COMPARTILHAR

O Congresso Nacional terminou a votação da reforma da Previdência em 1º turno, mas não conseguiu ainda votar em 2º turno. Essa ficou para agosto. Só depois de aprovada em 2º turno na Câmara a reforma pode ir ao Senado. E a sua aprovação final depende que o Senado aprove tudo que a Câmara já aprovou. Se mudar alguma coisa, ela tem que voltar para os deputados.

Por: PSTU Brasil

A proposta aprovada nesta etapa, apesar de uma mudança ou outra, é muito ruim e um verdadeiro roubo das aposentadorias dos trabalhadores e dos mais pobres deste país em favor dos muito ricos. Ela teve muitos votos, 379, acima do necessário (308), e mostra a real face do parlamento: corrupto e fantoche dos banqueiros e grandes empresários, contrário aos trabalhadores e a grande maioria do povo. O governo destinou R$ 4,2 bilhões aos parlamentares para comprar votos.

Mesmo assim, a reforma pôde ser aprovada em 1º turno, pois não houve uma campanha e uma mobilização à altura aqui em baixo. As fake news da mídia desinformaram e até convenceram uma parcela da população. Contribuiu para isso o corpo mole das cúpulas das principais centrais e dos partidos que se dizem de oposição e vinculados a organizações dos trabalhadores, como PT, PCdoB, PDT, PSB e mesmo PSOL, que privilegiam as negociações no parlamento à mobilização dos trabalhadores. Houve uma luta muito aquém da necessária e do possível, além de um grau de informação que mostrasse a verdade e a crueldade dessa reforma.

Os partidos de oposição e as cúpulas das principais centrais, ao invés de apostar tudo na construção da mobilização, da Greve Geral, da luta na rua e a campanha na base para explicar a verdade sobre essa reforma e ajudar a organizar a reação, privilegiam as negociações no Congresso.

Leia também:  A cumplicidade da grande imprensa no fim da aposentadoria dos mais pobres

Fazem isso porque, na verdade, não se opõem verdadeiramente ao sistema. Não querem uma verdadeira transformação. Pelo contrário, se propõem a governar o sistema para os banqueiros e grandes industriais e a fazer também “ajustes” e algum tipo de reforma da Previdência, que igualmente tira dos pobres. Por isso Lula fez uma reforma da Previdência, e Dilma também faria como ela mesma diz, da mesma maneira que FHC fez em seu governo, e Temer também faria.

Agora, perante a reforma de Bolsonaro, não jogam para derrotá-la para valer. Mas apenas para alterar um ponto ou outro, apostando em alianças no Congresso. E, por outro lado, apostando meramente no jogo eleitoral futuro e na capitalização do desgaste do governo.  Isso é o que está por trás do corpo mole das cúpulas das centrais, exceto a CSP-Conlutas. Só que esse jogo em prol da manutenção e administração do sistema capitalista, constrói derrotas da classe trabalhadora.

Essa reforma de Bolsonaro-Guedes-Rodrigo Maia e do Congresso Nacional é a pior que pode existir. É crueldade pura. Para garantir e aumentar os lucros dos bancos e das grandes empresas, resolveram tirar R$ 1 trilhão dos trabalhadores para “economizar” dinheiro e destiná-lo aos bancos. Falaram que a reforma ataca privilégios e que vai fazer o país crescer. Tudo mentira. Estão tirando R$ 850 bilhões dos que se aposentam pelo INSS. Desde quando, os que se aposentam pelo INSS são privilegiados? Outro tanto estão tirando de professores, de pensão de viúvas e órfãos e outro tanto de pobres que vivem do BPC. Um roubo puro e simples.

É possível virar, mas tem que ter luta
Isso reforça que nessa democracia dos ricos, dentro desse Congresso Nacional cujo jogo é ditado pelos banqueiros e grandes empresários, a única forma de impedirmos um ataque dessas proporções é através da luta, da greve e da mobilização. Só a ação direta da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre pode impedir esse ataque e impor uma derrota ao governo e ao Congresso Nacional. Apostar nas negociações e no jogo viciado dos corredores do Congresso, assim como as próximas eleições, é o caminho certo para a derrota.

Leia também:  Governador Wellington (PT) apoia a Reforma da Previdência de Bolsonaro e prepara novo ajuste fiscal no Piauí

Mas para ter luta é preciso que as direções das grandes centrais sindicais deixem de corpo mole e as negociações por cima, e organizem para valer a mobilização. Neste ano tivemos grandes manifestações contra os cortes na Educação, e um dia de greves e paralisações em 14 de junho. Os trabalhadores e o povo, se informados sobre os ataques que virão, têm disposição de luta. Mas é preciso organizar, convocar e colocar todas as forças para isso.

A votação da reforma será retomada no início de agosto. É possível virar esse placar. Mas para isso as direções das grandes centrais como CUT, CTB, Força Sindical, etc., precisam romper qualquer tipo de negociação e, como vem exigindo a CSP-Conlutas desde o início do ano, se colocar inteiramente na organização de grandes manifestações rumo a uma nova, e mais forte, Greve Geral em defesa das nossas aposentadorias e contra essa reforma cruel e desumana. Exija do seu sindicato que organize a luta e convoque assembleia. Ajude a mostrar a verdade sobre a reforma para seus colegas no local de trabalho, estudo, moradia, converse com seus amigos. Ajude a montar um comitê no seu bairro. Para saber toda a verdade sobre essa reforma, veja aqui.

Vamos defender toda unidade para lutar com todo mundo que quiser lutar. Mas já é hora também de, na luta, os trabalhadores construírem um caminho seu, um caminho socialista, que derrote os capitalistas e garanta pleno emprego, saúde, educação, moradia e aposentadorias dignas.

Já passou da hora de virar o jogo, partir para derrotar os ataques dos capitalistas visando mudar o sistema.