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Ante o covarde e brutal ataque cooperativista manifestamo-nos: Este ataque resultou na morte do companheiro Hector Choque de 31 anos (que deixa 2 filhos e sua esposa grávida), em ferimentos do colega Wilson Miranda (29 anos) que está em terapia intensiva com risco de ficar paraplégico e em outros 6 companheiros gravemente feridos.

É necessário denunciar que o principal responsável por este ataque é o governo, porque vem atrasando a nacionalização total de Colquiri e porque permitiu, numa atitude criminosa, que os cooperativistas passassem em frente aos mineiros assalariados[1] que se encontravam em vigília na FSTMB (Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia). E, em segundo lugar, os dirigentes cooperativistas (principalmente da Coop. 26 de fevereiro) são também responsáveis, pois provocaram o covarde ataque aos mineiros desarmados, porque desesperam-se ao ver que lentamente cada vez mais cooperativistas de base estão decidindo passar às filas assalariadas. Dos 940 que eram inicialmente, 570 já passaram à Empresa Mineira Colquiri estatizada.

Evo está com os cooperativistas e as multinacionais! É um governo antioperário, pró-empresarial e traidor dos mineiros assalariados.

Durante o governo de Evo, o crescimento das cooperativas mineiras quase triplicou. Em 2006 existiam 470 cooperativas, enquanto em 2011 chegaram a perto de 1300, segundo dados de FENCOMIN. Este apoio do governo permitiu-lhes ocupar cargos em ministérios e assentos no parlamento. Não é casual que um dos patrões das cooperativas, Andrés Villca, seja hoje vice-presidente do Senado pelo MAS. Também foram liberadas do pagamento de vários impostos. Em 2011, a mineração nacionalizada, que tem 2% da produção e 16 mil trabalhadores, contribuiu com 463 milhões de dólares em impostos ao Estado, enquanto as cooperativas, com 24% da produção e 120 mil trabalhadores, contribuíram com apenas 44 milhões. Outro fato que confirma que Evo Morales está com os patrões dirigentes das cooperativas é que, em vez de buscar uma solução para o conflito, assinou uma “ata de diálogo” com estes dirigentes garantindo a volta deste setor a Colquiri. Outra evidência foi ver o vice-ministro Pérez encabeçando a marcha cooperativista, supostamente para velar pela tranquilidade da mesma.

As cooperativas são empresas disfarçadas onde os “sócios” de base são superexplorados e se danifica o meio ambiente

Os mineiros de Colquiri, depois de brigar pela expulsão da multinacional Glencore, que arrendava 40% da mina, agora se enfrentam a um setor patronal onde é comum a servidão e o juqueo (roubo de minerais da mina estatizada). Os cabecillas (patrões) contratam os mak’unkus (peões) e até meninos em idade escolar para que realizem o trabalho em sua mina, em troca de um salário que oscila entre 100 e 200 bolivianos. Enquanto é comum que eles ganhem até 90.000 bolivianos por mês. Também não contribuem à previdência social nem respeitam a ecologia, contaminando com suas operações os povos e rios próximos.

Este conflito não é uma briga entre dois setores do proletariado como quer fazer crer o governo. É, em realidade, o confronto entre trabalhadores assalariados que propõem recuperar para o povo boliviano este recurso natural, para que seja explorado por operários com previdência social e em condições técnicas seguras e ecológicas, e empresários privados escondidos sob o nome de dirigentes cooperativistas que exploram trabalhadores precarizados.

O governo, com sua política criminosa, vai a caminho de repetir o massacre de Huanuni

Evo parece esperar que ocorra um banho de sangue como em Huanuni em 2006, quando os confrontos com dinamites entre cooperativistas e assalariados deixou 16 mortos. Naquela época, as palavras cínicas e macabras do Vice-presidente Linera, quando disse que “enviaria os caixões para enterrar os mortos quando o conflito terminasse”, tiveram muita repercussão. Somente após o sangue derramado e o triunfo militar dos assalariados sobre os cooperativistas é que Evo viu-se obrigado a nacionalizar Huanuni incorporando mais de 2.500 trabalhadores cooperativistas à empresa estatal. Denunciamos e recusamos a política criminosa do governo. Já basta de operários mortos e mutilados para beneficiar os patrões de cooperativas e multinacionais!

Derrotar a política entreguista de Evo Morales a favor das cooperativas e das multinacionais.

A mineração já não pode seguir servindo ao lucro de poucos, deve ser nacionalizada e posta ao serviço dos trabalhadores e sob seu controle.  Essa tarefa só será possível se a atual política entreguista de Evo Morales – que favorece as multinacionais e os dirigentes cooperativistas – for derrotada. Para isso é necessário que os dirigentes da COB, da FSTMB e do Sindicato de Huanuni rompam com o governo e convoquem uma plenária ampliada nacional aberta aos sindicatos de base para preparar um plano de luta nacional até conseguir a nacionalização total de Colquiri sem indenização e sob o controle dos trabalhadores e incorporando como assalariados aos trabalhadores cooperativistas de base que assim o desejarem. Chamamos às diferentes organizações, ativistas e personalidades individuais conscientes da importância desta luta a coordenar esforços para constituir um grande movimento pela nacionalização de 100% de toda a mineração, sob o controle dos trabalhadores e do povo empobrecido.

Todo o apoio aos mineiros assalariados de Colquiri!

Repudio total ao brutal e covarde ataque cooperativista!

Abaixo a política criminosa do governo que está levando a um banho de sangue operário e popular!

Nacionalização total de Colquiri e de toda a mineração sem indenização e sob o controle dos trabalhadores!



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[1] Cooperativistas: trabalhadores das cooperativas de mineração, que é uma forma de privatização das minas na Bolívia. Assalariados: trabalhadores das minas estatais, filiados à FSTMB.