmar que o “Exército não matou ninguém”.

Essa posição do governo em passar pano para o brutal assassinato de Evaldo e o fuzilamento da família tenta tirar a responsabilidade do Exército e de si próprio sobre o caso. Como se a política e as declarações de Bolsonaro, assim como as do governador Wilson Witzel (PSL), não fossem uma carta branca e, mais que isso, uma determinação informal para o Exército e a Polícia Militar aprofundar sua política de atirar primeiro para perguntar depois. E, ao contrário do que tentam parecer, 80 tiros não foi um engano. E o fato das vítimas serem negras, tampouco. É o acirramento do genocídio negro em nosso país, e em particularmente no Rio.

Leia também:  Dia 30 de maio, estudantes e professores prometem tomar as ruas novamente em defesa da Educação

Se a fala de Bolsonaro é surreal, o vice-presidente Hamilton Mourão, conseguiu ir além. Chegou a criticar a falta de preparo dos militares, mas não em executar sumariamente uma pessoa e fuzilar uma família na rua. Mourão criticou a falta de mira dos militares. “Só uma pessoa foi atingida, foram disparos péssimos“, afirmou. “Se fossem disparos controlados e com a devida precisão não teria sobrado ninguém dentro do veículo“, completou, por mais incrível que isso possa parecer.

Vários protestos estão sendo convocados pelo país contra o fuzilamento e a execução de Evaldo, e contra o genocídio do povo negro. Em São Paulo ocorre no próximo domingo, às 14h, no Vão do Masp.