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No jornal Lucha Socialista (n. 29) dizíamos “desde março até esta data os conflitos sociais se sucedem um depois do outro sem dar pausa ao governo, estes conflitos tem um caráter e reivindicações distintas, sem embargo arrancam de um elemento comum: o rechaço aos ataques do governo do MAIS [Partido de Evo Morales]”. Esta verdade se aprofundou diante dos conflitos mineiros de Colquiri e Mallku Khota.


Já são vários feridos e um morto na disputa por balas e explosões de dinamite, empreendida pelos donos das cooperativas contra os mineiros assalariados ou comunitários. Enquanto para Evo só lhe importa a campanha eleitoral de 2014. Todos os conflitos são relevados aos ministros porque Evo somente se encarrega de inaugurar obras, principalmente no campo. Uma pedra, uma inauguração!

A medida do governo que provoca estes conflitos – e outros como o TIPNIS (Sobre o tema clique aqui) – é a crescente entrega dos recursos naturais as transnacionais, e no caso dos conflitos mineiros se trata de entregar jazidas aos “sócios” das transnacionais, ou seja, aos donos das cooperativas, os segundos aliados eleitorais mais importantes de Evo.

Os feridos e mortos são responsabilidade de Evo por favorecer aos patrões cooperativistas e as transnacionais

O conflito de Colquiri desmascarou a retórica do governo de “nacionalização e recuperação dos recursos mineralógicos para o povo” e demonstrou aos mineiros assalariados de todo o país, que Evo está a favor dos donos das cooperativas. O que é o mesmo que estar a favor das transnacionais. Os patrões cooperativistas contam com a enorme ajuda do governo, uma vez que este lhes garante as ricas jazidas pertencentes ao Estado (COMIBOL), máquinas de ponta, e ainda lhes libera do pagamento de impostos.

Equivocam-se os que afirmam que os conflitos derivam de uma ausência de política minera do governo como disse Juan Carlos Trujillo, secretário executivo da COB: “a violência desatada se deve a que o governo carece de uma política minera nacional”. Nós, de Lucha Socialista (LIT-CI), opinamos que os feridos e mortos são resultado da evidente política minera que tem Evo Morales que favorece aos patrões cooperativistas e as transnacionais.

Não é certo o que Evo disse na CNN, de que não há nada que nacionalizar em Colquiri, porque mineiros assalariados e cooperativistas são bolivianos. Os donos das cooperativas são patrões que trabalham para as transnacionais Manquiri, Sinchi Wayra e San Cristóbal (Sumitomo), submetendo à exploração e ao trabalho precário milhares de mineiros de base. São verdadeiras empresas impulsionadas pelo governo, que trabalham para estas três transnacionais, que conjuntamente são responsáveis por mais da metade da produção e exportação nacional de minerais, em troca, a COMIBOL, é responsável por 9 ou 10%. Por tanto não pode haver paz entre exploradores e explorados.

Colquiri e Malku Khota: Por que segue e seguirão os conflitos?

A direção dos mineiros assalariados de Colquiri, pressionada pelos dirigentes da FSTMB e da COB, que não estão dispostos a enfrentar as medidas do governo contra os mineiros assalariados, trabalhando desse modo a favor do governo, firmou um acordo com o governo que não foi à reversão de 100% de Colquiri as mãos do Estado e tampouco se logrou a incorporação dos cooperativistas ao sistema estatal, conforme havia sido colocado.

O acordo firmado foi um retrocesso frente ao que reivindicavam os assalariados. O DS 1368 dispõe “a divisão do veio Rosário pela linha de referência 82 N em todos os níveis da mina, para o sul fica em mãos da COMIBOL e para o norte em mãos da Cooperativa 26 de Fevereiro”, e, por conseguinte o retorno dos cooperativista. Isso gerou um mal estar e evidente descontentamento em Colquiri porque significava a imposição do governo do retorno dos cooperativistas ainda que cinicamente falasse em pacificação.

A reabertura do conflito era iminente Já que a origem do problema, a questão da nacionalização de 100% não fora atendida por Evo Morales. Ao ingressar os cooperativistas em Colquiri, no dia 6 de outubro, provocaram à população com ataques com dinamite e ainda contaram com o resguardo da polícia. A partir daí se produziu o segundo enfrentamento entre assalariados e cooperativistas resultando em mais de 42 mineiros feridos.

No caso de Mallku Khota, jazida que estava sob controle da transnacional South American Silver, e que Evo se viu obrigado a nacionalizar depois da contundente luta dos comunitários no mês de julho, os enfrentamentos voltaram à mina no dia 4 de outubro deixando o resultado de ao menos dois comunitários feridos à bala. O motivo do enfrentamento foi que um grupo dos comunitários, instigados pela tomada de posição de Evo a favor dos donos das cooperativas, utilizando metralhadoras reabriu a disputa pela mina.

A polícia não resolve os conflitos. Colquiri é uma bomba relógio

Os enfrentamentos em Colquiri e Mallku Khota não estão resolvidos, do mesmo modo se produzirão outros conflitos. Isso é assim porque Evo Morales deixou claro no conflito de Colquiri, que está contundentemente contra nacionalizar as minas que foram entregues ao setor privado (seja transnacionais ou cooperativas) pelos governos neoliberais. Ante sua negativa em por fim aos conflitos mineiros o que exigiria enfrentar-se com os patrões, e dado que Evo é um governo sustentado pelos “patrões da mineração”, o governo resolve militarizar Colquiri e Mallku Khota.

Mais de 350 policiais foram enviados a Mallku Khota e 400 a Colquiri, localidade onde se estabeleceu um “toque de recolher” para, segundo o governo apaziguar a situação. Colquiri pode voltar a ter outro conflito em qualquer momento, onde as consequências podem ser muito mais graves repetindo os mortos do conflito entre cooperativistas e assalariados em Huanuni em 2006. Se ocorre um banho de sangue a culpa absoluta será de Evo Morales que não atende a justa reivindicação de 100% de reversão de Colquiri ao Estado e incorporação dos cooperativistas de base à mineração estatal.

Seguir com todo o apoio à luta dos mineiros assalariados de Colquiri!

A disposição dos mineiros assalariados e da população de Colquiri é seguir exigindo a nacionalização, e advertem: “Não vamos permitir que este governo com os cooperativistas voltem a dominar”, declarou Severino Estallani, dirigente dos trabalhadores assalariados.

Nós do Grupo Lucha Socialista (LIT-CI) estamos lado a lado com os mineiros assalariados de Colquiri nesta luta e fazemos um chamado aos estudantes, trabalhadores, Sindicatos não oficialistas, organizações de esquerda, que exijam da direção da COB e da FSTMB que desenvolva uma ampla campanha e jornada de luta, com o apoio da população, para exigir ao governo de Evo Morales o fim dos enfrentamentos mineiros, Já basta de mortos e feridos, evitemos um banho de sangue, e isso só será possível se o governo nacionalizar 100% de Colquiri e de toda a mineração.

Tradução: Rodrigo Ricupero