COMPARTILHAR

O dia 15 de maio entrou para a história como o “tsunami” em defesa da Educação, ao levar para as ruas de norte a sul do país milhões de manifestantes, e a luta não vai parar por aí. Estudantes, professores e trabalhadores da Educação estão convocando para o dia 30 de maio um novo dia de protestos.

Por: CSP Conlutas

A preparação do novo dia de luta foi tema de reunião na última sexta-feira (17), que contou com representantes de entidades como o ANDES-SN, CNTE, FASUBRA, FENET, SINASEFE, UBES e UNE.

Será mais um dia de luta para repudiar os cortes que o governo Bolsonaro está impondo no Orçamento da Educação, da educação básica às universidades, e vários outros ataques que atentam contra a liberdade de cátedra e de expressão e qualidade do ensino no país.

Na próxima quarta-feira (22), as universidades programam um dia de “universidade na rua” como preparação para o dia 30.

Intervenção nas universidades

Só a luta, de fato, poderá dar um basta aos desmandos desse governo de ultradireita.

Não bastasse ter reagido às manifestações que levaram milhões de pessoas às ruas no dia 15 com xingamentos e desprezo pela democracia, Bolsonaro seguiu com ataques às universidades.

Em resposta aos atos, o governo editou o decreto 9.794/2019, que estabelece que a Secretaria de Governo, sob o comando do general Santos Cruz, irá investigar a vida pregressa de candidatos à reitorias e diretorias de universidades federais, com o auxílio da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O decreto retira ainda dos reitores a autonomia para designar vice-reitores, pró-reitores e outros cargos de gestão e as indicações também deverão ser aprovadas pelo ministro chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz.

Leia também:  30M: Mobilizações pela Educação fortalecem Greve Geral de 14 de junho

A atual legislação já proíbe que pessoas que tenham cometido crimes contra o Estado de assumir cargos como reitorias. Portanto, o novo decreto visa é intervir na autonomia das universidades públicas e impor uma perseguição ideológica. Questões como filiações partidárias, participação em sindicatos ou até o tema da tese defendida poderão ser elementos para que “um general ou presidente da República digam se alguém pode ou não se candidatar a tal cargo”.

Cortes vão afetar até hospitais

Diante da revolta contra os cortes na Educação, Bolsonaro mente e tenta enganar a população dizendo que não se trata de “cortes”, mas “contingenciamentos” temporários. Mentira.

O corte de 30% nos recursos da Educação atinge toda a rede de educação, da Educação Básica às Universidades. Mas não é somente nas salas de aula que esse corte trará efeitos. O atendimento em hospitais universitários será praticamente inviabilizado com a medida tomada pelo governo Bolsonaro.

Segundo levantamento feito pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), cerca de R$ 40 milhões de recursos para obras de três hospitais, em Natal (RN), Palmas (TO) e Dourados (MS), foram bloqueados, o que irá impedir o atendimento a 2,7 milhões de pessoas.

Rumo à Greve Geral dia 14 de junho

As mobilizações em defesa da Educação preparam o caminho para a Greve Geral contra a Reforma da Previdência convocada pelas centrais sindicais.

No dia 14 de junho, vamos parar o Brasil e enterrar de vez o projeto da reforma que acaba com as aposentadorias dos brasileiros, bem como dar um basta aos ataques do governo de ultradireita de Bolsonaro.