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Moro afirma que Bolsonaro “esclareceu sua parte” no caso, enquanto o MLB finge que nada aconteceu

Por: PSTU Brasil

O presidente eleito Jair Bolsonaro e o seu vice, general Mourão, foram oficialmente diplomados na tarde desta segunda-feira, 10, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A cerimônia é uma espécie de reconhecimento oficial do resultado das eleições de 2018, habilitando a que o novo presidente tome posse em janeiro.

A diplomação se dá em meio ao primeiro escândalo de corrupção antes mesmo da posse do novo governo. O caso surgiu da revelação pelo jornal Estadão da movimentação financeira suspeita de um assessor do filho do presidente eleito, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O ex-PM Fabrício José Carlos de Queiroz, que trabalhou como segurança e motorista do de Flávio até outubro, movimentou R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, segundo relatório do Caof (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na esteira da investigação que culminou na Operação Furna da Onça, e que acabou com 10 parlamentares do Rio presos.

Jair Bolsonaro, o filho, Eduardo, e o ex-PM, Fabrício

Além da movimentação “atípica” totalmente incompatível com a renda e o patrimônio do ex-assessor, o Coaf identificou o depósito de R$ 24 mil do ex-PM à atual mulher de Bolsonaro, Michelle Bolsonaro. O caso foi revelado no dia 6 e foi seguido pelo silêncio do clã Bolsonaro e do ex-assessor, assim como dos integrantes da equipe de transição e de movimentos como o MBL, que cansaram de repetir não ter “corruptos de estimação”. No dia seguinte, Flávio afirmou que o ex-funcionário havia lhe dado uma explicação “plausível” pela movimentação. Qual? Ficamos sem saber.

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, por sua vez, perdeu a paciência e discutiu com jornalistas ao ser questionado sobre o caso.

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Já Jair Bolsonaro lançou mão da conhecida justificativa de “empréstimo” para os valores depositados na conta de sua mulher. Segundo a versão que deu ao site Antagonista, o depósito se refere a um empréstimo concedido ao ex-PM, do qual seria amigo. Afirmou ainda que, se o Coaf retroagisse, identificaria R$ 40 mil pelo suposto pagamento desse empréstimo. Assim, seu único erro teria sido não declarar essa ajuda dado ao amigo.

O silêncio seguido por conhecidas desculpas que já vimos em outros casos só tornaram tudo ainda mais enrolado. Logo depois, foi revelado também que oito funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) transferiram dinheiro ao ex-PM, incluindo a mulher e as duas filhas do ex-assessor. A cada dia, algo novo aparece.

E o ex-juiz e futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro? Após ter se negado a responder sobre o caso, disse, nesta segunda, que Jair Bolsonaro já “esclareceu a parte que lhe cabe no episódio”. O resto fica por conta dos envolvidos ou por alguma apuração. Ora, o outrora exigente e duro Sérgio Moro se contentou com a “explicação” do empréstimo de R$ 40 mil a um funcionário que movimentou R$ 1,2 milhão? E os repasses dos demais funcionários ao ex-PM? De onde veio esse dinheiro?

Os futuros integrantes do governo já sofrem com denúncias e investigações, como o caso do próprio Lorenzoni que admitiu ter recebido caixa 2 da JBS de Joesley Batista. Agora, esse novo escândalo abala um governo que sequer tomou posse.

Assim como exigimos investigação dos escândalos de corrupção dos governos Lula e Dilma (PT), e os do governo Temer (MDB), temos que exigir a investigação imediata desse caso, que só se enrola cada vez mais.

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