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Enquanto eram divulgadas as primeiras mortes pelo coronavírus no Brasil, Bolsonaro ia à televisão pela segunda vez no mesmo dia anunciar o seu grande plano para a pandemia: cortar os salários pela metade. No final da tarde desta quarta-feira, 18, o governo anunciou uma Medida Provisória reduzindo em até metade os salários dos trabalhadores.

Por: Diego Cruz

De forma cínica, o governo anunciou a medida como um plano para, em meio à crise, não haver demissões pelas empresas. No entanto, esse sempre foi o projeto de Paulo Guedes e de Bolsonaro: reduzir direitos e salários usando os empregos como chantagem. Como havia afirmado bem antes dessa crise: os trabalhadores irão ter que escolher entre salários e direitos e empregos. A pandemia foi apenas a justificativa encontrada pelo governo para o anúncio.

A MP segue o sentido do aprofundamento da reforma trabalhista defendida pelo governo e a MP 905 que impõe a carteira verde-e-amarela, inclusive que foi aprovada na Comissão do Congresso nesta terça-feira. Nesta nova MP, a redução da jornada e dos salários poderá ser feita mediante “acordo individual” entre patrão e empregado, com redução da jornada de trabalho e o piso de um salário mínimo.

Outro ataque é a possibilidade da suspensão do contrato de trabalho e o uso do banco de horas para esse período de quarentena, como se fosse uma folga do trabalhador. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, definiu assim as medidas: “Muito mais grave, diante de uma crise dessa, é a pessoa perder o emprego e sobreviver sem salário”. A mesma chantagem utilizada durante a crise econômica, mas agora num momento muito mais grave, em que pessoas morrem e a população se vê ameaçada por uma pandemia e um governo irresponsável que só pensa em manter a “economia funcionando” e retirar direitos.

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Para os banqueiros, o governo anunciou uma ajuda imediata de pelo menos R$ 30 bilhões. Está em estudo uma ajuda financeira milionária às companhias aéreas e grandes empresas, além das já anunciadas como isenções e linhas de crédito. Para os trabalhadores com carteira, por outro lado, será o corte nos salários e redução nos direitos, e aos cerca de 40 milhões de trabalhadores informais que ficarão sem renda, o governo anunciou uma esmola de R$ 200 na forma de “vouchers”, com o custo total de R$ 5 bilhões.

Fora Bolsonaro e Mourão

O governo, de forma irresponsável, minimizou até onde pôde a pandemia do coronavírus. Isso porque a “economia parada” representa menos lucros aos banqueiros e grandes empresários. Assim como ocorreu na Itália, postergou até onde pôde o reconhecimento da situação, mesmo que isso significasse perda de vidas. Quando sua tese da “histeria” insuflada pela imprensa não se sustentava mais, assim como sua popularidade, colocou o governo à disposição dos bancos e grandes empresas.

É uma vergonha que Bolsonaro anuncie a redução dos salários sob os cadáveres das vítimas do coronavírus, mortes que o seu desgoverno é diretamente responsável. O governo está se aproveitando dessa situação, em que os trabalhadores não podem fazer manifestações de rua, para fazer o que sempre quis. O panelaço dessa quarta-feira, 18, porém, mostrou que a paciência da população está se esgotando.