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“O Chico era um socialista convicto. Era um libertário. Não tinha nada a ver com esse negócio de ONG”, explica Osmarino Amâncio, contestando a história contada pelos governos do PT à frente do estado desde 1999.

Por: Jeferson Choma

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No interior da floresta tropical, Chico acalentava o sonho de construir uma sociedade socialista que integrasse todos os povos numa só irmandade. Quando jovem, aprendeu a ler e escrever com o militante comunista Euclides Távora, que participara do levante comunista de 1935 em Natal e da Revolução de 1952 na Bolívia. Távora se refugiou na floresta e apresentou os primeiros livros de Lenin para Chico. Foi ele também que alertou o jovem seringueiro que no futuro ele precisaria liderar seu povo e construir sindicatos, uma vez que a ditadura militar iria se enfrentar com os seringueiros tentando expulsá-los da floresta.

Em 1976, Mendes virou vereador em Xapuri pelo então MDB, único partido legal de oposição à ditadura. Mas em 1979 já dizia que estava farto do jogo parlamentar e proclamou, em entrevista ao jornal “O Varadouro”, que havia decidido voltar “a quebrar castanha para estar do lado dos seringueiros“.

“Por achar que a tribuna da Câmara não dá solução para o trabalhador e por achar que o político que realmente se compromete com a luta do trabalhador deve estar ao seu lado, decidi, então, ir quebrar castanha para estar do lado dos seringueiros, dizia.

Nessa época foi secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Brasileia, e em 1984 tornou-se presidente do STR de Xapuri, onde faria história. Também fundou a CUT no estado e foi um dos principais articuladores do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), criado em 1985.

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Em Xapuri, liderou novos “empates”, um dos mais célebres foi o do Seringal Cachoeira, que havia sido comprado por Darly Alves da Silva. A ação durou dias e terminou vitoriosa quando o seringal foi desapropriado. Porém, agravaram-se as ameaças de morte contra Chico que, por várias vezes, veio a público denunciar seus intimidadores. Chico escreveu inúmeras cartas às autoridades policiais, denunciou seus algozes em inúmeras entrevistas publicadas na imprensa. Talvez nenhuma morte fosse tão anunciada quanto a sua. Chico queria viver.

“Se descesse um enviado dos céus e garantisse que minha morte fortalecerá nossa luta, até valeria a pena. Mas a experiência me mostra o contrário. Então quero viver, escreveu a poucos dias de ser assassinado.

O fazendeiro Darly Alves e seu filho, Darcy Alves, aliados à UDR, tramaram sua execução, realizada no dia 22 de dezembro de 1988.

Antes de morrer, em meio a inúmeras cartas e bilhetes que escrevia, Chico deixou um entusiasmado recado para as gerações do futuro no qual deixa escancarada a sua determinação em lutar por uma sociedade socialista, sem opressores nem oprimidos.

“Atenção jovem do futuro – 6 de setembro do ano de 2120, aniversário do primeiro centenário da revolução socialista mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista, e que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade. Aqui ficam somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte. Desculpem. Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos que eu mesmo não verei. Mas tenho o prazer de ter sonhado”.

Leia o Especial 30 anos sem Chico Mendes no site do PSTU