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O preço da carne vermelha em São Paulo subiu mais de 35% em um mês. Um quilo de carne tem sido encontrado pelo valor abusivo de R$ 42. Ou mais. Muitos açougues retomaram uma prática ocorrida na época do governo Sarney, da hiperinflação, de retirar as placas com os preços dos estabelecimentos para não “espantar” a freguesia.

Por: CSP Conlutas

Na internet, o povo não perdoa e os “memes” ironizando a situação já são recorrentes, muitos indicando a substituição da carne pelo ovo. Mas, a depender do desenrolar da situação nem o ovo vai ficar de fora da carestia, pois economistas já falam em reflexos na carne de frango e de porco.

Contudo, para além das redes sociais e do bom humor, nas filas dos açougues e supermercados a indignação é geral. Afinal, a carne vermelha faz parte dos hábitos alimentares no país e o atual preço tornou proibitivo o produto, principalmente para os mais pobres como sempre ocorre.

A causa para a disparada dos preços da carne tem a ver principalmente com o aumento da importação do produto pela China. O país suspendeu a importação que fazia da África, em razão de um surto de peste, e passou a importar do Brasil, o que aumentou a exportação brasileira em 62% em outubro deste ano em relação ao mesmo período de 2018.

A alta do dólar também está sendo vista com bons olhos pelos pecuaristas. Afinal, dá mais dinheiro exportar a carne para o exterior do que vender no mercado interno para a população brasileira.

“Quero deixar bem claro que esse negócio da carne é a lei da oferta e da procura. Não posso tabelar ou inventar”. Essa foi a declaração de Bolsonaro no último sábado (30), em Brasília, ao falar com pessoas em frente ao Palácio da Alvorada. Ou seja, para Bolsonaro tudo é “natural”, os produtores têm mais é que ganhar dinheiro, mesmo que a população seja extorquida e até privada do acesso a esse alimento.

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“A ganância do agronegócio e a política a favor dos patrões aplicada pelo governo Bolsonaro é que estão por trás dessa situação. Em nome do lucro eles priorizam a exportação e não estão nem aí para as necessidades da população. Assim é o capitalismo. O que é produzido não obedece a lógica de atender as necessidades das pessoas, mas apenas a ganância e o lucro”, opina o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes.

“A política ultraliberal e de ultradireita do governo Bolsonaro só vai agravar a crise social no país. Suas reformas e medidas são sempre a favor dos empresários, latifundiários e banqueiros. Nós, trabalhadores, é que continuamos amargando o desemprego, o aumento da informalidade, a retirada dos direitos, o fim da aposentadoria e agora, mais uma vez, a carestia do preço dos alimentos”, alerta o dirigente.

“Bolsonaro, Mourão e Guedes precisam ser derrotados e isso só será possível com a mobilização dos trabalhadores. Precisamos seguir o exemplo da luta dos irmãos chilenos. A indignação dos memes na internet precisam sair das redes sociais e tomar as ruas para dar um basta nessa situação. Nas luta podemos também construir a saída para essa crise, que é construir um país onde quem trabalha possa governar e dividir igualmente a riqueza produzida”, afirma Atnágoras.