COMPARTILHAR

Saída do Brasil de Pacto de Migração da ONU é considerado pelo movimento um duro ataque do governo Bolsonaro contra os migrantes  

Por: CSP Conlutas

Na tarde de quarta-feira (9), na sede da CSP-Conlutas Nacional, em São Paulo, migrantes haitianos e venezuelanos se reuniram para discutir a política do governo Bolsonaro e os impactos da ruptura com o Pacto Global para Migração da ONU.

Estiveram presentes membros da USIH (União Social dos Imigrantes Haitianos) e da ANIV (Associação Nacional dos Imigrantes Venezuelanos).

O movimento debateu a necessidade de organização do setor para se defender dos ataques aos seus direitos, além de deliberar os encaminhamentos para a fundação da sub-sede da ANIV neste domingo (13), em São Paulo.

Outra importante resolução da reunião se concretizará em uma plenária, convocada diante da notícia da ruptura do governo com o Pacto Global, para discutir, em conjunto com a Central, a organização da luta contra os ataques de Bolsonaro  e dos governos anti-migração.

Para essa assembleia será esperada a participação de migrantes de variados países, visando a construção de um movimento mais forte e diverso.

Reunião com a presença de migrantes haitianos e venezuelanos na sede nacional da CSP-Conlutas | Foto: Claudia Costa

Para Wilson Ribeiro, membro do setorial internacional da CSP-Conlutas, a saída do Brasil do Pacto Global revela a postura política do governo em relação aos migrantes. “Isso já nos mostra que a ação tem muito mais a ver com a restrição ou até tentativa de expulsão dos migrantes do país. Se alinha diretamente com a política para migrantes adotada por Trump nos Estados Unidos”, denuncia o dirigente.

Além dos migrantes, o Wilson afirma que a participação de brasileiros é fundamental, uma vez que é a partir desse “debate que é possível combater a xenofobia e fortalecer o setor, que deve exigir do governo a volta ao pacto”, afirma.

Leia também:  Moção de solidariedade aos presos políticos sírios

Convocada pela Central, USIH e ANIV, a plenária conjunta dos migrantes acontecerá no dia 16/01, próxima quarta-feira, na sede da CSP-Conlutas SP, às 18horas.

Chamamos a todos os setores de migrantes para essa discussão. Vamos unir latino-americanos e caribenhos, africanos, árabes, e outros, para fortalecer o internacionalismo nessa luta.

A Central também divulgará, em breve, uma Nota de Repúdio, em conjunto com as associações de migrantes mobilizadas, frente a ruptura do Brasil com o pacto internacional da ONU.

Entenda mais sobre a saída do Pacto

O mundo tem vivido intensa crise humanitária com relação ao fluxo migratório. Por diversos motivos, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), há cerca de 260 milhões migrantes no mundo. Dezenas de milhares deles morrem no percurso de fuga ou de saída de seus locais de origem.

E foi exatamente para garantir migração mais regular e segura que o Pacto Global para a Migração da ONU foi firmado ao longo de quase dois anos.

Menos de um mês após sua concretização, o governo Bolsonaro decidiu não implementar o documento sob o pretexto de prejudicar a soberania e a segurança. Mesmas justificativas dada incessantemente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que enfrenta forte oposição no Congresso para aprovar orçamento e construir seu muro na fronteira do país com o México.

Vale lembrar que a medida de Bolsonaro não somente afeta aos migrantes que aqui chegam, como também atinge a brasileiros que buscam oportunidades em outros países e que, agora, perdem segurança e proteção garantidas pelo Pacto Global.

Segundo dados, de 2016, do Ministério das Relações Exteriores, cerca de 3 milhões de brasileiros moram no exterior. Para cada migrante internacional no Brasil, há dois brasileiros vivendo no exterior.

Leia também:  Moção de Repúdio ao Assassinato dos ativistas sírios Raed Fares e Hamoud Jneed

A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA NÃO TEM FRONTEIRAS!

NENHUMA PESSOA É ILEGAL!

ABAIXO A XENOFOBIA!